domingo, 20 de agosto de 2017

QUEBRA DE MALDIÇÃO – Perguntas e respostas


 por Karoline Evangelista


O que propõe a doutrina da Quebra de Maldição e como é realizada?

            Quebra de Maldição é um dos assuntos mais proeminentes no meio neopentecostal. Propõe a libertação de diversos males que afligem os cristãos. A Visão MDA (Modelo de discipulado apostólico), considera os seguintes tipos de Maldição: Maldição Hereditária - proveniente dos pecados cometidos por familiares; Maldição Voluntária - consequência do próprio pecado; Maldição da Nação - é citado a Escravatura e a Idolatria como exemplos de pecados do Brasil que geraram maldição a todos os brasileiros; Maldição Involuntária - resultante de ações dos pais para com os filhos, como batismo na igreja católica ou visita a terreiro de macumba [1].
            O ritual de quebra de maldição é realizado, geralmente, afastando-se os assentos, para ampliar o espaço do local, alguns ministradores formam um círculo ao redor das pessoas - isso é chamado de cobertura de oração - enquanto outros ministram impondo as mãos sobre cada um, “quebrando as maldições”, mencionando desde o período da fecundação, gestação, infância, adolescência, à 1ª, 2ª, 3ª e 4ª geração[1].


Segundo a Bíblia, é necessário que o novo convertido se submeta a um processo de Quebra de Maldição? 

A obra redentora de Cristo é perfeita e eficaz, não necessitando de nenhum complemento. Uma vez que a pessoa foi regenerada (nasceu de novo), não há necessidade de nenhum ritual para libertação e quebra de maldições, pois se ela está em Cristo, nenhuma condenação há (cf. Rm 8.1). Se o texto sagrado garante: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Co 5.17), qual a necessidade de relembrar ou conjecturar pecados cometidos em fases e gerações passadas da vida de alguém que já foi liberto pelo Filho de Deus, o qual levou sobre si toda maldição para torná-lo verdadeiramente livre? “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). 
            Nenhum ritual é necessário. O que é preciso, é deixar o que ficou para trás e viver uma vida de santidade. Evidentemente, muitas consequências da vida pregressa não desaparecerão, se colhe o que planta, um convertido que antes era consumista e se endividou, vai precisar pagar todas as suas contas; um criminoso que foi alcançado pelo evangelho, precisa cumprir a sua pena na cadeia; intrigas, casamentos destruídos, filhos não planejados... são causas a serem resolvidas e suas sequelas são sofridas mesmo após a conversão, não há ritual nenhum a ser feito, mas o evangelho agora deve nortear todas as ações do novo convertido a fim de que ele possa lidar, sabiamente, com as consequências dos pecados cometidos durante a sua vida e evitar o que desagrada a Deus a partir de então. O que o novo convertido precisa é conhecer a Deus, é alimentar-se da Sua Suficiente Palavra.
            Quanto aos pecados cometidos por outrem, sejam pelos pais ou gerações passadas ou pela nação, cabe recordar que os discípulos, ao avistarem um cego de nascença, questionaram Jesus, para saber se tal doença era consequência de pecado cometido por ele ou por seus pais e Jesus responde-lhes que nem ele, nem seu pai, mas aprouve à soberana vontade de Deus que assim fosse para que nele fossem manifestas as obras de Deus (cf. Jo 9.1-3). A soberania de Deus, e não o pecado de outra pessoa, é também a explicação para o sofrimento de Jó. 


Como explicar as experiências de famílias que foram amaldiçoadas por causa do pecado de um de seus membros? 


Primeiramente, não se pode fazer doutrina com base em experiência de vida, depois, é natural que os filhos sigam o exemplo de seus pais, um pai alcoólatra, uma mãe adúltera, um casamento desequilibrado, podem ensinar aos filhos o caminho da perdição; no outro extremo, pais, que educam os seus filhos no caminho em que se deve andar, nem depois de velhos, seus filhos se esquecerão dele (cf. Pv 22.6). No mais, a Palavra do Senhor testifica:

A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele. Mas se o ímpio se converter de todos os pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e proceder com retidão e justiça, certamente viverá; não morrerá (Ez 18.20,21).
           
É preciso considerar também, que Deus é soberano sobre tudo e todos, podem existir filhos não salvos em uma família cristã e pode haver um salvo, filho de pais inimigos do evangelho. Assim explica o apóstolo Paulo:

Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece. Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? (Rm 9.13-21).
           
O homem não tem poder para salvar, libertar, amaldiçoar ou abençoar. O poder pertence a Deus. A salvação vem do Senhor (Jn 2.9). A maldição dentro da família não é quebrada com nada aquém da pregação do Evangelho, segundo o agir do Espírito Santo de Deus. A doutrina da Quebra de Maldição é diabólica, pois nega a eficácia do sacrifício de Cristo.


[1] JEFFREY, P., HUBER, A., FILHO, B. O. G. Manual do Encontro com Deus na Visão do MDA. Santarém, PA: Igreja da Paz, 2013. Disponível em: https://prandrelda.files.wordpress.com/2013/02/manual-do-encontro-com-deus-mda.pdf. Acesso em 25 de julho de 2017. 



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