sábado, 28 de julho de 2012

Deus irado “expressão justa”





                          Por Jadson de Paula

Abordar a respeito da ira de Deus não é um assunto propriamente “apreciável” na maioria dos sermões, livros, canções, etc., na contemporaneidade do cristianismo. Aliás, a história é um testemunho que no passado da trajetória cristã, tratar de um Deus irado, foi para poucos. Os ressentimentos que emanam dos humanos corações que procedem de paixões apenas pelo o “Deus romântico”, um amor criado por suas próprias idealizações, resulta em ideias errôneas sobre Deus e a Sua ira, como se o atributo divino se assemelhasse a ira humana. Procedente do caráter perfeito de Deus, Sua ira é tão virtuosa quanto Sua bondade. É tão importante na pregação do evangelho, como um belo sermão sobre Seu amor.
Uma clara manifestação de justiça e zelo por Sua santidade a ira de Deus está longe de ser um revanchismo divino barato contra os pecadores. A prática do pecado não é um estímulo de raiva momentâneo para a expressão da ira de Deus. A aplicação do termo grego (Orge) para a “ira divina” implica uma forte e crescente raiva, ou numa metáfrase: Sua revolta santa contra as expressões do pecado (Romanos 1:18; 2:5,8; 9:22; 12:19). A nódoa moral encontra-se no caráter humano, não na natureza de Deus, Sua ira não mancha a Sua bondade nem o Seu amor; quando do atributo prático de exercer Sua vontade soberana de justiça. Pois, Deus não pode negar a Si mesmo, onde estiver o pecado, Ele estará com a Sua ira, por uma peculiaridade necessária intrinsecamente da Sua santidade -, manifestar-se contrariamente ao pecador não arrependido “Deus é justo Juiz, Deus que se ira todos os dias”; “contigo não subsiste o mal” (Salmo 7.11; 5. 4p.b). A uma compreensão errônea em tratar os atributos divinos como se em Deus “houvesse uma perfeição que seja menos perfeita que a outra” (Arthur Pink). E, assim estimasse o amor, minimiza-se a ira, porque ela não refletiria o Deus bondoso, carismático e franciscano que amou o mundo de tal maneira... As escrituras que fala do amor (João 3.16), fala também da ira (Salmo 7.11). Em Deus todas as coisas são perfeitas e as expressões dos Seus atributos cumprem a exatidão da Sua vontade, Sua ira é uma bela manifestação do aspecto de Seu zelo e intolerância para com o mundo pecador.
No âmbito humano sobre justiça, a aplicação da punição é mediante a infração das normas racional-legal. Nesse aspecto as expressões de indignação, raiva, ira, justiça, intolerância, etc., germina na esfera humana o direito contrário à infração, e que o direito legal seja exercido “ocorrendo à punição”. Sendo que, o padrão humano de justiça, não cumpre em excelência a devida justiça em todos os casos. Na ocorrência de um assassinato, o praticante de tal fato, quando julgado e punido pode cumprir apenas temporariamente um período de prisão. A perda de uma vida é maior, do que a privação de liberdade. Sendo Deus lei para Si mesmo, o próprio padrão de justiça, verdade e retidão, não existindo para Deus nem um outro padrão fora dEle mesmo, pois Sua perfeita justiça revelada nas Escrituras conforme Sua santidade, faz com que postergações a Sua Lei, não sejam negligenciadas. E, Sua ira expresse de maneira exata o cumprimento da virtude justa. Consequentemente, satisfação da justiça e alegria legal (Apocalipse 15. 1-4).
A justiça divina revela não apenas a maldade do pecador, mas também a sua culpa. O Deus justo mantém uma infinita ira contra o pecado. As suposições humanas a respeito de Deus, numa cultura permissiva, condescendente e pluralista erram e ridicularizam à pecaminosidade do pecado, “Pois Tu não és Deus que se agrade com a iniquidade”... “aborreces a todos os que praticam a iniquidade” (Salmo 5: 4p.a.; 5 p.b.). Desentendidos da necessidade da ira presente e futura de Deus para com o pecador; ultrajam nos argumentos sobre o Senhor e Sua ira.
A compreensão exata da ira de Deus serve para nos despertar da camuflagem de temor, para o verdadeiro temor. Desfazendo-nos das escusas e tolerâncias ao pecado. Como também, para produzir em nós a ojeriza que Deus expressa contra o pecado, necessariamente o pecador. A verdade sobre esse assunto deve estar no rol das reflexões da vida dos cristãos. As reações em relação ao tema da ira de Deus evidenciará a prontidão dos nossos corações -, relutantes ou apreciadores?! Pois, em amplo geral há um ligeiro costume de germinar imagens sobre Deus, conforme os nossos pensamentos -, no que acaba criando erros, classificando a ira de Deus em um tema impopular na vida da igreja. Louvar ao Senhor por Sua bondade, fidelidade, amor, etc., deve ser tão fervoroso quanto louvá-Lo por Sua ira (1 Tessalonicenses 1.10); alegrando-se em Sua santidade.

Notas
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[1] Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada, publicada pela Sociedade Bíblica do Brasil.
[2] WASHER, Paul. Pregação em vídeo: As maiores palavras das Escrituras. www.youtube.com
[3] PINK, Arthur. A ira de Deus. Site: www.monergismo.net

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