sábado, 29 de setembro de 2012

Aquilo que não merecia



por Rafael de Lima


Na vida, o sentimento de não merecer determina circunstância pode ter tanto conotações negativas quanto positivas. Quando nos sentimos injustiçados por determinadas situações em que somos acometidos, quase sempre chegamos a uma única conclusão: “eu não merecia isso... não é justo”. Por outro lado, esta mesma conclusão “eu não merecia isso...”, em uma situação diferente, pode nos apresentar um outro quadro totalmente grandioso.

O apóstolo dos gentios, falando sobre a graça, tinha plena consciência disto: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2:8-9 – ACF) [1]. A graça salvadora de Deus, isto é, o favor que não merecemos, nos relembra a situação em que nos encontrávamos e no que fomos transformados: “E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Ef 2:1-3 – ACF).

            A graça fez por nós aquilo que nunca seríamos capazes de fazer, como dissera John Henry Jowett: “A lei diz ‘faça’; a graça diz ‘está feito’” [2]. Jamais seríamos capazes de cumprir as justas exigências da Lei de Deus e por tal descumprimento seríamos com justiça condenados. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia e amor, por seu favor não merecido, providenciou o pagamento para que hoje fôssemos propícios a Ele.

            O que mais poderemos fazer? Como retribuir tão grande salvação? Concluamos refletindo nas palavras de William Barclay:

É impossível merecer um amor assim. Trata-se de um dom que excede todo merecimento. Mas ao mesmo tempo sabemos com a máxima convicção que deveremos consagrar a vida toda para tentar ser dignos desse amor. Esta é nossa relação com Deus. Nada do que nós tenhamos podido fazer alguma vez pode ganhar ou merecer o favor e o amor de Deus. É o dom gratuito da graça de Deus que devemos aceitar com humildade, confiança e gratidão; mas isto não significa que não precisemos fazer absolutamente nada. Significa que a partir desse momento toda a vida terá que ser um prolongado esforço para manifestar nossa gratidão e tentar merecer esse amor [3].

            Sejamos gratos a Ele por nos conceder aquilo que não merecíamos.


Notas


[1] A versão utilizada neste artigo é a Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original (ACF) publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

[2] BLANCHARD, John. E-book. Pérolas para a Vida. São Paulo: Vida nova, 1993, p. 245.

[3] BARCLAY, William. E-book. Comentário Bíblico do Novo Testamento. Versão em português de domínio publico.

0 comentários:

Postar um comentário