• Em 2018 o evento contará com a presença de um grande número de preletores, entre eles o pastor estadunidense Paul Washer que é o diretor e coordenador de Missões da "Sociedade Missionaria HeartCry".
  • "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos". (Sl 119.105)
  • "Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não apagueis o Espírito". (1Ts 5.17-19)
  • "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé". (Rm 1.16,17)
  • "[...] exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos". (Jd 3)

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

FILMES, SÉRIES E O CRISTÃO CINÉFILO

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                                                                       por Karoline Evangelista

 Eis um dos assuntos que lideram o ranking dos mais falados entre os jovens cristãos. Sendo a Bíblia nossa regra de fé e prática, por que tirá-la cena, ao tratar o assunto? Convém imitar as experiências pessoais de um “famoso da teologia” ou acatar as indicações do escritor de uma obra teológica fabulosa, de olhos vendados? Cabe saber quem lhes deu o papel de diretor das escolhas de alguém que têm a Palavra de Deus como script imutável da vida. Somos protestantes e temos acesso livre às Escrituras, não seguimos um papa, portanto somente uma interpretação bíblica cuidadosa importa.
 Existem filmes produzidos por cristãos (poucos) e filmes produzidos por ímpios. Nos filmes produzidos por cristãos, os problemas não são as cenas de nudez, mas textos bíblicos mal interpretados, cabe a estes o mesmo cuidado que devemos ter com filmes produzidos por não cristãos com censura livre, nos quais não contêm cenas de sexo, nudez ou linguagem obscena (em sua maioria), mas podem ter por trás uma ideologia contrária às Escrituras. Para quem estuda a Palavra de Deus, o mais comum é identificar e condenar aquilo que está em desacordo com a mesma. Ao assistir a filmes cristãos, o bom senso não pode ser dispensado, pois é necessário para alertar um não cristão das cenas em que a teologia é trocada pela psicologia ou nas quais o texto bíblico recebeu uma interpretação não ortodoxa e defender a verdade bíblica, se por acaso o filme ferir aquilo que é essencial. Existem filmes voltados ao público infantil com forte apologia ao homossexualismo e outras práticas que a Bíblia condena claramente, é importante que os pais verifiquem o filme antes de deixar que a criança veja, porque ela pode não ter maturidade suficiente para filtrar essas ideologias anti-bíblicas.
Sobre os filmes e séries produzidos por ímpios, há a classificação indicativa de idade e o porquê de tal censura, geralmente o alerta é sobre linguagem obscena, nudez, cenas de sexo e violência. Muitos cristãos que não verificam esse alerta, se justificam com a possibilidade de pular as cenas. Um problema inevitável nesse plano, é que filmes com classificação acima de 14 anos não costumam proteger o telespectador com prelúdios, em inúmeros deles a cena de nudez surge diante dos olhos sem aviso prévio, e ao final do filme foram visualizadas dezenas de mulheres nuas ou seminuas. É sabido que na massacrante maioria dos filmes, dessa natureza, há mulheres atuando no papel de prostitutas, dançarinas de pole dance, bem como um homem rodeado por várias mulheres nuas ou seminuas, estupro e uma série de cenas que rebaixam o valor da mulher, tratando-a como se fora um mero objeto sexual.
Jesus Cristo não se conformou ao machismo em sua época, ele condenou a atitude dos que acusavam uma mulher flagrada em adultério, mostrando que os homens que a acusavam não eram menos pecadores do que ela. Não se incomodar com a visão machista dos filmes, é aceitá-la e a consequência disso é pensar do mesmo jeito, é ter a mente do mundo. Um argumento de defesa é lançado: “o filme só mostra o que a gente vê no dia a dia”; entretanto, mulheres ainda não costumam andar sem sutiã, vestidas apenas de uma calcinha fio dental nas ruas, só se o cinéfilo frequentar ambientes que permitem tal atentado ao pudor. Para além disso, a nossa interação com a cultura e com a sociedade, como sal e luz do mundo, é para elevar o valor moral, não para aceitar sua decadência. Aquele que entende que prezar pela decência é ridículo, este já se vestiu do mundo alheio a Deus.
Enquanto alguns cristãos assistem a esse tipo de “arte”, aplaudindo o roteiro bem produzido, abrem mão do temor a Deus e do amor ao próximo (principalmente às mulheres, em especial à esposa, se for casado). Quando a história do filme se apresenta como se fora indispensável à vida, as ideologias malignas são facilmente ignoradas pelos cinéfilos cristãos. Quanto aquele irmão que consegue pular cena sem prelúdio, se é santo, Deus o sabe, mas pai de santo (no sentido de garantir que consegue adivinhar o futuro) é o que parece. Sem contar que em alguns filmes, a nudez faz parte do roteiro inteiro ou está em cenas indispensáveis ao entendimento do todo. Quando o pecado não assusta, mas diverte, o lugar em que o entretido está é assentado na roda dos escarnecedores com um balde de pipoca e um copo de coca-cola.
O que a Bíblia diz? Conjecturemos que o filme que nos foi indicado tem um alerta de linguagem obscena e nudez. Quais textos da Bíblia podem nos guiar na decisão de assistir ou não ao filme? Efésios 5 é apenas um deles, como cristãos responsáveis, façamos uma leitura atenciosa, meditando em cada palavra:
Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. Mas a fornicação, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos; Nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas antes, ações de graças. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, NÃO SEJAIS SEUS COMPANHEIROS. Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade); APROVANDO O QUE É AGRADÁVEL AO SENHOR. E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes CONDENAI-AS. Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe. Mas todas estas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta. Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, Remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor (ênfase da autora).

