domingo, 17 de fevereiro de 2013

O Livre-Arbítrio e a Justiça Própria



                                                                                                     Por Pedro Henrique

O livre-arbítrio, isto é, a capacidade do homem em escolher se seria ou não salvo, está presente na maioria das denominações evangélicas de hoje, como também no catolicismo e em outras religiões. Esta abrangência é uma problemática, visto que em todos estes meios há a ideia de que o homem pode por si mesmo buscar a salvação.

A ideia do livre-arbítrio conduz a tantas outras questões que não trataremos aqui. Portanto, de maneira breve falaremos a respeito da 1- depravação do homem, da 2- decisão por Cristo, da 3- justiça própria e da 4- salvação de Cristo.

Da Depravação do Homem

Todos os crentes concordam que o homem é uma criatura caída. Mas, a extensão deste entendimento parece ser esta: que o homem não está mais na mesma condição de quando foi criado; está sujeito a enfermidades e comportamentos perversos, mas que não é totalmente depravado, e portanto, bom em algum sentido.

A queda trouxe consequências absurdas para o homem, não apenas em um sentido de enfermidades e da morte física, mas da escravidão do pecado, e este (o pecado) está enraizado em todo o ser. A entrada do pecado afetou todas as partes e todas as faculdades do homem. A depravação total do homem significa que o homem em seu corpo, alma e espirito é escravo de Satanás (Ef 2.2).

As afeições amam e a vontade escolhe de acordo com o estado do coração; enganoso e desesperadamente corrupto (Rm 3.11). Como a vontade escrava do pecado pode em algum sentido inclinar-se a Cristo? De fato, o homem não é tão mal quanto poderia ser (graças a graça comum), mas é mal em todo o seu ser.

Da Decisão por Cristo

Os que defendem o livre-arbítrio ensinam que o homem é capaz de decidir-se por Cristo. Os que assim acreditam não levam em consideração a fé, que é um dom de Deus, ou seja, não é inerente a criatura. A fé é necessária para aqueles que não veem (Hb 11.1). Portanto, ela não é da constituição humana, mas um dom de Deus.

Jesus disse: "mas não quereis vir a mim para terdes vida!" (Jo 5:40). O homem caído de maneira alguma quer vir a Cristo, pois não há vontade para tal. Podem ir pelos benefícios, mas não pela pessoa de Cristo. Não há entendimento acerca da vida de Deus, e nem anelo por ela, "... para terdes vida".

Da Justiça Própria

O livre arbítrio e a justiça própria andam de mãos dadas. O decidir-se por Cristo por si mesmo é fruto da justiça própria, é em último sentido atribuir ao homem o mérito por sua salvação, e furtar de Cristo a glória que lhe é devida. Este exercício com vistas a justiça própria é o cerne de toda falsa religião que há no mundo.

O homem está entenebrecido no entendimento, separado da vida de Deus pela ignorância que há nele (Ef 4.18). Não há entendimento, portanto não há busca. É necessário entender para que se queira ir a Cristo. Se dissermos que o homem é capaz de decidir-se por Cristo por si mesmo, teremos que afirmar a sua capacidade de entender Cristo e a vida que está nele.

Da Salvação de Cristo

Cristo é o alfa e o ômega na salvação. Todos os méritos são de Cristo, e não há nada que o homem possa fazer por si mesmo para ser salvo. É por meio de sua morte que somos reconciliados com Deus (Rm 5.10). As perguntas que todos devemos fazer-nos é: Quem (Eu) foi (fui) salvo na Cruz? Cristo de fato veio ao mundo e salvou pecadores (1 Tm 1.15)?

Cristo conquistou a nossa salvação na Cruz, e aqueles por quem Cristo morreu não serão outra coisa a não ser salvos. "... Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela," (E 5:25), de maneira que as portas da morte não poderão vencê-la (Mt 16.18).



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