domingo, 28 de abril de 2013

Os sofrimentos da vida e a beleza da eternidade



por Rafael de Lima

            Penso que não existem episódios mais hostis e perturbadores ao ser humano do que aqueles que acarretam sofrimento. A síntese do grande intento que move a humanidade não é outra se não o ser feliz. A célebre expressão presente na Declaração de Independência dos Estados Unidos da América já afirmava: "[...] todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade"[1].

            Diariamente o ser humano desenvolve fórmulas que visem proporcionar a alegria tão ambicionada. Na nossa sociedade capitalista e pós-moderna esta felicidade tem estado associada, principalmente, à capacidade de consumo, isto é, ao “ter”. A geração em que vivemos deduz que o possuir produtos de última geração, bens caros, realizar viagens, viver pomposamente, etc., tem relação direta com o ser feliz.

            Fitando os olhos na igreja cristã percebemos que esta, em parte, tem abraçado esta concepção capitalista que correlaciona o “ter” com o “ser” feliz. Tal ideia tem criado uma geração de cristãos frustrados, visto que, ao passo que sua felicidade está interligada às benesses deste mundo, todo e qualquer sofrimento ou provação que os acometa, resultará em um viver melancólico e sombrio.
    
            A grande verdade é que muitos dos cristãos da atualidade têm abandonado, ainda que não em teoria, a ideia de eternidade. O evangelho se tornou uma porta para o sucesso, riqueza, bem estar, saúde, etc., realizações imediatas. Caímos na contradição que já afirmara Richard Cecil: “Tratamos as coisas presentes e sensíveis como realidades, e as futuras e eternas como fábulas, quando deveríamos fazer o inverso” [2]. Temos nos tornado cristãos miseráveis e com uma vida medíocre e vazia, pois temos vivido exatamente como condenara o apóstolo Paulo: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (I Co 15:19 – ACF)[3].

            A realidade da vida do cristão não é esta apresentada pela lastimável Teologia da Prosperidade, mas aquela afirmada por Nosso Senhor: “Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo" (Jo 16:33b – NVI)[4]. De fato, os ensinamentos das Santas Letras sempre nos remetem, principalmente, a uma felicidade futura, ainda que seja certo que, também neste mundo, estando debaixo da soberana vontade de Deus seremos bem aventurados, independentemente das situações adversas pelas quais estejamos passando.

            O apóstolo dos gentios tinha plena confiança de que os infortúnios desta vida jamais se comparariam com o que se daria na eternidade: “Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada” (Rm 8:18 – NVI), e não apenas isto, mas tal labor terreno, incomparável ao que está por vir,  refletirá no viver eterno: “Pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles” (2Co 4:17 – NVI).

            Por fim, irmãos, lembremo-nos de onde viemos e para onde estamos indo, tenhamos em mente de que nesta terra somos forasteiros, pois “a nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor Jesus Cristo”. (Fl 3:20 – NVI). Foquemos naquilo que realmente é valioso e que não se gasta com o tempo “[fixando] os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2 Co 4:18 - NVI). É certo que, agindo assim, seremos plenamente felizes nesta vida e na vindoura.


Notas


[1] A DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA. Disponível em: <http://www.uel.br/pessoal/jneto/gradua/historia/recdida/declaraindepeEUAHISJNeto.pdf>. Acesso em: 27 abril. 2013.

[2] BLANCHARD, John. E-book . Pérolas para a Vida . São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 152.

[3] Versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original (ACF) publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

[4] Nova Versão Internacional (NVI) publicada pela International Bible Society.

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