domingo, 8 de julho de 2012

Sobre o crescimento evangélico



por Rafael de Lima

Na última sexta feita (29/06/12), o IBGE divulgou alguns dados referentes ao Censo Demográfico 2010. Uma das características que mais atraiu a atenção esteve em torno das particularidades referentes à esfera da religião.

Os resultados do Censo demonstraram que “consolidou-se o crescimento da população evangélica, que passou de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010. Dos que se declararam evangélicos, 60,0% eram de origem pentecostal, 18,5%, evangélicos de missão e 21,8 %, evangélicos não determinados” [1].

Para muitos, tal crescimento tem se posto como motivo de orgulho. Todavia, realizando uma análise um pouco mais apurada, qual a verdade por trás deste crescimento?

Analisando os dados apresentados pelo Censo 2010, e tomando as 10 maiores denominações, em número de adeptos, intituladas de evangélicas pelo IBGE, nós temos a seguinte classificação:

1.    Igreja Assembléia de Deus – 12.314.410 adeptos
2.    Igreja Evangélica Batista – 3.723.853 adeptos
3.    Igreja Congregação Cristã do Brasil – 2.289.634 adeptos
4.    Igreja Universal do Reino de Deus – 1.873.243 adeptos
5.    Igreja Evangelho Quadrangular – 1.808.389 adeptos
6.    Igreja Evangélica Adventista – 1.561.071 adeptos
7.    Igreja Evangélica Luterana – 999.498 adeptos
8.    Igreja Evangélica Presbiteriana – 921.209 adeptos
9.    Igreja Deus é Amor – 845.383 adeptos
10. Igreja Maranata – 356.021 adeptos[2]    

Um rápido exame nesta lista nos remete a uma conclusão um tanto preocupante, quem sabe até assustadora. Na referida relação temos que, entre as dez maiores denominações classificadas como evangélicas, ao menos quatro delas têm sido qualificadas como seitas.

Concluímos com isto que tal crescimento evangélico no Brasil, ao invés de ser comemorado de forma tão irresponsável, deveria ser seguido de uma reflexão mais profunda acerca do que realmente significa ser cristão. A grande verdade é que tal acréscimo no número de evangélicos muitas vezes têm representado mais um inchaço do que um crescimento saudável.

Sem dúvida, este é um tempo de refletirmos as bases que nos fazem sermos chamados de evangélicos, de voltarmos ao que pregaram os nossos pais, os cristãos primitivos, os reformadores, os mártires do passado. É tempo de voltarmos à centralidade de Cristo e de sua cruz. É tempo de voltarmos ao evangelho da graça. É tempo de repensarmos o porquê de termos igrejas repletas de pessoas quando estas pregam que Deus irá trazer prosperidade, bens, saúde, bem estar, etc., enquanto igrejas que pregam o arrependimento de pecados e a salvação através da graça estão vazias.
Sim, é tempo de repensarmos este nosso crescimento!

“Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6:14 – ACF)[3].


Notas


[1] IBGE. Censo 2010: número de católicos cai e aumenta o de evangélicos, espíritas e sem religião. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2170&id_pagina=1>. Acesso em: jul. 2012.

[2] CENSO DEMOGRÁFICO 2010. Características gerais da população, religião e pessoas com deficiência. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. Disponível em: < ftp://ftp.ibge.gov.br/Censos/Censo_Demografico_2010/Caracteristicas_Gerais_Religiao_Deficiencia/caracteristicas_religiao_deficiencia.pdf>. Acesso em: jul. 2012.

[3] A versão utilizada neste artigo é a Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original (ACF) publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.


2 comentários:

  1. Olá Rafael!

    O problemas no crescimentos de muitos igrejas que pregam a "fé e o arrependimento", acredito está na inércia em relação a ações concretas. A maioria delas acreditam que fé é apenas um questão de arranjar na mente um série de dogmas e pronto. O problemas é que o conhecimento que a Bíblia nos mostra deve anda junto a ação. "Fé sem obras é morta". As igrejas que oferecem cura, prosperidade etc. trabalham com algo concreto. Quem não que ter a sua vida melhorada? Ela propõe e alguns alcançam - é fato. O erro está em supervalorizar o concreto em detrimento do espírito. Precisamos unir essas duas pontas essenciais a nossa fé: Conhecimento de Cristo e transformação do reino aqui agora. Para isso é preciso emergir a velha ética do reino de Deus.

    Deus te abençoe.

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    1. A paz pastor!
      obrigado pelo comentário.
      Sem dúvidas, existem muitas arestas que devem ser corrigidas para que possamos passar a ver com bons olhos esse crescimento.
      Por enquanto, tudo não passa de um inchaço sem qualidade.

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