sábado, 10 de novembro de 2012

O problema de nós mesmos



            Por Jadson de Paula

Fulton Sheen disse certa vez que a revolução cristã é algo difícil de acontecer porque o inimigo que temos que lutar faz parte de nós mesmos. Deveríamos nos examinar até ao ponto de descobrirmos se estamos ou não de acordo com os preceitos divinos. Uma aplicação prática da autorreflexão a respeito do estilo de vida cristã que conduzimos. O debate a respeito do cristianismo contemporâneo e a crise no cenário cristão evangélico, parte do princípio da maneira, do grau, etc., de seriedade, compromisso e fidelidade que temos para com Deus em todas às áreas da nossa vida. Quanto mais negligenciamos o nosso relacionamento com Deus, tanto mais a crise pessoal e coletiva da vida espiritual se torna evidente.

495 anos de Reforma Protestante nos remete as lições do passado cristão. O estilo vigoroso empregado em cada área da vida dos que faziam a igreja que influenciava a sociedade. Robustos na busca do conhecimento de Deus que desembocava em sermões profundos, orações frenéticas, adorações ímpares, ações missionárias e sociais legatárias e transformadoras.  Vivemos num tempo em que a realidade da maioria absoluta da igreja desconhece a natureza da própria igreja.

Naturalmente, é bem difícil reconhecermos os próprios erros, ou aferimos uma avaliação honesta sobre os delitos dos nossos pecados cometidos diretamente contra Deus e a maneira de vida cristã que governamos. Mas, fato é que somos capazes de examinar nossos próprios atos e fazermos avaliações da natureza e a qualidade deles, postos à luz do evangelho e de nos confrontarmos com a verdade absoluta de Deus. Como estamos vivendo? Há seriedade na vida cristã? Somos mais retóricos do que praticantes? Nos falta à máxima atenção nos deveres espirituais, se concentrando em alguns e omitindo outros? Por diante, não faltará questionamentos para nós mesmos, sondarmos a consciência.

Quando nos tornamos insensíveis para Deus, ficamos mais próximos de praticarmos um cristianismo acéfalo. Com o passar do tempo às ditas coisas espirituais passam a ser um fardo e desprazer no viver diário. As coisas vão morrendo aos poucos, morre cada dia alguma coisa a mais no relacionamento com Deus. As pessoas vão vegetando uma vida espiritual, deixando esmorecer o vigor da vida cristã. São muitos os exemplos que nos cercam que testemunham a respeito de nós mesmos, e que faz ecoar a exortação divina “examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos” (2 Co 13.5).  O objetivo da oração de Davi no salmo 139 metalizava o conhecimento dos seus próprios pecados e erros: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos, vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno” (Salmos 139.23,24). Quando o jornal britânico London Times fez uma enquete para seus leitores para saber o que estava de errado com o mundo, o teólogo e filósofo Chesterton enviou uma resposta bem sucinta: “eu”. Essa verdade se aplica a realidade da igreja contemporânea; o que há de errado com ela: nós mesmos! Até que nos despertemos, que nos sondemos que nos confrontemos; que enxerguemos o problema de nós mesmos - para mudarmos em algumas coisas, em muitas coisas - mudarmos para Deus.

Notas
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 [1] Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada, publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil.

[2] CHEUNG, Vincent. Piedade com contentamento. Publicado originalmente por Reformation Ministries International.

[3] WASHER, Paul. As dez acusações contra a igreja moderna. Editora Fiel. São Paulo.1.Ed. 2011.



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