sexta-feira, 14 de julho de 2017

Política, o que eu tenho a ver com isso? - Por Sebastiana I. Lima


Diante dos acontecimentos no cenário político do país, os cristãos chegam a se questionar, o que eu tenho a ver com a política? Eu diria: - Tudo! A política é uma palavra que vem do grego pólis e o seu significado é “cidade”. Portanto, “a política é a arte de governar, de gerir os destinos da cidade. É a atividade por excelência que diz respeito à vida publica”. (ARANHA, 2005, p. 256).

É possível observar que, a maioria dos cristãos prefere ficar à margem da política, enquanto outros pensam que o cristão naturalmente precisa defender uma doutrina política determinada, de maneira cega a ponto de não usar o senso crítico. O fazem no sentido mais rasteiro possível e ingenuamente não percebem estar sendo na grande maioria das vezes, manobrados por interesses perversos. Contudo, política vai além de escolher e simpatizar por um partido político ou doutrina determinada, vejamos o diz Aristóteles:

Assim, o homem é um animal cívico, mais social do que as abelhas e os
outros animais que vivem juntos. A natureza, que nada faz em vão, concedeu
apenas a ele o dom da palavra, que não devemos confundir com os sons da
voz. Estes são apenas a expressão de sensações agradáveis ou desagradáveis, de que os outros animais são, como nós, capazes. A natureza deu-lhes um órgão limitado a este único efeito; nós, porém, temos a mais, senão o conhecimento desenvolvido, pelo menos o sentimento obscuro do bem e do mal, do útil e do nocivo, do justo e do injusto, objetos para a manifestação dos quais nos foi principalmente dado o órgão da fala. Este comércio da palavra é o laço de toda sociedade doméstica e civil. (ARISTÓTELES, 1985, p. 11).

É preciso refletir sobre o assunto (política), estudar o tema, observar as questões que rondam no seu entorno. Não dá para ficar à margem, apenas contemplando com uma venda negra nos olhos. Os cristãos precisam exercer influência, sair da passividade, do analfabetismo político, temos homens e mulheres conhecedores de várias ciências, não é possível ficarmos inerte e vermos a política ser feita por aves de rapina, sedentas por ganância e corruptas de ética e caráter.

Quem deveria entrar na política? Para Platão, era necessário que o governante fosse virtuoso, a justiça é um dos atributos mais defendidos por Platão, o governante deveria ter conhecimentos, sabedoria e ser justo. Bem diferente do que vemos, com pequena exceção, os governantes brasileiros, são geralmente os piores: desprovidos de conhecimento, eleitos através da compra de votos, despreparados intelectualmente, corruptos, descendentes de senhores de escravos, de ex torturadores da Ditadura militar, etc. Nossa paleta de opções para escolha de voto é de dar medo, de causar no mínimo, vergonha.

Os políticos brasileiros são escolhidos de maneira democrática, portanto, são nossos representantes. Como pode um povo justo, sábio, honesto, escolher políticos tão corruptos? Eles representam toda essa nação, que tristeza, somos corruptos e injustos com eles. Se o meu representante é corrupto, eu sou corrupta com ele, porque uma pessoa em sã consciência não recrutaria um funcionário com uma ficha suja, com um currículo vergonhoso para lhe representar.

William Barclay no seu comentário a Romanos 13.1-7 afirma:

[...] há mais que uma relação meramente temporal entre o cristão e o Estado. Pode ser que Paulo tivesse presente as circunstâncias causadas pela combatividade dos judeus, mas também havia outros motivos. Primeiro e fundamentalmente havia este — que ninguém pode dissociar-se inteiramente da sociedade da qual forma parte. Ninguém pode, conscientemente, marginar-se da nação. Como parte da nação, o indivíduo desfruta de uma série de benefícios que não teria isoladamente. Razoavelmente, não pode pretender todos os privilégios e logo rechaçar todos os deveres. Está preso no feixe da vida; assim como é parte do corpo da Igreja, é parte também do corpo da nação. Não há neste conjunto tal coisa como o indivíduo isolado. O homem tem um dever para com o Estado, deve confrontar esse dever, embora um Nero esteja no trono.
(3) Para o Estado, um homem lhe deve a proteção. A idéia platônica do Estado era que este existia por causa da justiça e a segurança; que assegurava ao homem amparo contra as bestas selvagens e contra os homens selvagens. "Os homens", como alguém escreveu, "amontoaram-se atrás de uma parede para salvar-se." Um Estado é, essencialmente, um corpo de homens que se uniram, que convieram manter certas relações entre eles e observar certas leis. Sem o Estado, sem essas leis, e sem o mútuo acordo das observar, imperaria o mau, o egoísta e o forte. O fraco se veria em apuros. A vida seria regida pela lei da selva. Todo homem comum, deve sua segurança ao Estado, e tem, portanto, um dever e uma responsabilidade para com esse Estado. (BARCLAY, p. 184)

Os Cristãos não podem viver alheios aos problemas políticos, podemos orar, mas, precisamos entender que a política dos tempos paulinos não era democrática como hoje, os cristãos não ocupavam cargos, não eram candidatos. Vivemos um tempo diferente, não é possível ficar nessa letargia e ignorância política, também, não iremos pegar em armas para combater os maus políticos, temos ferramentas legais, conhecimento e inteligência para agirmos como aqueles que tendo a mente de Cristo, devem proceder. Não é necessário ser candidato para ser um cidadão (político), nossa influência deve ser perene, porque temos a orientação da Palavra de Deus, mas, isso só é possível se estudarmos o assunto e não apenas nos refugiarmos na filiação divina e querermos influenciar na política sem nenhum conhecimento dessa arte.

Vamos orar, estudar e reagir! Reagir com as ferramentas do conhecimento da Palavra de Deus, da instrução sobre política, respeitando as leis do país que vivemos e sendo cumpridores dos nossos deveres, sem negligenciar a cobrança exigente dos nossos direitos constituídos nas leis do nosso país. Não sejamos meros pacientes na política, sejamos parte, seres politizados, instruídos e atuantes.

REFERÊNCIAS
ARANHA, Maria Lúcia A. e MARTINS, Maria Helena P.Temas de Filosofia. 3.ed.  São Paulo, Moderna, 2005.

BARCLAY, William. Romans. Tradução de Carlos Biagini. Disponível em: <<http://www.iprichmond.com/romanos>>. Acessado em 14 de julho de 2017, 09 h.

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