domingo, 7 de maio de 2017

Homem e Mulher - Diferença entre os papéis no lar


                                                                                    Por Karoline Evangelista

Escrevi um texto com o título: “Homem e Mulher, Iguais ou Complementares?” [1] Cuja conclusão aduziu, segundo a Bíblia, que homens e mulheres são iguais como pessoa e complementares em seus papéis. Mas qual o papel do homem e qual o papel da mulher, para que ambos exerçam a verdadeira masculinidade e feminilidade, respectivamente, dentro do casamento, para a glória do Criador? Escrevo esse texto para tratar desse assunto, mais diretamente.

Temos que partir do temido texto de Paulo aos Efésios, capítulo 5. Mulheres, adentrem sem medo e vejam o quanto esse texto é maravilhoso!

Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus. Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido (Ef.5.21-33). 

Os versículos 22, 23 e 24 são os mais utilizados pelos homens na famosa DR (discussão de relacionamento), eles só usam esses 3 mesmo, porque os outros 9 versículos que se seguem, se também mencionados por eles, poderia virar o jogo, caso o conflito tenha sido motivado por interesses egoístas. Apesar de temido e infelizmente muito mal interpretado, Efésios 5 é um texto lindo e romântico, no melhor sentido da palavra, vejamos: Paulo expõe o exemplo de Jesus, para mostrar que a união entre o homem e a mulher é uma representação da união do noivo Cristo com a sua noiva, a Igreja. Quanta beleza há em um casamento! Afora o glamouroso vestido da noiva, as lindas flores e de tudo que adorna uma celebração de casamento, há a pintura de um quadro eterno, há o retrato de um mistério soberano.

O marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja”, não há saída de emergência nessa área, a palavra “cabeça” de fato significa autoridade. O homem recebeu de Deus o papel de liderança dentro do casamento, para ser exercido conforme o modelo de Cristo. Observemos, portanto, como o Verdadeiro Homem desenvolveu o seu papel. Para tanto, precisaremos comparar o primeiro Adão, o fracassado, com o segundo Adão, Aquele que mostrou o que é ser Homem.

Como descrito no livro de Gênesis, capítulo 3, sabemos que Adão foi incapaz de proteger Eva da serpente, quando ele deveria ter pisado na cabeça da serpente e ainda mais, diante da presença de Deus, sua atitude foi de culpar a mulher, na tentativa de encobrir o seu fracasso e covardia, mas ele deveria ter dado a sua vida por ela. Como sabemos, Adão fez tudo errado. Foi necessário que Deus enviasse um novo Adão, este, pisou na cabeça da serpente e não usou a sua autoridade para condenar sua noiva (a Igreja), mesmo ela sendo culpada, mas para servi-la e entregar o seu próprio corpo para ser crucificado, sofrendo a vergonha da cruz. Eis o que significa ser Homem. Olhem para Ele e aprendam!

Aprendam que homem de verdade é aquele que se sacrifica pelo bem da esposa, que abre mão dos seus interesses em benefício dela, que se doa, que abre mão dos seus próprios direitos e conforto e entrega a sua vida por ela. Cristo fez a sua Igreja amá-lo, Cristo vestiu a Sua Igreja e a fez bela. Cabe aos homens a seguinte reflexão: A sua esposa não te ama? Ela não parece mais tão bela? O que você fez com ela? A autoridade que lhe foi atribuída é para tornar a mulher gloriosa, reconhecendo a sua igualdade com ela, como pessoa, e investindo no bem dela, o que é contrário a usá-la como instrumento para a realização dos seus interesses egoístas. ”Liderança envolve a responsabilidade de agir para o benefício de um outro, não o direito de mandar os outros a lhe servir” [2].

Jonh Piper, tratando deste assunto, define da seguinte maneira: “Liderança é o chamado divino para um marido assumir a responsabilidade primária por direcionamento servil como o de Cristo, proteção e provisão no lar” [3]. Como a igreja deve olhar só a Cristo para seu sustento material e cuidado espiritual, a esposa e a família devem olhar à cabeça do lar para o sustento material, e o cuidado moral e espiritual” [2]. O homem tem o dever de governar o seu lar, o principal responsável pela provisão do sustento da família, também o líder espiritual, e é importante que este lute contra a avareza, contra a ansiedade que o seu papel pode gerar, caso a sua confiança em Deus fraqueje, pois, por amor ao dinheiro ou devido a preocupações com o amanhã, ele pode ser arrastado a trabalhar em excesso, enquanto a sua família padece com a escassez do cuidado espiritual e emocional. A Palavra do Senhor trata os tais da seguinte maneira: Se alguém não cuida dos seus e especialmente dos de sua família, tem negado a fé e é pior que um incrédulo (1 Tm 5.8). 

