domingo, 24 de setembro de 2017

O círculo céptico do homem no fiasco da vida secular


Por Jadson de Paula

Eclesiastes é um convite a discussão do vazio teórico e pragmático da vida sem o sentido, valor e propósito em Deus. O Pregador de Eclesiastes traça um roteiro da vida humana debaixo do sol, em sua conjuntura de fôlego e pó, dotada de falhas, marcada pela natureza caída, circunscrita no círculo da vaidade da vida. A problematização da existência do homem na terra é marcada pela eternidade como pano de fundo no processo de dramatização definindo um ponto de significado num caos de significados. O escritor perpassa por horizontes terrestres e verticais dando tonalidades pessimistas e esperançosas discutindo sobre a brevidade da vida, e o grande problema da existência alienada de Deus, vivenciada num círculo céptico.

O Pregador traz para a discussão no capítulo primeiro do livro a fragilidade do secularismo e as implicações históricas para o homem. Aqui, Deus é ocultado do debate como parte da dramatização da experiência do Pregador em tratar a existência da redoma humana sobre tudo que faz sem referência de fé e eternidade. Ao iniciar a explanação com a afirmação de que “tudo é vaidade”, (Eclesiastes 1.2), usando o superlativo hebraico “hebel”, o escritor fala da vida do homem em todas as suas ações marcada por alegrias nada substanciais, destinadas a evaporarem, findando as maiores satisfações em meros vácuos na alma. O Pregador não deixa um lapso de exceção, descreve a sujeição à vaidade (a corrida pela brevidade das coisas) em todo o processo da existência humana, em seus empreendimentos na vida, com um cenário em que Deus é desconsiderado; não visto como fundamento da satisfação, as confianças humanas são lançadas num vazio existencial.

Ao trazer a pergunta sobre o “proveito” de todo o trabalho humano para a discussão (Eclesiastes 1.3), o Pregador aborda as consequências da vida direcionada unicamente à perspectivas terrenas, de esforços emocionais, mentais, vigorosos e os labores envolvidos nas atividades do homem, marcando-os sob o prisma da miserabilidade e futilidade, em que não há proveito, ausência de lucro, no sentido em que a confiança nos esforços humanos em busca de satisfações, fossem pagos aos mesmos tudo quanto diga respeito aos seus planos e esforços. Ao contrário, por serem circunscrito no reino da vaidade, limitam-se às angústias da existência debaixo do sol.

Quando as realidades da eterna mesmice são exploradas, a tonalidade pessimista empregada no discurso traz à tona o grande contraste da vida alienada de Deus. O pregador fala de ‘gerações que vai e vem, e da terra que permanece para sempre’ (Eclesiastes 1.4), utilizando os particípios hebraicos para expressar o constante movimento da existência humana vivenciada em círculos repetitivos num cenário de aparente permanência da realidade terrena, agravado pelo incansável círculo de frivolidades e vaidades.

A trajetória humana é marcada com o caminho da vida propositada em direção a Deus. Esse processo abaliza a existência e experiência do homem sob significados e esperança eterna, expressando uma vida em circuito aberto debaixo do sol. O pano de fundo que é a eternidade trabalhada no discurso do livro, enfatiza que à parte de Deus, resta apenas um circuito fechado na história do homem, que dissolve sua existência sob o prisma secular, e nela, deposita o início e o fim do processo de realidade. Isso faz com que o que realizou e o que realizará, nunca sejam uma novidade no seu nicho fechado. O Pregador fala sobre a filosofia secular; como uma perspectiva enraizada no homem em direção a si mesmo; se não há perspectivas verticais, o horizonte terrestre não produzirá o que realmente é novo, por isso, “nada há, pois, novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1.9).

O Pregador trabalhou o seu discurso nos primeiros versículos do livro explanando o seu olhar no campo horizontal, em que satisfações permanentes é exaurida pelo o fim das coisas em si. O Reino de Deus é a origem do que realmente é novo para a história da vida humana. À luz dessa fonte, toda perspectiva do homem muda, quando confrontado com a realidade da vida que é a morte, tornando a breve existência terrena, em tudo que fez e fará, com significados oriundos do fato que, a realidade que o cerca é um sopro na trajetória do tempo, e que o aproveitamento do tempo e o sentido da vida, estão intimamente ligados a Deus.




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Um comentário:

  1. Muito bom seu artigo. Parabéns colega colunista!Demorei ver esse texto comentado com tanta responsabilidade.

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