CREDO

Adotamos como credo os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo, documento redigido pelo Dr. Robert Reid Kalley e aprovado pela Igreja Evangélica Fluminense em 02 de julho de 1876, e que compõe a base doutrinária das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil.


28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo


Art. 1º – Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus

Existe um só Deus(1), vivo e pessoal(2); suas obras no céu e na terra manifestam, não meramente que existe, mas que possui sabedoria, poder e bondade tão vastos que os homens não podem compreender(3); conforme sua soberana e livre vontade, governa todas as coisas(4).
(1) Dt.6:4; (2) Jr 10:10; (3) Sl 8:1; (4) Rm 9:15,16
Art. 2º – Do Testemunho da Revelação a Respeito de Deus e do Homem
Ao testemunho das suas obras Deus acrescentou informações(5) a respeito de si mesmo(6) e do que requer dos homens(7). Estas informações se acham nas Escrituras do Velho e do Novo Testamento(*) nas quais possuímos a única regra perfeita para nossa crença sobre o Criador, e preceitos infalíveis para todo o nosso proceder nesta vida(8).
(5) Hb 1:1; (6) Ex 34-5-7; (7); II Tm.3.15,16; (8); Is.8.19,20.
(*) Os livros apócrifos não são parte da Escritura devidamente inspirada.
Art. 3º – Da Natureza dessa Revelação
As Escrituras Sagradas foram escritas por homens santos, inspirados por Deus, de maneira que as palavras que escreveram são as palavras de Deus(9). Seu valor é incalculável(10), e devem ser lidas por todos os homens(11).
(9) II Pe 1:19-21; (10) Rm 3:1,2. (11) Jo 5:39.
Art. 4º – Da Natureza de Deus
Deus o Soberano Proprietário do Universo é Espírito(12), Eterno(13), Infinito(14) e Imutável(15) em sabedoria(16), poder(17), santidade(18), justiça(19), bondade(20) e verdade(21).
(12) Jo 4:24; (13) Dt 32:40; (14) Jr 23:24; (15) Ml 3; (16) Sl 146:5; (17) Gn 17:1; (18) Sl 144:17; (19) Dt 32: 4; (20) Mt 19:17; (21) Jo 7:28.
Art. 5º – Da Trindade da Unidade
Embora seja um grande mistério que existam diversas pessoas em um só Ente, é verdade que na Divindade exista uma distinção de pessoas indicadas nas Escrituras Sagradas pelos nomes de Pai, Filho e Espírito Santo(22) e pelo uso dos pronomes Eu, Tu e Ele, empregados por Elas, mutuamente entre si(23).
(22) Mt 28:19: (23) Jo 14:16,17
Art. 6º – Da Criação do Homem
Deus, tendo preparado este mundo para a habitação do gênero humano, criou o homem(24), constituindo-o de uma alma que é espírito(25), e de um corpo composto de matérias terrestres(26). O primeiro homem foi feito à semelhança de Deus(27), puro, inteligente e nobre, com memória, afeições e vontade livre, sujeito Àquele que o criou, mas com domínio sobre todas as outras criaturas deste mundo(28).
(24) Gn 1:2-27; (25) Ec 12:7; (26) Gn 2:7; (27) Gn 1:26,27; (28) Gn 1:28
Art. 7º – Da Queda do Homem
O homem assim dotado e amado pelo Criador era perfeitamente feliz(29), mas tentado por um espírito rebelde (chamado por Deus, Satanás), desobedeceu ao seu Criador(30); destruiu a harmonia em que estivera com Deus, perdeu a semelhança divina; tornou-se corrupto e miserável, deste modo vieram sobre ela a ruína e a morte(31).
(29) Gn 1:31; (30) Gn 2: 16,17; (31) Rm 5:12.
Art. 8º – Da Conseqüência da Queda
Estas não se limitam ao primeiro pecador. Seus descendentes herdaram dele a pobreza, a desgraça a inclinação para o mal e a incapacidade de cumprir bem o que Deus manda(32); por conseqüência todos pecam, todos merecem ser condenados, e de fato todos morrem(33).
(32) Sl 50:7; (33) I Co 15:21
Art. 9º – Da Imortalidade da Alma
A alma humana não acaba quando o corpo morre. Destinada por seu Criador a uma existência perpétua, continua capaz de pensar, desejar, lembrar-se do passado e gozar da mais perfeita paz e regozijo; e também de temer o futuro, sentir remorso e horror e sofrer agonias tais, que mais quereria acabar do que continuar a existir(34); o pecado da rebelião contra o seu Criador, merece para sempre esta miséria, que é chamada por Deus de segunda morte(35).
(34) Lc 16:20-31; (35) Ap 21:8
Art. 10º – Da Consciência e do Juízo Final
Deus constituiu a consciência juiz da alma do homem(36). Deu-lhes mandamentos pelos quais se decidissem todos os casos(37), mas reservou para si o julgamento final, que será em harmonia com seu próprio caráter(38). Avisou aos homens da pena com que com punirá toda injustiça, maldade, falsidade e desobediência ao seu governo(39); cumprirá suas ameaças, punindo todo pecado em exata proporção à culpa(40).
