domingo, 3 de fevereiro de 2013

O que realmente é importante?



por Rafael de Lima

Vivemos num tempo em que tudo se tornou muito rápido, tudo é instantâneo. O mundo é como um “fast food” gigante. As informações voam à velocidade da luz, as pessoas correm de um lado para o outro envolvidas em seus trabalhos, estudos e negócios. A pós modernidade dispôs a vida das pessoas de forma extremamente frenética. Tudo não passa de uma grande correria. Não há mais tempo para se apreciar as belas artes, as grandes músicas, o por do sol, o cantar dos pássaros, etc. Não se pensa mais sobre a vida e sobre a morte, sobre o futuro e sobre a eternidade. Não se pensa mais em Deus.

Quando olhamos para a igreja, percebemos, da mesma forma, que a vida frenética moldada pela pós modernidade afetou grandemente o dia a dia dos cristãos.
A igreja se preocupa em realizar grandes eventos, em fazer festas, encontros. Departamentos e mais departamentos são criados, ministérios, pequenos grupos, grandes grupos, células...

Uns pensam: “Os jovens precisam de inovação e animação!”, e logo surgem festas à fantasia, festas dos anos 60, festas juninas, etc. Outros pensam: “Nossa igreja precisa de palestras que nos ajudem a lidar com os nossos dilemas da vida!”, e logo a igreja se transforma em um grupo de autoajuda, com receitas rápidas (“fast”) para que nossos problemas possam ser solucionados.

A grande questão que se levanta neste emaranhado de coisas que surgem nesta corrida desenfreada em direção ao nada é: o que realmente importa na vida?

A resposta é óbvia e simples e muitas vezes a damos com nossos lábios, mas na nossa prática diária temos estado muitíssimo distantes dela. A resposta é: Deus!

O Evangelho de Lucas registra uma passagem muitíssimo rica e que remete a este tema que temos abordado: “Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos. Marta agitava-se de um lado para outro, ocupada em muitos serviços. Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me. Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lc 10:38-42 – ARA)[1].

O ensinamento que advém deste texto é tão claro e trás uma grandiosa lição com respeito ao viver diário do cristão.

Muitas vezes estamos envolvidos com inúmeros afazeres, tantos deles na própria igreja. Trabalho, estudos, negócios, ministérios, departamentos, grupos, festas, encontros, eventos, etc. E esquecemos que o principal, o que realmente importa, é o próprio Deus.

O que Deus requer de nós é que o amemos, o adoremos e o conheçamos. A importância fundamental das nossas vidas deve ser Ele. Cristo deve ter a primazia em nosso viver, nada, nem família, nem ministério, nem afazeres devem tomar o lugar que é devido a Deus em nosso coração. Cristo nos ensina: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 10:37-39 – ARA).

A ordem de importância em nossas vidas deve ser esta e somente esta: Deus – família – ministério - etc. Infelizmente muitos têm causado uma inversão neste princípio e tem posto um fardo pesado sobre o seu viver e também sobre o viver dos seus. Nunca confundamos Deus com o ministério, com atividades e eventos realizados em nossas igrejas. Muitas vezes realizamos inúmeras atividades desta natureza e sequer lembramos-nos de Deus em tais momentos. Na verdade, o ativismo cristão nos afasta mais do que nos aproxima de Deus. Muitas vezes são tantos afazeres a que estamos obrigados na vida familiar, na igreja, nos estudos e nos trabalhos, que não nos resta mais tempo para a vida devocional.

Encerro citando (como em outros artigos) um pensamento verdadeiro e valioso de John Blanchard, que sempre me recordo quando reflito sobre estas questões: “A adoração vem antes do serviço, e o Rei, antes dos negócios do Rei”[2].
Não é outro, nem nada o mais importante. Deus é o mais importante.



Notas



[1]A versão utilizada neste artigo é a Almeida Revista e Atualizada (ARA) publicada pela Sociedade Bíblia do Brasil.

[2]BLANCHARD, John. E-book . Pérolas para a Vida . São Paulo: Vida Nova, 1993, p. 05.

0 comentários:

Postar um comentário