sábado, 15 de setembro de 2012

E quando a “teologia” se torna o mais importante?



por Rafael de Lima


Eu amo a teologia! Não poderia começar este texto de outra forma. Esta é a área do saber que mais atrai minha atenção e mais me dá prazer. Infelizmente, vivemos em uma época de abandono e desvalorização do estudo teológico. Todavia, e quando o estudo teológico, quando os termos, quando as correntes, quando os pensamentos, quando as visões, etc., se tornam o mais importante na nossa vida, e não dedicamos mais tempo à vida devocional, a família e a igreja local, não caminhamos também por uma trilha que desacorda o que nos ensinam as Escrituras?

Não me assustaria o fato de que muitos “teólogos” que já tenham lido inúmeros livros de teologia, de inúmeros autores, de inúmeras correntes, nunca tenham chegado a ler a Bíblia em sua totalidade. Não me assustaria o fato de que muitos dos que se embrenham em debates teológicos e que dominam os mais variados termos teológicos, nunca tenham experimentado a prática cristã, vivida realmente. Não me assustaria o fato de que muitos dos que são responsáveis pelo ensino de missiologia em muitos seminários teológicos não sejam pessoas que possuam o hábito de evangelizar ou que o façam de forma esporádica apenas para cumprir o seu “teatro social”. Muitos teólogos, já abandonaram o hábito de orar, tratam a teologia como um tipo de saber secular, mas esquecem que o único capaz de iluminar a mente humana a obter a verdadeira compreensão das Escrituras é o Espírito Santo.

Muitas vezes, valorizamos tanto os nossos títulos, o nosso status, e esquecemos que a grande maioria dos homens e mulheres que hoje são nossos referenciais, aqueles homens e mulheres do passado que nos inspiram, viveram o cristianismo, isto mesmo, viveram... e não apenas conheciam sobre a igreja, sobre a história e sobre as Escrituras.

Meditemos um pouco: muitas vezes possuímos o conhecimento teórico do qual necessitamos, mas não colocamos nada disso em prática. Desprezamos totalmente as palavras do Nosso Senhor quando dizia: “Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato [...]” (Mt 7:26a – NVI)[1]. Certa vez John Donne afirmou: “De todos os comentários acerca das Escrituras, os bons exemplos são os melhores e mais vivos” [2] e Thomas Brooks concluiu: “O exemplo é a mais poderosa retórica” [3], e é impossível discordar deles!

Por fim, reitero o meu desejo de que este texto instigue a reflexão acerca da nossa prática cristã, a fim de que concordemos com o que alguém já disse: “As palavras convencem, mas o exemplo arrasta”. Não quero com isto que pensem que eu esteja dispondo o conhecimento teológico em segundo plano, longe de mim! Já escrevi outras vezes valorizando o saber teológico, criticando essa “geração gospel” totalmente analfabeta em assuntos desta natureza. Todavia, é necessário ponderarmos o outro lado da moeda e reconhecermos que, por vezes, tais equívocos já referidos têm acontecido nos círculos cristãos. A vontade de Deus é que vivamos o cristianismo, vivamos a Sua Palavra e não apenas conheçamos acerca Dela.

O conhecimento é, sem dúvida, o primeiro ponto a se enfatizar na caminhada cristã. Não se pratica o que não se conhece. Todavia, ele não deve ser um fim, mas um meio! Entre os nossos credos mais citados temos que a Bíblia é nossa regra de fé e prática. Sem dúvidas, a vontade de Deus é que ela seja, de fato, regra de e de prática!

“Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos” (Tg 1:22 – NVI)


Notas


[1] A versão utilizada neste artigo é a Nova Versão Internacional (NVI) publicada pela International Bible Society.

[2] BLANCHARD, John. E-book. Pérolas para a Vida. São Paulo: Vida nova, 1993, p. 46.

[3] BLANCHARD, John. Op., cit., p. 165.

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