A carta gêmea de Efésios, que é a carta de Paulo aos Colossenses, no capítulo 3 repete o mesmo ensino. Esses textos já são claros o suficiente para não nos sentimos bem diante de uma programação cuja linguagem e imagens carregam a nossa mente à impureza, como cristãos, a ordem bíblica é que não sejamos participantes.
O Senhor Jesus Cristo no sermão do monte ensinou o seguinte:
Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. Mateus 5:27-29

Jesus deixou muito claro que atentar para uma mulher (atrizes também são mulheres) e a nudez dela atrair o desejo, já é adultério. E para evitar que isso aconteça, Ele usa uma hipérbole para enfatizar a seriedade; poderíamos parafrasear: “Crente, se tu sabes que assistindo a um filme com essa censura vais ver uma série de mulheres nuas ou seminuas, arranca o teu olho, ou seja: toma uma medida radical”. Ninguém é obrigado a ver e Jesus está dizendo: Evite! Diga não! “arranca-o e atira-o para longe de ti”.
Mas se até o pastor assiste? Se o nosso parâmetro de santidade for um pastor, um colega, um amigo... no dia do juízo não iremos subsistir, porque não teremos em quem nos apegar, pois somente os que estão firmados em Jesus Cristo subsistirão no dia do juízo (releia o Salmo 1º). É certo que a salvação não se perde, mas quem é salvo se assusta com o pecado, não anda nas trevas, conforme está escrito em 1 João 2.4-6:

Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou.

No livro de 1 Pedro capítulo 1, nos versículos 13-16 é dito aos eleitos:

Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo; Como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver; Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo.

Poderíamos escolher imitar o exemplo de Jó, que disse: “Fiz aliança com meus olhos; como, pois, os fixaria eu numa donzela?” (Jó 31. 1). A ordem de Paulo (1 Coríntios 6.18): "Fugi portanto, da imoralidade sexual" é muito clara quando diz "fugi". Assistir filmes sem cuidados básicos, como verificar a classificação indicativa, não é fugir, é se expor. A mente humana é perigosa e os filmes sabem bem como armá-la de maneira sutil. Há quem goste de dicas, a melhor delas é guardar a mente. De vez em quando ir trocando um filme censurado por uma hora de oração seria imensamente vantajoso para que aqueles que se interessam por uma vida cristã mais profunda. Outra dica é usar o conhecimento bíblico que tem, mais o conhecimento adquirido sobre o filme através da censura, sinopse, trailer, comentários e avaliar se é ou não agradável a Deus, tendo a Bíblia como crivo, porque nós devemos aprovar aquilo que é agradável a Deus e condenar aquilo que o desagrada. Certamente aquilo que desagrada a Deus não irá nos acrescentar alegria, o caminho da felicidade é outro, de novo precisamos relembrar o Salmo 1. Ninguém é obrigado a assistir a um filme ou a uma série só porque "todo mundo" está assistindo. A alegria dos salvos não está em seguir o conselho dos ímpios, mas em deleitar-se na Palavra do Senhor. Há quem use a doutrina da graça comum para justificar uma exposição e admiração cega à cultura, mas a graça comum é para frear o pecado, nunca o promover.
Quanto ao livro de Cantares, não é um livro de conotação sexual? Exatamente, é um livro sobre a relação sexual entre um homem e uma mulher. E que ótimo que o temos na Bíblia. Ele nos ensina que o sexo é maravilhoso, é criação de Deus, que a nudez deve ser desfrutada dentro do casamento, ensina o cristão a se proteger desse mundo que banaliza o sexo, a nudez e ter satisfação com o seu cônjuge. O livro poético de Cantares é sobre a vitória do amor contra às pressões sociais. O livro de Cantares deve ser lido, contudo, o leitor precisa precaver-se com a dignidade de não equiparar esse livro à literatura erótica mundana. Porque enquanto o mundo prega a libertinagem, o adultério, a desvalorização da mulher, a banalização do sexo e da nudez, o livro santo de Cantares ensina o homem a ter satisfação sexual com uma só mulher dentro do casamento. E quanto às pinturas de pessoas nuas na história da igreja, por exemplo, os mártires nus pintados: quando uma mulher olha para um mártir nu, é mais provável que ela lembre do quanto o evangelho é precioso a ponto de alguém dar a vida por ele, em total humilhação e desprezo. Agora quando uma mulher vê um homem seminu rebolando diante dos seus olhos, quem garante que ela vai pensar em Cristo?
Segue outro argumento que cinéfilos cristãos carregam no bolso: “neste seriado/filme há sim cenas de nudez e de sexo, porém, não é este o conteúdo dominante”. É preciso cuidado, pois é de forma sutil que nós somos facilmente enganados. A luta do diabo é contra a nossa mente e a sutileza é uma arma poderosa. Por isso a Bíblia nos instrui a:
nos revestirmos de toda a armadura de Deus, para que possamos estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra carne e sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais. Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau, e havendo feito tudo, ficar firmes (Efésios 6.11-13).
Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus, para destruição das fortalezas: destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo (2 Coríntios 10.4-5).
E nos aconselha:
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai (Filipenses 4:8).
E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus (Romanos 12:2).

