sábado, 25 de junho de 2016

Uma análise sobre o Movimento Celular

Por Rogério de Sá

Existem divergências acerca de quem foi o fundador do método de Igrejas em células. Alguns dizem que foi o pastor Colombiano César Catellanos, o criador do movimento G12, outros que foi Juan Carlos Ortiz da Argentina, e existem aqueles que atribuem ao coreano Paul Yonggi Cho, o pastor da maior igreja do mundo. Independente de quem o tenha criado, é fato que muitas igrejas nos nossos dias têm adotado esse modelo sob a justificativa de que é um método de crescimento e de maior propagação do evangelho. Iremos analisar a luz das Escrituras se o fundamento para o modelo celular é bíblico ou se é um método humanista secularizado.
Em primeiro lugar vamos analisar a base bíblica utilizada pelos defensores do movimento celular. Freqüentemente Atos 2.46 é usado como fundamento para esse movimento.

Diariamente, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração,
Também Atos 5.45:

E, todos os dias no templo, bem como de casa em casa, não deixavam de pregar e ensinar que Jesus Cristo é o Messias.

Paulo e os apóstolos se reuniam de casa em casa como visto nestes versículos, porém o método apostólico que fez a igreja se multiplicar no primeiro século foi unicamente a pregação do Evangelho no templo, nas sinagogas para grandes multidões e em grandes concentrações e não em reuniões em lares. Foi em frente ao Pórtico de Salomão após curar um aleijado que Pedro discursou para uma multidão que ouvia atentamente a cerca de Cristo. Atos 5:12 diz que era nesse mesmo pórtico que o povo se reunia para ouvir os apóstolos e onde sinais e maravilhas eram realizados entre eles. Quando os apóstolos foram presos a mando do sumo sacerdote, a instrução do anjo que os libertou no cárcere foi: “Ide, apresentai-vos no templo e anunciai às multidões todas as palavras da Salvação!” Quando Saulo de Tarso se dirigiu ao sumo sacerdote com a intenção de prender os cristãos, pediu que ele enviasse cartas para as sinagogas de Damasco avisando que se houvessem seguidores do Caminho, ele, Saulo, estaria autorizado a levá-los presos para Jerusalém. Mais tarde, já convertido, agora Paulo iniciava o seu ministério anunciando a Jesus nas sinagogas, Atos 9.20. Em Atos 11:26, é na Igreja de Antioquia que Paulo e Barnabé se reuniam ensinando a muita gente. Foi naquela igreja que o Espírito Santo os enviou na sua primeira viagem missionária e onde na sua primeira parada em Salamina eles proclamaram a Palavra de Deus nas sinagogas judaicas. Em Antioquia da Psidia foi na sinagoga que eles anunciaram o Evangelho diante de todos que ali se encontravam. Muitos dos judeus devotos e convertidos ao judaísmo passaram a seguir a Paulo e a Barnabé sendo por eles evangelizados. No sábado seguinte nessa mesma sinagoga o texto de Atos 13.44 nos diz que quase toda a população da cidade se reuniu para ouvir a Palavra de Deus. Em Icônio, Paulo e Barnabé pregaram na sinagoga conforme costumavam fazer e uma numerosa multidão de judeus e gentios vieram a crer. O mesmo se deu em Tessalônica. As Escrituras dizem que era hábito dos apóstolos anunciar o Evangelho nas sinagogas. Atos 18:4 novamente nos mostra Paulo na sinagoga anunciando a Cristo na cidade de Corinto, fazendo isso todos os sábados em que esteve ali. Atos 18:19,26; 19.28; 19:9;
Podemos ver que o método apostólico de pregação do Evangelho era entre as multidões e grandes concentrações nos templos e nas sinagogas, logo o argumento de que o modelo celular é com base no modelo apostólico na igreja primitiva não se sustenta.
O método celular prega que o local as circunstâncias e acima de tudo a persuasão humana são os elementos centrais. Assim como o corpo a corpo e a criação de laços sociais são necessários para que seja pregado o Evangelho. As reuniões sempre iniciadas por “quebra-gelos”, compartilhar de vivências, regadas a guloseimas onde a ordem é tratar em primeira mão de assuntos não religiosos para ganharem a confiança das pessoas.
“... Eles precisam montar um grupo de amizade ou de interesse para reunirem-se semanalmente com esses incrédulos, para tratarem de assuntos não religiosos. Enquanto isso, devem observar o grau de interesse desses incrédulos por coisas espirituais”. (Ralph Neighbour-Manual do Líder de Célula, p.39,41). 
O método apostólico continha a pregação e nada mais.
“No Novo Testamento nunca se ouve falar do método ‘quebra-gelo’ antes da pregação de Pedro, nem do método de se tomar refrescos depois da pregação de Paulo, nem tampouco se ouve falar no livro de Atos que os apóstolos fizeram reuniões em lares que consistiam de uma mistura de lazer somado a uma caricatura de culto com participação de pagãos”. (Rev. Moisés C. Bezerril)
Um segundo ponto que gostaria de chamar a atenção é que a visão da igreja em células segundo os seus fundadores seria uma nova visão dada por Deus.  Castellanos havia recebido uma visão de Deus para criar o sistema das células baseado nos 12 discípulos de Cristo e que assim o número de convertidos que ele iria pastorear era maior que as estrelas do céu e os grãos de areia do mar. Joel Comiskey, um dos adeptos desse movimento, disse que Deus começou a falar com ele, dizendo-lhe que ele tinha de começar um ministério em células.  Falando sobre esses novos movimentos e novas visões, Paul Washer diz que: “a maioria desses movimentos sempre tem como base uma nova revelação de Deus, rejeitam o velho, dizem que aquilo que é velho não é bíblico”. Como assim? O que seria mais bíblico do que o fundamento dos apóstolos que lançaram as bases da Igreja da qual Cristo é a pedra angular?!
Existe muito a se falar sobre esse vasto assunto, porém algumas conclusões que podemos tirar é que existem grandes falhas na eclesiologia desse movimento, carecendo de fundamento bíblico para se sustentar. Existe muito misticismo envolvido na criação dessa “nova visão”. Apresenta-se como um modelo pragmático e secularizado que atribui o sucesso ou o fracasso das células a persuasão e habilidades humanas. Eles afirmam que a igreja em células é um retorno a comunidade cristã de base, descrita no Novo Testamento. Porém não há como provar que a Igreja neotestamentária era uma célula, na verdade não há no NT nenhuma estrutura parecida com o movimento celular. 
Que nós continuemos firmes aos nossos fundamentos alicerçados na Rocha que é Cristo rejeitando a todas as novidades e invencionices humanas. Sendo assim membros de um só corpo do qual Cristo é a cabeça agora e para sempre. Amém.

Referências:

§  Manual do Lider de Celula, de Ralph W Neighbour Jr.
§  Crescimento Explosivo Da Igreja Em Células, de Joel Comiskey
§  Treinamento Evangelístico com Paul Washer (Tema 1) "Arrependimento"
https://www.youtube.com/watch?v=JJsKTft5ELY
§  Igreja em Células: Uma Ameaça à Eclesiologia Reformada e ao Pastorado Apostólico, por Rev. Moisés C. Bezerril.

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