sexta-feira, 14 de julho de 2017

Voltaire: Acerca do Tratado Sobre a Tolerância - Sebastiana Lima



O presente texto é um estudo introdutório a partir da leitura da obra Tratado Sobre a Tolerância de Voltaire. Dentro da história do pensamento, ele é conhecido como um dos grandes expoentes na defesa da tolerância. Seu nome é François-Marie Arouet, pseudônimo Voltaire, nascido em Paris em 1694, foi educado em um colégio mantido pelos jesuítas, mas, inicialmente foi educado na casa do Abade Châteneuf que era seu padrinho. Vejamos o que diz REALE:

[...] em 1704 tornou-se aluno do colégio Louis-Legrand, mantido pelos jesuítas. Aí deu provas de vivaz precocidade. Mas tendo recebido uma herança, deixou o colégio e passou a freqüentar o círculo dos jovens “livres-pensadores” e iniciou seus estudos em direito. Em 1713, como secretário, acompanhou à Holanda o marques de Chateneuf (irmão de seu padrinho), embaixador da França. Entretanto, uma aventura amorosa com uma jovem protestante fez com que a família alarmada, chamasse Voltaire de volta a Paris.
Voltando, ele faz circular duas composições irreverentes em relação ao regente, sendo obrigado a um breve exílio em Sully-sur-Loire. Retornando a Paris, foi preso, ficando encarcerado na Bastilha por onze meses (de maio de 1717 a abril de 1718). (REALE, 1990, p. 729)
Voltaire experimentou a Bastilha por mais de uma vez, a experiência com as prisões contribuiu para o seu pensamento sobre a tolerância. Nessas suas estadias nas prisões da Bastilha, escrevia suas obras, entre elas: Cartas Filosóficas Sobre os Ingleses, “em 1734, [...] são publicadas as Cartas sobre os ingleses. O parlamento as condenou e o livro foi queimado no pátio da Cúria Parlamentar. Voltaire foge de Paris, indo encontrar refúgio no Castelo de Cirey, junto à sua amiga e admiradora, marquesa de Châtelet.” (REALE, 1990, p. 731).
Ao contrário do que alguns pensam Voltaire não era ateu, era deísta. No seu Tratado de Metafísica, escreve: “Deus existe, como a coisa mias verossímil que os homens podem pensar [...]”. (REALE, 1990, p. 734). Em nome do deísmo ele rejeita o ateísmo, de acordo com Reale,
para o deísta, a existência de Deus não é artigo de fé, mas sim, resultado da razão. Escreve Voltaire, ainda no Dicionário Filosófico: “Para mim, é evidente que existe um ser necessário, eterno, supremo, inteligente – e isso não é verdade de fé, mas de razão (a fé consiste em crer, não naquilo que parece verdadeiro, mas naquilo que parece falso para o nosso intelecto [...] há fé em coisas maravilhosas e fé em coisas contraditórias e impossíveis”. (REALE, 1990, p. 735).
No que se refere ao Tratado sobre a tolerância, foi um ataque que Voltaire fez que ainda hoje, provoca discussões. Nessa obra ele fala sobre o caso Calas, este era
um negociante calvinista que fora enforcado e queimado por ordem do Parlamento local. Jean Calas morreu perdoando seus carnífices, havia sido acusado de ter matado seu filho Marc-Antonie com o objetivo de impedi-lo de tornar-se católico. Na realidade, tratou-se apenas de um caso de bárbara e cruel intolerância religiosa: uma multidão enfurecida de católicos fanáticos e juízes também fanáticos condenaram um inocente.
Sob a emoção desses fatos, Voltaire escreveu o Tratado sobre a tolerância. (REALE, 1990, p. 743)

            Voltaire defende a tolerância religiosa, ele afirma no Tratado sobre a Tolerância que “quanto mais seitas houver, menos cada uma delas é perigosa; a multiplicidade as enfraquece; todas são reprimidas por leis justas que proíbem assembléias tumultuosas, as injúrias, as sedições, e que estão sempre em vigor pela força coercitiva.” (VOLTAIRE, 2006, p. 30).  No capitulo VII, ele fala acerca do comportamento dos gregos para com a religião, eram laços que os uniam a todos.

            De acordo com Voltaire, entre os povos antigos politizados, nenhum ofendeu a liberdade de pensar. Os povos tinham cada qual uma religião, mas usavam dela de maneira particular nos seus cultos particulares, embora reconhecessem um deus supremo, mas também associavam a esse deus uma grande quantidade de divindades inferiores. O único que os gregos mandaram matar por causa das suas opiniões foi Sócrates, contudo, foi o que mais se aproximou do conhecimento acerca do criador.

            No capítulo XIV, Voltaire intitula: Se a intolerância foi ensinada por Jesus Cristo, e discorre acerca das várias ações de Jesus Cristo ao longo das narrativas dos evangelhos. Observamos é que as práticas oriundas da igreja institucional estão longe de se espelharem nos ensinamentos e práticas do ícone co Cristianismo. E critica de maneira cortante a atitude daqueles que se utiliza de maneira errônea de passagens bíblicas para justificar as atrocidades e a perseguição intolerante.

            Temos muito a falar acerca do Tratado Sobre a Tolerância, contudo, esse estudo limita-se apenas a lançar mote do tema e pontuar alguns dados biográficos de Voltaire. É importante um maior aprofundamento e mais leituras da sua obra, ele tem muito a nos ensinar, visto que pertenceu a uma época de efervescência do iluminismo francês, tempo de perseguição ferrenha e intolerância perene.

REFERÊNCIAS
REALE, Giovanni. História da Filosofia: do humanismo a Kant. São Paulo: Paulus, 1990. Vol. 2.
VOLTAIRE. Tratado Sobre a Tolerância. Tradução de Antônio Geraldo da Silva. São Paulo, Escala Educacional. 2006.



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