domingo, 15 de maio de 2016

A loucura da graça




Por Karoline Evangelista

Quando desejamos algo, buscamos. E para possuirmos, pagamos.
Ao fazermos um “favor” para alguém, ouvimos a declaração: “Obrigado”.
Obrigado este alguém ficou a devolver-nos o “favor”, mesmo que digamos: “de nada”.
Se amarmos, queremos ser amados.
Se fizermos o bem, esperamos ser recompensados.
Se recebermos ingratidão e desamor, guardaremos rancor.
É o natural. Tudo isso parece moral.
É recorrente ouvir: “Ame a si mesmo antes de amar ao próximo”.
Tudo isso faz da palavra graça nada além de uma utopia.
Afinal a avó já dizia: “Preste atenção, meu filho, nada na vida é de graça”.
Quando então nos surpreendemos com o texto sagrado:
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef. 2.8). 
Não oferecemos festa e nem possuímos nenhuma condição de recompensar o Criador, mas este Deus Todo Poderoso nos presenteou com o seu amor quando ainda éramos pecadores (cf. Rm 5.8). A loucura da graça! É o que o apóstolo Paulo afirma: “Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18). Como harmonizar o mundo natural com uma graça sobrenatural? Paulo escrevendo aos coríntios esclarece:

“Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. (...) Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co 2.12,14). 

Somente através da obra do Espírito Santo um peregrino nesta terra estranhamente normal, onde se paga para nascer, viver e morrer; conseguirá aceitar que a Salvação é pela graça e que não há absolutamente nada que se possa fazer para merecer. Simplesmente não merecemos, mas recebemos. E com a salvação, uma vida de contínua transformação, uma vida de fato viva, em um aspecto eternamente superior e pleno. Somente os que receberam essa nova vida podem declarar como o apóstolo Paulo: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim (Gl 2.20).  Você não merece; seus méritos não alcançam; você não pode; você não tem, mas você precisa; você depende do favor de outrem. Você quer? Você crê? “Quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida” (Ap 22.17). 


___________________________________________________________________

As postagens são de inteira responsabilidade dos autores e as opiniões nelas expressas não refletem, necessariamente, a opinião dos outros colunistas bem como do Corpo Editorial do Blog

0 comentários:

Postar um comentário