domingo, 21 de fevereiro de 2016

Psicologia na Igreja

Por: Karoline Evangelista 
Revisão: Caio Ferreira

            Tem sido natural adentrar alguns locais de reunião da igreja e ficar confuso quanto a estar em um culto a Deus ou em uma palestra motivacional. Tudo parece ter sido minunciosamente preparado para “nos fazer bem”. Da porta de entrada a última parede, as luzes, as cores, a ornamentação e, se brincar, até os adereços que as meninas usam na dança foram estudados em suas formas e significados, objetivando causar algum impacto emocional aos que se fazem presentes. Com mais minúcia ainda é feita a seleção das músicas e a escolha do sermão; tudo tem que convergir para produzir “emoções positivas” nas pessoas.
Qual a necessidade de todas essas estratégias? Para encontramos resposta a essa pergunta, verifiquemos a fundamentação das letras das músicas escolhidas e do assunto do sermão; então, sem muito esforço, perceberemos que toda essa engenhosa estrutura foi desenhada para que o homem seja a pedra angular; depois é pincelada uma rala camada de cristianismo, usando versículos bíblicos por desencargo de consciência, porém com uma exegese infiel, influenciada pelo egoísmo, contaminada pela negligência ao estudo teológico e descrença na suficiência das Escrituras. Portanto a resposta se faz clara: Precisa de tudo isso porque falta aquilo que é suficiente: a Palavra de Deus.
            Essa descrença na suficiência das Escrituras tem levado muitos líderes a aderirem a essa moda de “psicologia cristã” (termo que deve ser repensado). Precisa a Bíblia de um complemento? Será que estamos tratando a Palavra de Deus como um alimento de nutrientes incompletos que precisa ser acrescido de suplementos para nos suprir? Entra a psicologia quando a Bíblia não é suficiente ou entra a Bíblia quando a psicologia não é suficiente? Pode a Bíblia ser insuficiente e pode a psicologia ser suficiente?
            É amplamente aceita a ideia de que pessoas cheias do Espírito Santo, plenas da Palavra de Cristo, são inaptas para aconselhar pessoas emocionalmente fragilizadas, pois é necessário ajuda profissional. Somente aqueles que possuem cursos na área de saúde mental recebem confiança para atuar no aconselhamento. Quem propõe soluções tais como: “Olhe para Deus, arrependa-se dos seus pecados, dedique-se ao estudo profundo das Escrituras e persevere na oração” é taxado de insensível e despreparado. O que se espera de um conselheiro eficaz é que ele diga: “Olhe para dentro de você; Perdoe-se; Você é bom! Eleve a sua autoestima; Pense positivo; A solução está no seu interior...” Doutrinas bíblicas, como depravação do homem e santificação são omitidas. O apologista John MacARTHUR sabiamente escreveu:

A verdadeira psicologia (“o estudo da alma”) pode ser praticada somente por cristãos, pois só estes têm os recursos para a compreensão e a transformação da alma. Visto que a psicologia secular se baseia em pressupostos ateístas e em fundamentos evolucionistas, ela está apta para lidar com pessoas num nível apenas superficial e temporal¹.

            Para a psicologia, elevar o ego é a solução; e este é um claro confronto com as Escrituras que tratam o ego humano como a causa dos nossos maiores problemas. Como lemos no livro de Provérbios: “A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda” (Pv 16:18). O puritano Thomas Manton afirmou que “O ego do homem é um feixe de ídolos”². Enquanto os psicólogos aconselham a sermos amantes de nós mesmos, o apóstolo Paulo inspirado por Deus aconselhou:

Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te (2 Tm 3:1-15).

Nosso Senhor Jesus Cristo “veio para servir, e não para ser servido” (cf. Mateus 20:28). Ele não procurou sua própria satisfação (cf. Romanos 15:3), e nos ordenou:

Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes (Mc 12.30-31).

Por acaso a sabedoria dos conselheiros humanos pode sobrepujar os conselhos Daquele cujo “nome é Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz?” (Isaias 9.6). Claro que não! Somente em Deus encontramos o sentido da vida e todos os recursos que precisamos para viver bem.

A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e ilumina os olhos (Sl 19:7-8).

Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido (Josué 1:8).

            A felicidade que encontramos em Deus, quando prosseguimos em conhecer a sua Palavra e vivemos em santidade, não é abalada com a presença de tribulações. Conhecendo o amor de Cristo seremos cheios de toda a plenitude de Deus (cf. Efésios 3.19) E mesmo em meio às necessidades poderemos declarar: “Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação” (Hc 3.18).
            Por mais fortes que sejam os ventos da “psicologia na igreja” podemos encontrar firmeza na suficiente Palavra de Deus, na qual temos todos os recursos disponíveis para atender as nossas mais intrínsecas necessidades, pois somente ela é capaz de penetrar as profundezas da nossa alma e discernir os nossos pensamentos e intenções do coração (cf. Hebreus 4.12). Nem nós mesmos estamos habilitados para conhecer o nosso coração, que diremos de outra pessoa, cujo coração também é enganoso, tentando conhecer o nosso coração?
Merecedor de confiança é o Consolador (cf. João 14.26). Ele é poderoso para transformar o homem completamente, concedendo uma nova vida, ensinando a verdade, conduzindo ao arrependimento dos seus pecados e a santificação, que nos fará cada dia mais semelhantes a Cristo e consequentemente mais sábios, mais felizes, mais satisfeitos e bem resolvidos. Concluo com o que disse Paulo, o apóstolo:

Ora o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo. Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros (Rm 15:14-14).

Notas





¹MacArthur, John. F. Nossa suficiência em Cristo. São José dos Campos: Editora Fiel, 1997, p. 51-52. 

²Website: http://www.monergismo.com/textos/cruz/cruz_ego_pink

2 comentários:

  1. PROTESTO CONTRA A PSICOLOGIA, AUTO AJUDA, HUMANISMO E MENSAGENS MOTIVACIONAIS PREGADOS NOS PÚLPITOS MODERNOS: "A igreja cristã nunca precisou de conceitos provenientes do ocultismo, espiritismo e xamanismo para dar ajuda aos seus membros integrantes. A mensagem clara do evangelho deve ser a única rota que a verdadeira igreja deve tomar, pregar a cruz de Cristo, que foi a base da redenção do homem caído, pregar a obra expiatória de Cristo no Calvário como a radical resposta de Deus ao pecado do homem, o sangue de Cristo que nos livra da condenação do pecado, a ressurreição de Cristo como a consumação definitiva e absoluta da obra redentora e seu retorno triunfante deve ser o centro da mensagem da igreja de Cristo." (Clavio J. Jacinto)

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    1. Obrigado pelo comentário. A grande verdade é que não existe remédio para o homem que não o Evangelho. Ele pode usar algum paliativo, mas remédio que realmente que cure, somente o Evangelho.

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