sábado, 14 de julho de 2012

O cristão e o suicídio





                        Por Jadson de Paula

A definição para o ato do suicídio é desmedido. Nas tentativas de encontrarmos as justificativas para tal ato, paramo-nos de frente ao “por que”. Ainda que tenhamos os conceitos da ciência, sociologia, psicologia, etc., que tentam explicar sobre esse fato a compreensão do suicídio é bastante difícil e o ponto de vista sobre o mesmo se diferencia em algumas culturas -, do aceitável a repulsa. Salientando que as Escrituras Sagradas estão acima dos aspectos culturais, num posicionamento sobre qualquer assunto. São várias as causas que a cometem os indivíduos e os levam a tal ato. Certo mesmo é que esse procedimento é abrupto contra a vida, se há razões, elas são complexas e perdem o sentido. O suicídio é uma verdade presente na sociedade e, em todas as classes. Abordar o suicídio é necessariamente refletir sobre a morte. Neste ponto a violação da vida pela ação contra si mesmo, constitui uma tomada indevida do ser humano a respeito da vida e a infração do mandamento designado por Deus.
Segundo Norman L. Geiser ‘o ato final contra si mesmo, não pode ser ao mesmo tempo um ato em prol de si mesmo’. Assim, a ação suicida constitui-se num auto assassinato, desprovido de amor, que fundamenta a relação para com o próximo, baseando-se no ato contrário ao amor, o suicida vincula-se num ódio ao semelhante “a ninguém não devais coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei. Por isto: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não cobiçarás, e, se há qualquer outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a si mesmo” (Romanos 8.8-9). A ordenança do mandamento para a vida, [não matarás]; estabelece a ordem expressa de valorização da vida -, no suicídio, ocorre o contrário, o desprezo a mesma. “Deus é quem tira a vida e a dá; faz descer à sepultura e faz subir” (1 Samuel 2.6). Sendo Deus lei para si mesmo, não há outrem superior a Ele, a qual lhe deva a prestação de atos. Mas, ao ser humano estabeleceu o dever de cumprir os mandamentos que desembocará no prestamento das atitudes por meio do corpo (Eclesiastes 12.13-14). Portanto, a morte independe se foi assassinato a outrem, ou ato final contra si mesmo, é violação de mandamento (Gênesis 9.5,6).
O caso da morte de Sansão, não pode ser considerado como um suicídio qualificado. Pois, sua morte não foi um ato final contra si mesmo, isoladamente. Sua petição demonstra desejo expresso de vingança contra os filisteus. Na sua morte, seus inimigos foram mortos em quantidade bem maior, do que enquanto esteve vivo. Não há base para designar que, um verdadeiro cristão, utilize-se de tal procedimento, como justificativa para dar fim aos problemas que acometem os seres humanos. Na psicologia contemporânea, o ato suicida não é apenas considerado como uma patologia, enfermidade física ou mental, mas como uma doença da alma. Para uma alma sem Cristo, ocasiona-se a desesperança, que pode caminhar para a morte. Ao verdadeiro cristão é incompatível estar sem a esperança para a vida presente, ou perspectiva para o futuro (Romanos 8.18 – 25; Apocalipse 21.1-8) -, fragilidades da nossa natureza humana, são situações que nos afetam enquanto seres humanos. Mas, circunstâncias adversas que desemboquem num atitude de auto morte, que representa sentimentos ambíguos de insegurança, não encontra razoabilidade nas Escrituras para tal ato. Pois, Cristo é a nossa esperança. Embora, alguns personagens bíblicos (Moisés, Elias, Jó, Jonas), tenham expressados os seus sentimentos de tristezas e angústias, ante os problemas que enfrentavam, rogaram a Deus para que lhes interrompessem a vida, e não a si próprios cometeram ato suicida. A variedade de citações nas Escrituras sobre o auxílio e esperança que é Cristo, é muita; a verdade é que Deus é o designador da vida, a qual, a Ele pertence, e somente Ele pode dar fim à mesma (Samuel 2.6).
O suicídio é totalmente irracional que lhe falta base lógica para justificação. O que se passa na mente de uma pessoa que pratica o suicídio, unicamente Deus pode saber. O fato é que, a violação do mandamento é manifesta na atitude suicida. Quando a igreja se posicionou a respeito do suicídio estabeleceu regras contra o mesmo, baseado no mandamento “não matarás”, incitados por Agostinho, que afirmava ser o suicídio o fracasso da coragem. Na filosofia Pitágoras e Platão afirmavam que a vida é uma dádiva de Deus, por conseguinte, os sofrimentos humanos partem de uma designação divina, e a atitude de suportá-los, representa dignidade e honradez. O auto assassino não é apenas infrator contra si mesmo, mas é também ato violador e afrontoso contra Deus “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1Co 6.19). “O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus; destruir o próprio corpo é desonrar o Criador” (Rosimeire Lopes).

Notas
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[1] Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada, publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil.
[2] McLAUGHLIN, Ra. Suicídio. Site: www.monergismo.net
[3] SOUZA, Rosimeire Lopes de. De quem é a vida, afinal. Site: www.icp.com.br

Um comentário:

  1. Eu sugiro também alguns textos das Escolas Helenistas: Sêneca, Epicteto...Gosto desse tema e esse período tem muito a nos dizer sobre essa questão. Também, Durkheimer, sobre os tipos de suicídio.
    Dentro da sua abordagem sobre o cristão, está ótimo, mas você poderá se interessar por uma visão mais filosófica.

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