sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A importância da apologética cristã na vida dos jovens


por Rafael de Lima

Uma característica bastante marcante na presente geração de jovens cristãos está em torno do desinteresse que ronda a maioria destes pelos temas ligados à teologia e, no caso em destaque aqui, à apologética.

A apologia, por outro lado, deveria ser uma das partes da vida cristã a ser mais enfatizada, sobretudo pelos jovens, visto que estes são os que, majoritariamente, têm sido confrontados com respeito a sua fé. A escola, as amizades, a universidade... são campos que costumeiramente questionam as crenças dos jovens cristãos, daí a necessidade de se estar preparado a fim de defender esta cosmovisão: “Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (I Pe 3:15 – ACF)[1].

Aos que nunca ouviram falar de apologia, apologética, apologista, etc, esta seria, em linhas gerais, a defesa de um posicionamento. O Dicionário Bíblico Strong traz – apologia (απολογια): 1) defesa verbal, discurso em defesa. 2) uma afirmação ou argumento raciocinado.[2] É esta a expressão original da palavra “responder” lida no versículo anteriormente citado. Vejamos o que diz Josh McDowell com respeito a este texto: “A maneira como a palavra ‘responder’ (isto é, ‘defender) é empregada em 1 Pedro 3:15 indica o tipo de defesa que alguém apresentaria perante um inquérito policial: ‘Por que você é cristão?’ Um crente é responsável por dar uma resposta adequada a essa pergunta(MCDOWELL, 1996, p. 13).[3]

Sem dúvida, um dos pontos que têm sido extremamente marcantes nos círculos de jovens cristãos é o de desapego à intelectualidade, muitas vezes tomando com justificativa uma pseudo-espiritualidade. Este fato tem sido observado há tempos e, indubitavelmente, o movimento pentecostal teve uma atuação de destaque na formulação do pensamento que propunha um antagonismo entre a fé e a razão. É verdade que, já há alguns anos, a liderança deste segmento tem despertado para o equívoco que cometeram, empreendendo recursos em publicações de obras de ordem mais teológica e estabelecimento de seminários, todavia a ferida de anos de críticas com respeito ao pensamento intelectual, pelo que se observa, ainda demorará um pouco a cicatrizar. Vale citar a súplica de John Stott em seu livro Crer é também pensar:  

Oro insistentemente que Deus levante hoje uma nova geração de apologistas cristãos, pessoas que comuniquem a mensagem cristã, tendo uma  absoluta fidelidade ao evangelho bíblico, e uma inabalável confiança no poder  do Espírito, combinada com um entendimento profundo e sensível às  alternativas contemporâneas do evangelho; pessoas que se relacionem com as  demais com vivacidade, ardor, autoridade e propriedade, pessoas que façam uso de suas mentes para ganharem outras mentes para Cristo”. (STOTT, 2001, p. 36)[4]

Como a defesa da fé não é algo tão habitual na juventude presente, como deveria ser, muitos ao verem sua fé ser confrontada preferem ignorar o fato, outros apesar de terem o desejo de defendê-la não possuem o conhecimento para tal e assim não se atrevem em ingressar em nenhum debate, outros ainda, apesar de não terem conhecimento, são mais atrevidos tentando confrontar aos críticos, todavia é comum não chegarem a lugar algum, e ainda muitos acabam sendo transformados em motivo de zombaria. Sem dúvida, devemos evitar estar em todos os grupos supracitados.

Certamente, vale mencionarmos uma ressalva importante: a função primordial da apologética é conceder subsídios para que as pessoas possam, de fato, compreender a magnitude do Evangelho, e não o cultivo de um debate que cause simplesmente desarmonia e que finde em massagear o ego, na lastimável conclusão: “eu estava certo e você errado”. Acerca disto, Paulo escreve a Timóteo: “E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade, e tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos” (II Tm 2:24-26 – ACF).

Devemos ter o cuidado de que a nossa apologética funcione como forma de atrair as pessoas a Deus e não de afastá-las: "Um cristão inteligente deve ser capaz de apontar as falhas numa posição não-cristã e apresentar fatos e argumentos em favor do evangelho. Se nossa apologética nos impede de explicar o evangelho a quem quer que seja, é uma apologética inadequada" (PINNOCK apud MCDOWELL, 1996, p. 15).[5]

Os ataques à doutrina cristã têm vindo de todos os lados, sejam através das seitas que surgem aos milhares, ano após ano, ou através do ceticismo que ronda os círculos universitários. Desta forma, o preparo apologético dos jovens cristãos neste mundo pós-moderno tem se demonstrado como fator indispensável para o bom funcionamento da igreja cristã.

Por fim é valido apresentar uma questão de ordem um pouco mais técnica, mas que enriquece a perspectiva teórica da apologia cristã, fornecendo as bases para a formulação de um pensamento apologético coerente e estável. Vejamos:

[...] qualquer sistema de apologética, para ser completo, deve ter pelo menos as seguintes partes: um ponto de partida lógico; um ponto de contato com o descrente, ou seja, um terreno comum; as provas da verdade; o papel do raciocínio e o fundamento da fé em Deus, Cristo e a Bíblia. (FERREIRA, MYATT, 2007, p.12)[6]

Neste blog, nos aventuraremos em percorrer através dos vários campos que costumeiramente tendem a questionar a fé cristã, buscando as explicações mais coerentes e bíblicas, fornecendo à juventude cristã um espaço de pesquisa e de interação.  

“Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos (Jd 3 – ACF. Grifo meu).


Notas



[1] A versão utilizada neste artigo é a Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original (ACF) publicada pela Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.
[2] STRONG, James. E-book. Dicionário Bíblico Strong. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.
[3] MCDOWELL, Josh. E-book. Evidência que exige um veredito. São Paulo: Editora Candeia, 1996.
[4] STOTT, John. E-book. Crer é também pensar. São Paulo: ABU Editora, 2001.
[5] MCDOWELL, Josh. E-book. Evidência que exige um veredito. São Paulo: Editora Candeia, 1996.
[6] FRANKLIN, Ferreira e MYATT, Allan. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2007.

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