sábado, 26 de maio de 2012

O “evangelho” dos miseráveis



por Rafael de Lima

“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (I Co 15:19 – ACF[1]).

Indiscutivelmente, estamos diante de um dos capítulos mais memoráveis do Novo Testamento, o capítulo 15 da primeira carta de Paulo aos coríntios é espetacular. Da mesma forma, é um texto de árdua compreensão, como afirma Barclay: “é ao mesmo tempo um dos capítulos mais grandiosos e mais difíceis do Novo Testamento” [2].

Em suma, a ideia geral de Paulo ao escrever este capítulo estava em torno de combater a errônea visão que, tanto judeus quanto gregos, tinham a respeito da ressurreição.

Considerando o ponto de vista judeu, tomando como exemplo a compreensão dos saduceus, temos que estes negavam terminantemente a imortalidade da alma e a ressurreição do corpo. Por outro lado, os gregos, apesar de crerem na imortalidade da alma, tinham uma visão equivocada acerca do que ocorreria com o corpo após a morte, para eles haveria o extermínio e a total dissolução deste. Sem entrar em mais pormenores, nós temos que ambos, judeus e gregos, tinham uma visão equivocada acerca da ressurreição. Ambos tinham uma compreensão errada a respeito da eternidade.

O versículo apresentado no início deste artigo encaixa-se perfeitamente na realidade de muitas igrejas que se dizem evangélicas e de muitos ditos cristãos. Atualmente, temos presenciado não apenas uma concepção errada com respeito à eternidade, na verdade, temos visto um total abandono deste assunto. Os púlpitos de muitas igrejas têm sido preenchidos com mensagens que enfatizam o aqui e o agora. Fala-se de saúde, de sucesso, de riqueza, bênçãos, bênçãos, bênçãos... Não se fala da cruz, de salvação, de inferno e nem de céu! A eternidade foi esquecida, o que importa é o hoje. Para Johann Von Goethe os que pensam assim estão mortos desde já: "Os que não têm esperança de outra vida estão mortos até mesmo nesta” [3].

Muitos ditos cristãos têm agido como o homem da parábola do rico insensato: “E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga” (Lc 12:19 – ACF). Porventura, teria Deus um parecer e uma atitude diferente com estes daquela tida com o rico insensato? Certamente que não! “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lc 12:20 – ACF).
Encerro lembrando a frase de Billy Graham quando afirmava que “qualquer filosofia que trate somente do aqui e agora não serve para o homem” [4]. É tempo de combatermos este falso evangelho do aqui e agora que tem sido tão pregado.  Este “evangelho” dos miseráveis, daqueles que esperam em Cristo só nesta vida, não nos serve. Nossa grande esperança é eterna!

“Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3:18-20 – ACF).



Notas


[1] A versão utilizada neste artigo é a Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original (ACF) publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

[2] BARCLAY, William. E-book. Comentário Bíblico do Novo Testamento. Versão em português de domínio publico, p. 137.

[3] BLANCHARD, John. E-book. Pérolas para a Vida. São Paulo: Vida nova, 1993, p. 153.

[4] BLANCHARD, John. Op., cit., p. 153.

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