sábado, 23 de julho de 2016

Homem e Mulher, Iguais ou Complementares?

                                                                                                                          Por Karoline Evangelista


  Nos dias da criação, Deus observou a sua obra e viu que tudo era bom. Ao criar o homem e observá-lo sozinho, “Disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele” (Gn 2.18), “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gn 1.27). O primeiro homem, Adão, desfrutava da presença de Deus (ser superior) e contava com a companhia de animais (seres inferiores), porém,  Deus reconheceu que o homem precisava de alguém para relacionar-se de igual para igual.

Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; E da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne (Gn 2.21-24).

Esses relatos esclarecem o fato de que o homem e a mulher foram criados igualmente à imagem de Deus (cf. Gn 1.27). Ambos possuem o mesmo valor diante do Criador. Não há diferenças entre os sexos no que concerne a pessoalidade e importância. Como afirma o apóstolo Paulo: “nem o homem é sem a mulher, nem a mulher sem o homem, no Senhor. Porque, como a mulher provém do homem, assim também o homem provém da mulher, mas tudo vem de Deus (1 Co 11.11-12). Os dois são dignos do mesmo respeito.
A profecia de Joel cumprida no Pentecostes (cf. Atos 2.17-18) alcança homens e mulheres, sem distinção. Na união com Cristo não há discriminação, como disse Paulo aos gálatas: "Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo"(Gl 3.28).
Deus ama homens e mulheres de forma igualitária. Nesse contexto, podemos inferir que homens e mulheres são iguais em sua humanidade. Porém há diferenças entre eles que os tornam complementares. As diferenças dizem respeito aos seus papéis. Deus delegou diferentes funções a eles dentro do casamento. Eis o texto de Paulo aos efésios que traz esse precioso ensino:

Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido (Ef 5.22-33).

  A diferença de papéis é claramente explicada usando como analogia a relação entre a Trindade e a liderança masculina no casamento. Sabemos que entre os membros da Trindade sempre houve igualdade de importância, pessoalidade e divindade por toda a eternidade. Mas sempre houve também diferenças de papéis entre os membros da Trindade. O teólogo Wayne Grudem explica: “Assim como Deus Pai tem autoridade sobre o Filho, embora os dois sejam iguais em divindade, também no casamento o marido tem autoridade sobre a mulher, embora sejam iguais em pessoalidade”.¹
São iguais em essência e importância, porém possuem papéis diferentes; na Teologia é chamado de Economia da Trindade, referindo-se à organização entre as diferentes pessoas da Trindade que são um só Deus. No casamento também deve haver organização de funções para que nenhum seja sobrecarregado e venha a sofrer em decorrência da desobediência a essa organização sabiamente estabelecida pelo Criador. O pastor Augustus Nicodemus escreveu algo que certamente retrata a verdade e resolve a questão: “Quando marido e mulher assumem essas duas posturas, o fardo desses deveres torna-se leve, pois é fácil amar quem se submete e é fácil se submeter a quem nos ama”.²
Homens e mulheres são iguais como pessoa e complementares em seus papéis. Os homens que usam argumentos bíblicos, de forma errônea, para tratar as mulheres de forma inferior, cometem pecado, assim como as mulheres que lutam por uma posição de autoridade sobre os homens, com a finalidade de satisfazerem o ego. Ambas as atitudes refletem uma preocupação ímpia motivada por orgulho insano e maligno. Precisamos uns dos outros e isso é maravilhoso.

Notas:

GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 378.¹
NICODEMUS, Augustus. A supremacia e a suficiência de Cristo. São Paulo: Vida Nova, 2013.²


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Um comentário:

  1. Parabéns Karoline! Texto enxuto, de fácil compreensão e o mais importante bíblico.

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