E quanto à mulher trabalhar fora de casa? Não há proibição! Podemos, nós mulheres, exercer uma profissão, desde que tenhamos a consciência de que o nosso lar não deve ser desprezado, desde que o nosso plano para a maternidade não seja adiado pelo motivo de ser menosprezado por nós, ou quando a mulher já se tornou mãe, não abandone a criação do seu filho, em nome de um status social, o qual biblicamente não a dignifica como mulher.

O Salmo 128 descreve a felicidade no lar, e nele, a mulher é retratada como a videira frutífera no interior de sua casa:

Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera, no interior da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira, ao redor da tua mesa (Sl.128.1-3, ênfase da autora). 

Deixando assim claro que a prioridade da mulher deve ser o seu lar. O que não a isenta de ser benção para outras pessoas. Em Provérbios 31 temos o modelo da mulher virtuosa, ficando evidente, no texto, a valorização do trabalho de administração, mão de obra, comércio, mas tudo pelo “bom andamento da sua casa” e nunca em detrimento dele:

Ela busca lã e linho, E de bom grado trabalha com as suas mãos. É como os navios do negociante; De longe traz o seu pão. Também se levanta, quando ainda está escuro, E dá mantimento à sua casa, E às suas escravas a tarefa. Considera um campo, e compra-o; Com o fruto das suas mãos planta uma vinha. Cinge os seus lombos de fortaleza, E corrobora os seus braços. Percebe que a sua negociação é proveitosa; A sua lâmpada não se apaga de noite. Estende as suas mãos ao fuso, E com a mão pega na roca. Abre a sua mão para o pobre, Estende ao necessitado as suas mãos. Não tem medo da neve pela sua família, Pois todos os da sua casa estão vestidos de escarlate. Faz para si cobertas, Veste-se de linho finíssimo e de púrpura. Conhece-se seu marido nas portas, Quando se assenta entre os anciãos da terra. Faz vestidos de linho e vende-os; E entrega cintas ao negociante. A força e a dignidade são os seus vestidos, E ri-se do tempo vindouro. Abre a sua boca com sabedoria, E a instrução amável está na sua língua. Atende ao bom andamento da sua casa, E não come o pão da preguiça. Seus filhos levantam-se e chamam-na bem-aventurada; Também seu marido a louva, dizendo: Muitas filhas têm procedido virtuosamente, Mas tu a todas sobrepujas. A graça é enganadora, e a formosura é vã; Mas a mulher que teme a Jeová, essa será louvada. Dai-lhe do fruto das suas mãos; E nas portas louvem-na as suas obras (Pv. 31.13-31, ênfase da autora).
    
Na epístola do apóstolo Paulo a Tito, lemos:
                                     
As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam reverentes no seu viver, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do bem, para que ensinem as mulheres novas a amarem aos seus maridos e filhos, a serem moderadas, castas, operosas donas de casa, bondosas, submissas a seus maridos, para que a palavra de Deus não seja blasfemada (Tt 2.3-5, ênfase da autora).

Se a mulher gosta de trabalhar fora, almeja crescer profissionalmente, que ela receba apoio, até o momento em que sua vida profissional não interfira negativamente no cuidado do seu lar.

A sociedade avessa à Palavra de Deus se prende em busca de liberdade, lançando longe a chave para a felicidade no casamento. Cifrões nos olhos são vendas que nos impedem de enxergar que investimentos eternos (obedecer a Deus, criar os filhos no Caminho do Senhor...) ninguém nos rouba, enquanto os tesouros da terra podem facilmente ser perdidos (cf. Mt 6.18-21; 2 Co 4.18).  Se homens e mulheres cumprissem os seus papéis, como ordenados pelo Criador, a esposa abriria mão de sua autonomia para respeitar e honrar o seu esposo, que por sua vez, abriria mão de seu narcisismo a ponto de entregar a vida pela sua esposa.

As feministas que lutam para tomar o papel do homem, não odeiam a masculinidade, elas odeiam a feminilidade, elas odeiam o papel da mulher que a Bíblia oferece, por acreditarem que, o mesmo, não confira valor social ao sexo feminino, no entanto “o lar tem suma importância na vida humana pois é o berço de costumes, hábitos, caráter, crenças e morais de cada ser humano, seja no contexto mundial, nacional, municipal ou familiar. Então, podemos dizer, como vai o lar vai o mundo, e também, o que é bom para a família é bom para o mundo” [2]. Ao mesmo tempo que devemos, como cristãos, ser contra o feminismo, enfatizo que o combate ao machismo, à violência contra as mulheres, ao padrão “photoshopiado” de beleza, à “coisificação” do corpo da mulher, é uma luta louvável! Desconheço base bíblica fiel para justificar a passividade dos cristãos diante da injustiça à seres humanos.

