sábado, 7 de janeiro de 2012

A Bíblia é a verdade. A Ciência é a busca pela verdade[1]


por Rafael de Lima

“Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade?” (Jo 18:38a - ACF)[2]

Eis as palavras que Pôncio Pilatos pronunciou a Jesus quando o interrogava antes de sua crucificação. Tal interrogação apresenta-se, sem dúvida, como uma das grandes indagações que embaraçam a humanidade desde que o mundo é mundo.

Tentando fugir deste dilema a filosofia pós-moderna tem proposto a “saída” de que não exista uma verdade absoluta. O filósofo alemão Friedrich Nietzsche argumentava que a verdade seria algo construído historicamente:

O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas." (NIETZSCHE, p. 34, 1873)[3]

Apesar das várias tentativas de escapar, o “fantasma” da verdade ainda é algo que permeia a mentalidade humana. 

            A cosmovisão cristã concebe a existência de uma verdade absoluta e a forma de a encontrarmos é conhecendo as Escrituras Sagradas. Todavia, poderia se indagar acerca da credibilidade da Bíblia, de que seria possível esta conter erros. Vejamos por meio de um silogismo bem simples porque isso é impossível:

Por quê? Porque a Bíblia é a Palavra de Deus, e Deus não pode errar. Vamos raciocinar. Vamos tratar isto de uma forma lógica examinando as premissas:
Deus não pode errar. A Bíblia é a Palavra de Deus. Portanto, a Bíblia está isenta de erros.
[...] a Bíblia declara sem rodeios ser a Palavra de Deus.  Ela nos informa também que Deus não pode errar. A conclusão, então, é inevitável: a Bíblia está isenta de erros. Se ela estivesse errada em qualquer coisa que afirma, então Deus teria cometido um erro. Mas Deus não pode cometer erros. (GEISLER, HOWE, p. 07, 1999 – grifo meu)[4]

Acerca disto o apóstolo Paulo afirma: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça” (II Tm 3:16 – ACF). De igual modo, o apóstolo Pedro atesta: “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (II Pe 1:21 – ACF).

Por outro lado temos a Ciência, que para muitos, seria, de fato, a detentora da verdade. Todavia, vejamos o que propõe Rubem Alves acerca do real objetivo do discurso cientifico: “O discurso científico tem a intenção confessada de produzir conhecimento, numa busca sem fim da verdade” (ALVES, 1981, p. 139)[5]. De fato, a Ciência, ao menos na teoria, tem este grande objetivo de perseguir a verdade. Entretanto, diferente da Bíblia que é inerrante e confiável, a Ciência é passivel de erros e de fraudes. A Bíblia é a verdade, enquanto a Ciência é a busca da verdade.

A ideia aqui não é criar um antagonismo entre a Bíblia e a Ciência, pois como afirmou o filósfo Voltaire: Meus amigos, uma falsa ciência gera ateus, mas a verdadeira ciência leva os homens a se curvar diante da divindade (VOLTAIRE, 1768)[6]. O que quero por em questão, e isto é algo que muito me perturba, é a instabilidade de muitos cristãos com respeito a sua fé. Basta que surja na mídia alguma nova notícia publicada pela comunidade científica acerca de algum tema de ordem mais polêmica e que, de alguma forma, esteja relacionada ao cristianismo, que muitos já tremulam de pavor crendo que a mesma promoverá a derrocada do cristianismo.

Acerca disto, quero lembrar-lhes que o que hoje é verdade para a Ciência amanhã já não o é, e o que já foi considerado como algo incontestável com o passar do tempo foi reconhecido como fraude. Vale aqui citar, apenas a título de ilustração, um dos casos mais célebres: a fraude de Piltdown.

Em fins de 1912, o arqueólogo Charles Dawson e o geólogo Arthur Smith exibiram aquela que seria uma das grandes, se não a maior descoberta já vista na história, o “elo perdido” entre o homo sapiens e seus antepassados primatas: o homem de Piltdown. Na época, parecia ser a descoberta perfeita, crânio mais desenvolvido, mandíbula mais primitiva. Era o que a comunidade científica esperava, sem dúvida era o “elo perdido”.  Todavia, no ano de 1953, o dentista T. A. Marston mostrou ao mundo que tal descoberta era uma bela fraude. Por meio de testes de flúor revelou-se que o crânio pertencia a um ser humano e que os dentes pertenciam a um orangotango[7].

Esta é apenas uma mostra da fragilidade da Ciência, foram mais de quatro décadas em que se acreditava em uma mentira. Por isso, não substituía a sua fé na inerrante, infalível, verdadeira e divinamente inspirada Palavra de Deus pela passível de erros e fraudes, realizada por homens limitados e egoístas, Ciência.

Lembre-se, a verdadeira Ciência nos levará sempre a Deus, Criador de todas as coisas. Com respeito à falsa Ciência, o tempo tratará de apresentar a sua culpa.

“A tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre” (Sl 119:160 – ACF)




Notas



[1] Considerando a perspectiva apologética de Vincent Cheung este título seria incorreto visto que ele não concebe que um não cristão possa, de fato, buscar a verdade por si próprio. Para maiores informações sobre esta perspectiva apologética conferir o livro Apologética no Diálogo.

[2] A versão utilizada neste artigo é a Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original (ACF) publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

[3] NIETZSCHE, Friedrich. Sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral (1873) in Obras Incompletas, São Paulo: Editora Nova Cultura, 2000.

[4] GEISLER, Norman; HOWE, Thomas. E-book. Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e Contradições da Bíblia. São Paulo: Mundo Cristão, 1999.

[5] ALVES, Rubem. E-book. Filosofia da Ciência: introdução ao jogo e suas regras. São Paulo: Editora Loyola, 2002.

[6] Original em Francês: "Mes amis, une fausse science fait les athées: une vraie science prosterne l'homme devant la Divinité".
VOLTAIRE, Les A, B, C ou Dialogues entre A, B, C, 1768. Disponível em: <http://www.voltaire-integral.com/Html/27/16_A-B-C.html>. Acesso em: 06 de janeiro de 2012.

[7] Para maiores detalhes, conferir: OPPERMANN, Álvaro. “As grandes fraudes da Ciência”, Aventuras na História, nº 095, junho de 2011. 






0 comentários:

Postar um comentário