domingo, 2 de dezembro de 2012

A arrogância humana e a paciência de Deus




por Rafael de Lima


Existem hábitos humanos que têm se demonstrado como bastante importantes. Um deles, que há muito tem sido perdido, é o de refletir sobre a vida.

O mundo pós-moderno não tem deixado espaços para a reflexão. A correria do dia a dia, o trabalho, os estudos, os afazeres, etc., tem tornado impossível o costume de dedicar um tempo ao fim da tarde a fim de meditar sobre a existência. Pessoalmente, creio que essa falta de reflexão, seja, por exemplo, um dos motivos para a falta de grandes pensadores e filósofos na atualidade, como existiam há séculos atrás.

Quando paramos um pouco e refletimos sobre a vida humana e sobre as atitudes que têm se tornado costumeiras em nossa cultura, percebemos quão arrogantes os seres humanos têm se tornado. A atualidade tem sido marcada por uma luta intensa onde o grande objetivo humano tem se baseado em torno da ideia de que não precisamos de Deus.

Os governos, as instituições de ensino, as várias esferas do poder, a “ciência”, etc., têm se reunido em um complô que visa extinguir ao máximo a ideia da existência e da interferência de Deus na história da humanidade.

São incontáveis as medidas que têm sido adotadas em defesa de uma pseudo laicidade, mas que demonstram unicamente a arrogância e uma pretensa autossuficiência humana, tão frágil quando uma bolha de sabão.

O salmista já enfatizava a loucura dos que rejeitam a existência do Criador, colocando a si próprios como centro da existência: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus. Corrompem-se e praticam abominação; já não há quem faça o bem” (Sl 14:1 – ARA) [1].

Todavia, Deus, pacientemente, tem suportado toda arrogância humana que diariamente se ergue contra Ele. Este atributo tão impressionante fora definido por Arthur W. Pink da seguinte forma: “A paciência de Deus é aquela excelência que O leva a suportar grandes ofensas sem vingar-Se imediatamente” [2].

O que mais impressiona é que a arrogância humana se avoluma tão grandiosamente a cada dia, que até mesmo a paciência de Deus é interpretada de forma errada, como já nos certificava o sábio Salomão: “Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal” (Ec 8:11 – ARA).

Longe de perceberem a paciência de Deus como o fato de o Criador suportar suas injúrias, o homem a toma por certo que Deus agirá com impunidade deixando-os sem punição. A estes resta apenas a pergunta: “Não fará justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18:25b – ARA).

Refletindo sobre a paciência de Deus para com os ímpios A. W. Pink afirma:

Quão maravilhosa é a paciência de Deus com o mundo hoje! Por toda parte as pessoas pecam a peito aberto. A lei divina é pisoteada e o próprio Deus é desprezado abertamente. É deveras espantoso que Ele não elimine de vez aqueles que tão descaradamente O desafiam. Por que Ele não corta da face da terra o infiel, insolente e o escarnecedor verboso, como fez com Ananias e Safira? Por que não faz a terra abrir a boca e devorar os perseguidores do Seu povo para que, à semelhança de Datã e Abirão, fossem vivos para o Abismo? E que dizer da cristandade apóstata, em que todas as formas de pecado possíveis são agora toleradas e praticadas sob a capa do santo nome de Cristo? Por que a justa ira do Céu não põe fim a tais abominações? Somente uma resposta é possível: porque Deus tolera com muita paciência os vasos da ira, preparados para perdição (Romanos 9:22)[3].

            Que o homem tenha por certo que a justiça de Deus será executada no tempo por Ele estabelecido, pois no Criador não há espaço para impunidade e injustiça.

“Justo é o SENHOR em todos os seus caminhos e santo em todas as suas obras” (Sl 145:17 – ARC) [4].


Notas


[1] A versão utilizada neste artigo é a Almeida Revista e Atualizada (ARA) publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil, exceto quando citado.

[2] PINK, Arthur W. E-book. Os Atributos de Deus. São Paulo: Editora PES, 1990, p. 48.

[3] PINK, Arthur W. Op., cit., p. 49.

[4] Versão Almeida Revista e Corrigida (ARC) publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil.

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