(36) Rm 2:14,15; (37) Mt. 22:36-40; (38) Sl 49:6; (39) Gl 3:10; (40) II Co 5:10
Art. 11º – Da Perversidade do Homem e do Amor de Deus
Deus vendo a perversidade, a ingratidão e o desprezo com que os homens lhe retribuem seus benefícios e o castigo que merecem(41), cheio de misericórdia compadeceu-se deles; jurou que não desejava a morte dos ímpios(42); além disso, tomou-os e mandou declarar-lhes, em palavras humanas, sua imensa bondade para com eles; e quando os pecadores nem com tais palavras se importavam, ele lhes deu a maior prova do seu amor(43) enviando-lhes um salvador que os livrasse completamente da ruína e miséria, da corrupção e condenação e os restabelecesse para sempre no seu favor(44).
(41) Hb 4:13; (42) Ez 33:11; (43) Rm 5:8,9; (44) II Co 5: 18-20.
Art. 12º – Da Origem da Salvação
Esta Salvação, tão preciosa e digna do Altíssimo (porque está perfeitamente em harmonia com seu caráter) procede do infinito amor do Pai, que deu seu unigênito Filho para salvar os seus inimigos(45).
(45) I Jo 4:9
Art. 13º – Do Autor da Salvação
Foi adquirida, porém, pelo Filho, não com ouro, nem com prata, mas com Seu sangue(46), pois tomou para Si um corpo humano e alma humana(47) preparados pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem(48); assim, sendo Deus e continuando a sê-Lo se fez homem(49). Nasceu da Virgem Maria, viveu entre os homens(50), como se conta nos evangelhos, cumpriu todos os preceitos divinos(51) e sofreu a morte e a maldição como como o substituto dos pecadores(52), ressuscitou(53) e subiu ao céu(54). Ali intercede pelos seus remidos(55) e para valer-lhes tem todo o poder no céu e na terra(56). É nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo(57), que oferece, de graça, a todo o pecador o pleno proveito de sua obediência e sofrimentos, e o assegura a todos os que, crendo nEle, aceitam-no por Seu Salvador(58).
(46) I Pe1:18,19; (47) Hb 2:14; (48) Mt 1:20; (49) Jo 1:1,14; (50) At 10:38; (51) I Pe 2:22; (52) Gl 3:13; (53) Mt 28:5,6; (54) Mc 16:19; (55) Hb 7:25; (56) Mt 28:18; (57) At 5:31; (58) Jo 1:14.
Art. 14º – Da Obra do Espírito Santo no Pecador
O Espírito Santo enviado pelo Pai(59) e pelo Filho(60), usando das palavras de Deus(61), convence o pecador dos seus pecados e da ruína(62) e mostra-lhe e excelência do Salvador(63), move-o a arrepender-se, a aceitar e a confiar em Jesus Cristo. Assim produz uma grande mudança espiritual chamada nascer de Deus(64). O pecador nascido de Deus está desde já perdoado, justificado e salvo; tem a vida eterna e goza das bênçãos da Salvação(65).
(59) Jo 14:16,26; (60) Jo 16:7; (61) Ef 6:17; (62) Jo 16:8; (63) Jo 16:14; (64) Jo1:12,13; (65) Gl 3:26.
Art. 15º – Do Impenitente
Os pecadores que não crerem no Salvador e não aceitarem a Salvação que lhes está oferecida de graça, hão de levar a punição de suas ofensas(66), pelo modo e no lugar destinados para os inimigos de Deus(67).
(66) Jo 3:36; (67) II Ts 1: 8,9
Art. 16º – Da Única Esperança de Salvação
Para os que morrem sem aproveitar-se desta salvação, não existe por vir além da morte um raio de esperança(68). Deus não deparou remédio para os que, até o fim da vida neste mundo, perseveraram nos seus pecados. Perdem-se. Jamais terão alívio(69).
(68) Jo 8:24; (69) Mc 9:42,43
Art. 17º – Da Obra do Espírito Santo no Crente
O Espírito santo continua a habitar e a operar naquele que faz nascer de Deus(70); esclarece-lhe a mente mais e mais com as verdades divinas(71), eleva e purifica-lhe as afeições adiantando nele a semelhança de Jesus(72), estes fruto do espírito são prova de que passaram da morte para a vida, e que são de Cristo(73).
(70) Jo 14:16,17; (71) Jo 16:13; (72) II Co 3:18; (73) Gl 5:22,23
Art. 18º – Da União do Crente com Cristo e do Poder para o Seu Serviço
Aqueles que tem o Espírito de Cristo estão unidos com Cristo(74), e como membro do seu corpo recebem a capacidade de servi-Lo(75). Usando desta capacidade, procuram viver, e realmente vivem, para a glória de Deus, seu Salvador(76).
(74) Ef 5:29,30 (75) Jo 15:4,7 (76) I Co 6:20
Art. 19º – Da União do Corpo de Cristo
A Igreja de Cristo no céu e na terra é uma(77) só e compõe-se de todos os sinceros crentes no Redentor(78), os quais foram escolhidos por Deus, antes de haver mundo(79), para serem chamados e convertidos nesta vida e glorificados durante a eternidade(80).