A Bíblia, ao contrário do que muitas feministas afirmam, não é um livro machista e não é um livro antiquado para nenhuma época, é a Palavra de Deus. E em uma época, onde a mulher era, culturalmente, considerada propriedade do marido, a Bíblia revoluciona ao dizer que “o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher” (1 Co 7.4), sendo a recíproca verdadeira, tratando sobre às relações sexuais no casamento. E em uma época ainda mais remota, o Antigo Testamento revela a mesma verdade, de forma poética, no livro de Cântico: “O meu amado é meu, e eu sou dele” (cf. Ct 2.6, 6.3).

Jesus rompeu com a tradição da época e ensinou às mulheres: “E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra” (Lucas 10.39). Mulheres ajudaram financeiramente o ministério de Jesus: “E Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens” (Lucas 8.3); Jesus protegeu a mulher adúltera do apedrejamento quando a igualou aos outros pecadores: “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela” (João 8.7). Foram mulheres, as primeiras testemunhas e proclamadoras de sua ressurreição:
     E, saindo elas pressurosamente do sepulcro, com temor e grande alegria, correram a anunciá-lo aos seus discípulos. E, indo elas a dar as novas aos seus discípulos, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram. Então Jesus disse-lhes: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão à Galileia, e lá me verão (Mt 28.8-10).

            E se alguém entende que a submissão feminina torna a mulher inferior ao homem, este, além de tolo, é herege, pois esse é o modelo encontrado na Trindade, onde Jesus se submete ao Pai; por acaso Cristo é inferior ao Pai? Jesus é Deus, um com o Pai. De sorte que no relato da criação está explícita a igualdade entre o homem e a mulher, como pessoas, ambos criados a imagem de Deus: E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gn 1.27). Portanto um não pode ser superior ao outro, mas ambos devem cumprir os seus diferentes papéis em prol do bom relacionamento, conforme os parâmetros do Criador, para a glória de Cristo.

Kathy Keller, em um livro que escreveu com o seu esposo, Timothy Keller, diz que homens e mulheres desempenham o papel de Jesus no casamento, o homem deve desempenhar o papel de Jesus em sua autoridade sacrificial, e a mulher reflete o papel de Jesus em sua submissão sacrificial [4]. Jesus em sua submissão ao Pai é modelo para a submissão feminina ao esposo, e em seu sacrifício à Igreja, é o exemplo para a liderança do marido. O mundo diz aos homens que para serem grandes, devem ser servidos pelas mulheres, o mundo diz às mulheres que para serem grandes devem exercer autoridade sobre os homens, Cristo diz: 

Não é assim entre vós. Mas quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será esse o vosso servo. É assim que o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos (Mt 20.26-28). 

            Kathy Keller também faz o pertinente comentário:

A esposa não deve obedecer ao marido incondicionalmente. Nenhum ser humano deve oferecer obediência incondicional a qualquer outro ser humano. Como Pedro diz: “É mais importante, obedecer a Deus que aos homens” (At 5.29). Em outras palavras, a esposa não deve obedecer ao marido ou ajudá-lo fazendo aquilo que Deus proíbe, como vender drogas, ou permitir que ele abuse dela. Se, por exemplo, ele a agredir fisicamente, como “ajudadora forte” essa esposa deve exercer amor e perdoar o marido de coração, mas também deve tomar as providências para que ele seja preso. Nunca é ato de bondade ou amor facilitar a prática do mal por parte do cônjuge [4].

O mal da opressão contra as mulheres e o que as levantam como inimigas dos homens só pode ser sanado quando reconhecida a sua causa e injetada a correta medicação. A Bíblia diagnostica, o nome da doença é pecado e a cura é satisfação em Deus. Quando satisfeitos em Deus, procuraremos viver para a sua glória. Se Ele assim definiu a masculinidade e a feminilidade, e no cumprimento dos papéis que Ele designou, o Seu nome será glorificado, cumpramos os nossos papéis e teremos o homem e a mulher reconciliados, somente porque são primeiramente satisfeitos em Deus.

 NOTAS

[1] EVANGELISTA, Karoline. Homem e Mulher, Iguais ou Complementares? Disponível em: http://www.cosmovisaocrista.com/2016/07/homem-e-mulher-iguais-ou complementares.html

[2] GARDNER, Calvin. O que a Bíblia diz sobre o homem do lar. Disponível em: http://solascriptura-tt.org/VidaDosCrentes/ComFamilia/QDizBibliaSobreHomemLar-CGardner.htm

[3] PIPER, John. O sentido último da verdadeira feminilidade. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Vn1ERzRn7ds

[4] KELLER, Timothy; KELLER, Kathy. O significado do casamento. Vida Nova, 2012.
  

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