domingo, 10 de junho de 2012

O problema do “ativismo” cristão



            Quando olhamos para a realidade da igreja evangélica, especificamente o caso brasileiro, é possível percebermos inúmeros grupos que a compõe. Existem os que não se envolvem em nenhuma atividade da igreja, frequentam as reuniões de forma esparsa, não estão disposto a se embrenhar em nenhum projeto. Existem também aqueles que vão à igreja apenas quando estão passando por problemas, quando estão em busca de receber alguma benção. Todavia, também existem aqueles que estão envolvidos em todas as atividades da igreja, em todos os departamentos, são extremamente atuantes, porém muitas vezes tem colocado o serviço acima de Deus, poderíamos chamá-los de “ativistas” cristãos. Da mesma forma, existem aqueles que tem uma compreensão correta com respeito ao serviço e ao culto. Todavia, foquemos no que temos chamado de ativistas cristãos.

O médico Lucas registrou um episódio interessante em seu evangelho, vejamos: “E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou Jesus numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, o recebeu em sua casa; E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Marta, porém, andava distraída em muitos serviços; e, aproximando-se, disse: Senhor, não se te dá de que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe que me ajude. E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária; E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada”. (Lc 10:38-42 – ACF)[1]. Esse texto é, sem dúvidas, um dos mais belos dos evangelhos. Nele Jesus Cristo apresenta a compreensão exata de como o cristão deve se posicionar com respeito à questão da adoração e do serviço.

A grande verdade é que temos presenciado um grande equívoco com respeito a estas questões. Parte considerável dos membros de igrejas que são atuantes muitas vezes têm mantido o foco do seu serviço na direção errada. São gastas horas, planeja-se, investe-se em programações, festas, eventos, etc., e muitas vezes Cristo sequer é lembrado em meio a estes planos. Muitas vezes as programações de igrejas cristãs têm sido feitas para massagear egos, mostrar capacidade, demonstrar poderio econômico, todavia, o principal, que deveria ser o dono da festa, Jesus Cristo, tem sido deixado de lado. Abrindo um parêntese a fim de exemplificar nosso equívoco com respeito a certas programações que muitas vezes realizamos, poderíamos mencionar o absurdo de que nossas igrejas têm economizado cifras todos os anos a fim de realizar suas conferências missionárias, em detrimento do investimento real em missões. Se gasta dinheiro, tempo, horas e horas de trabalho para falar de missões, mas não se faz missões. Esse é apenas um exemplo, existem tantos outros!

Sem dúvida, é tempo de revermos nossos conceitos com respeito à adoração e ao serviço. A vontade de Deus, é que façamos tudo pra glorificar a Cristo. Ele é o principal, Ele é o foco, nada pode estar acima Dele, nem mesmo o serviço cristão! Como afirma John Blanchard: “A adoração vem antes do serviço, e o Rei, antes dos negócios do Rei”[2].

            Concluo mencionando o apóstolo Paulo quando afirmava: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Co 10:31 – ACF). Que tudo que façamos seja única e exclusivamente pra glorificá-lo. A Ele a glória.



Notas


[1] A versão utilizada neste artigo é a Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original (ACF) publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

[2] BLANCHARD, John. E-book. Pérolas para a Vida. São Paulo: Vida nova, 1993, p. 05.

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