(77) Ef 3:15; (78) I Co 12:13; (79) Ef 1:11; (80) Rm 8: 29,30.
Art. 20º – Dos Deveres do Crente
É obrigação dos membros de uma Igreja local, reunirem-se(81) para fazer oração e dar louvores a Deus, estudarem sua Palavra, celebrarem os ritos ordenados por Ele, valerem um dos outros e promoverem o bem de todos os irmãos; receberem(82) entre si como membros aqueles que o pedem e que parecem verdadeiramente filhos de Deus pela fé; excluírem(83) aqueles que depois mostram a sua desobediência aos preceitos do Salvador que não são de Cristo; e procurarem o auxílio e proteção do Espírito Santo em todos os seus passos(84).
(81)Hb 10:25; (82) Rm 14:1; (83) I Co 5:3-5; (84) Rm 8:5,16.
Art. 21º – Da Obediência dos Crentes
Ainda que os salvos não obtenham a salvação pela obediência à lei senão pelos merecimentos de Jesus Cristo(85), recebem a lei e todos os preceitos de Deus como um meio pelo qual Ele manifesta sua vontade sobre o procedimento dos remidos(86) e guardam-nos tanto mais cuidadosa e gratamente por se si acharem salvos de graça(87).
(85) Ef 2:8,9; (86) I Jo 5:2,3; (87) Tt 3:4-8.
Art. 22º – Do Sacerdócio dos Crentes e dos Dons do Espírito
Todos os crentes sinceros são sacerdotes para oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo(88), que é o Mestre(89), Pontífice(90) e Único Cabeça de sua Igreja(91); mas como Governador de sua casa(92) estabeleceu nela diversos cargos(93) como de Pastor(94), Presbítero(95), Diácono(96), e Evangelista; para eles escolhe e habilita, com talentos próprios, aos que ele quer para cumprirem os deveres desses ofícios(97), e quando existem devem ser reconhecidos pela igreja e preparados e dados por Deus(98).
(88) I Pe 2:5-9; (89) Mt 23:8-10; (90) Hb 3:1; (91) Ef. 1:22; (92) Hb 3:6; (93) I Co 12:28; (94) Ef 4:2; (95) I Tm 3:1-7; (96) I Tm 3: 8-13; (97) I Pe 5:1; (98) Fl 2:29.
Art. 23º – Da Relação de Deus para com Seu Povo
O Altíssimo Deus atende as orações(99) que, com fé, e, em nome de Jesus, único Mediador(100) entre Deus e os homens, lhe são apresentadas pelos crentes, aceita os louvores(101) e reconhece como feito a Ele, todo o bem feito aos Seus(102).
(99) Mt 18:19; (100) I Tm 2:5; (101) Cl 3:16,17; (102) Mt 25:40,45.
Art. 24º – Da Cerimônia e dos Ritos Cristãos
Os ritos judaicos, divinamente instruídos pelo Ministério de Moisés , eram sombras dos bens vindouros e cessaram quando os mesmos bens vieram(103): os ritos cristãos são somente dois: o batismo com água(104) e a Ceia do Senhor(105).
(103) Hb 10:1; (104) At 10:47,48; (105) Mt 26:26-28.
Art. 25º – Do Batismo com Água
O batismo com água foi ordenado por Nosso Senhor Jesus Cristo como figura do batismo verdadeiro e eficaz, feito pelo Salvador , quando envia o Espírito Santo para regenerar o pecador(106). Pela recepção do batismo com água, a pessoa declara que aceita os termos do pacto em que Deus assegura as bênçãos da salvação(107).
(106) Mt. 3:11; (107) At 2:41
Art. 26º – Da Ceia do Senhor
Na Ceia do Senhor foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo, o pão e o vinho representam vivamente ao coração do crente o corpo que foi morto e o sangue derramado no Calvário(108); participar do pão e do vinho representa o fato de que a alma recebeu seu Salvador. O crente faz isso em memória do Senhor, mas é da sua obrigação examinar-se primeiro fielmente quanto a sua fé, seu amor e o seu procedimento(109).
(108) I Co 10:16; (109) I Co 11:28,29.
Art. 27º – Da Segunda Vinda do Senhor
Nosso Senhor Jesus Cristo virá do céu como homem(110), em Sua própria glória(111) e na glória de Seu Pai(112), com todos os santos e anjos; assentar-se-á no trono de Sua glória e julgará todas as nações.
(110) At 1:11; (111) Mt 25:31; (112) Mt 16:27
Art. 28º – Da Ressurreição para a Vida ou para a Condenação
Vem a hora em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e ressuscitarão(113); os mortos em Cristo ressurgirão primeiro(114); os crentes que neste tempo estiverem vivos serão mudados(115), e sendo arrebatados estarão para sempre com o Senhor(116), os outros também ressuscitarão, mas para a condenação(117).
(113) Jo 5:25-29; (114) I Co 15:22,23;(115) I Co 15:51,52; (116) I Ts 4:16; (117) Jo 5:29.