sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O Verdadeiro Evangelho


por Karoline Evangelista

Meus olhos pranteiam ao observar aqueles que se intitulam evangélicos modificando o verdadeiro Evangelho; Não sei se por ignorância ou malícia, mas que se saiba que o Evangelho não é maleável, também não é mercadoria, mas é firme como a Rocha e vivo além do que se entende por vida. O Evangelho não é pequeno, a ponto de satisfazer todos os caprichos de nossa efêmera vida terrena; O Evangelho é do tamanho da Eternidade. Não cabe em nossa ambição carnal, Ele quebra o nosso orgulho, derruba-nos por completo, erguendo-nos na cruz. É escandaloso (cf. 1 Co. 1.23), é louco, mas para os salvos é poderoso (cf. 1 Co. 1.23) e irresistível! É aquele Evangelho que os apóstolos pregaram em tempos de perseguição e, até hoje, fieis mordomos se entregam como mártir; porque o Evangelho é o folego de vida que vale a pena respirar.                                                    
Minhas mãos querem derrubar a bandeja que usam para me servir o evangelho. Elas anseiam rasgar todos os convites para solucionar os meus problemas em sete dias, perdoar os meus pecados em quarenta dias e trazer-me prosperidade financeira em três dias, desde que eu invista uma determinada quantia baseada em versículos bíblicos descontextualizados e estrategicamente aplicados para me distanciar da verdadeira e pura doutrina da Salvação, trocando-a por “trinta moedas de prata” (cf. Mt. 26.15). Minhas mãos querem derrubar as mesas dos mercenários na Igreja e unir-se às mãos dos meus irmãos que entendem que nada merecemos e que o Evangelho não se trata do que temos ou não em mãos, mas das mãos que foram cravadas para a nossa Redenção. O verdadeiro Evangelho ergue as minhas mãos vazias em adoração a Cristo.
Meu coração salta dentro de mim, clamando para não sentir a frieza de um evangelho industrializado, açucarado, envenenado com corantes de todas as cores e embalado para chamar a atenção de quem quer doce. Crianças gostam de doce! Não confundamos o conselho do apóstolo Paulo: “Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento” (cf. 1 Co. 14.20). O verdadeiro Evangelho não se amolda a cultura, ele não se dobra, nem é modificado, mas ele transforma e fará os reis dobrarem seus joelhos. Para torna-lo atraente a pecadores é necessário distorce-lo; e há quem o faça, porque há quem aceite, e estes são os que querem o evangelho barato, como uma bijuteria a pôr sobre suas vestes de justiça que não passam de trapo da imundícia (cf. Is. 64.6). Mas o verdadeiro evangelho não está disponível como bijuteria. Ele é a joia de grande valor (cf. Mt. 13.46).
          Somente um novo coração (cf. Ez. 36.26) formado pelo Espírito Santo estará aberto a receber o Evangelho assim como Ele é. Antes da Regeneração, o verdadeiro Evangelho não é atrativo, ele incomoda, mas é por meio do seu anúncio que o Espírito Santo chama os seus e opera neles o novo nascimento. A partir daí o Evangelho passa a queimar no novo coração produzindo uma santa paixão que impulsiona o regenerado a vivê-lo, proclama-lo e buscar conhece-lo; busca essa que perdurará por toda eternidade (cf. Jo. 17:3).
Não é possível ao homem colocar em si mesmo um novo coração, dependemos totalmente do Espírito Santo para tal operação, consequentemente é impossível para o homem entender o evangelho por sua própria capacidade “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente (1 Co 2.14). 
          O verdadeiro evangelho revela o amor e a justiça de um Deus Santo, que por sua graça resolveu livrar alguns pecadores de sofrerem a condenação eterna pelos seus próprios pecados e reconcilia-los consigo através de Cristo. “Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8) Ninguém é merecedor do amor de Deus “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Deus não deve graça a ninguém, ela é doada a quem Ele determinou antes da fundação do mundo (cf. Ef 1.4-5); E sobre outros ele aplicará a sua justa ira. “Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma” (Rm 9:14).

“Não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?” (Romanos 9:21-24) 


Um comentário:

  1. Muito bom, Karol. Louvado seja o Senhor!
    Que o Pai continue te usando e abençoando outras vidas através dos seus dons e talentos. Continue assim.
    Forte abraço e que o Senhor te abençoe.

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