Eis outro clássico protesto: “não suporto palavras com tom moralista”. Será que a preocupação por trás desse argumento é quanto à hipocrisia, ao misticismo, ao legalismo ou não seria uma tentativa de condenar quem é mais santo e justificar seu mundanismo? Aquele que não gosta de ética cristã, provavelmente rasgou o sermão do monte. “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos”,  disse o apóstolo Paulo em sua segunda carta a Timóteo, capítulo 4, versículo 3.
Caminhando para o término, mais um exemplo de argumento usual dos cinéfilos cristãos: “eu não vou conseguir deixar de assistir um filme legal só porque ele tem uma censura 14 ou 16, eu não vou ficar me impondo limites”. Este já está impondo limites. Se eu não quero impor limites ao que vejo, eu estou impondo limites a minha santidade. Ou eu estou limitando a minha exposição ao pecado ou estou me abrindo a qualquer coisa e limitando a minha separação do pecado (limitando o crescimento da minha santidade). Porque santidade é um processo e nós temos participação ativa nesse processo, diferentemente da regeneração, que é obra exclusivamente divina. Por isso que existe crente mais santo e menos santo. Então onde eu vou colocar limites? O sábio apóstolo deixou um alerta: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne” (Gálatas 5:13).
Por fim, o último argumento de defesa costuma ser: “Eu tenho a minha responsabilidade pessoal e se eu não interpretar os textos bíblicos dessa forma, posso assistir ao que eu quiser e é problema meu”. É importante lembrar que a partir do momento em que sabemos o que a Bíblia diz e resolvemos agir como se não soubéssemos, seremos disciplinados por Deus, teremos consequências e as consequências dos nossos pecados, mesmo aqueles ocultos, afetam a família, o meio social e também a igreja. Não se pode restringir o pecado apenas ao autor da ação. Somos membros de um mesmo corpo, cuja cabeça é o Senhor Jesus, e que o menor deslize de um desses membros pode afetar no conjunto da obra. A prova é tal, que por um homem adentrou o pecado no mundo, Adão e Eva na desobediência tentaram ocultar o seu pecado, mas o Senhor tem olhos em todos os lugares, e assim herdamos esse pecado (cf. Rm 3.23).
O Senhor disse a Josué: Não estarei mais com vocês, se não destruírem do meio de vocês o que foi consagrado à destruição (Js 7.10-12).  Por causa de apenas um homem, Acã, que havia escondido alguns pertences cujo Senhor mandara não pegar, todo o povo foi castigado. Tal omissão foi prejudicial para todos, não só para Acã. O rei Davi, mesmo sendo um homem reto aos olhos do Senhor, pelos seus pecados ocultos, causou sofrimento a muitos, entre eles Urias, Betseba e seus filhos. Os nossos pecados ocultos não são ocultos aos olhos do Senhor. O sábio Salomão diz no livro dos Provérbios 15.3: “Os olhos do Senhor estão em toda parte: Ele observa atentamente os maus e os bons!”.
Tal verdade deve estar clara na mente dos cristãos, pois do contrário seria uma afronta a atributos como soberania, onisciência, santidade e justiça de Deus. Certo é que Deus sendo soberano, onisciente, santo e justo não deixará impune os pecados cometidos, distante dos olhos humanos, porém patente aos olhos do Todo Poderoso. O pecado oculto é geralmente aquele mais difícil de livrar-se, é uma vergonha guardada às sete chaves e que certamente incomoda o verdadeiro cristão, regenerado.
Concluo agora com as seguintes palavras divinas: “Ora, quem é injusto, continue na injustiça; quem é mundano, continue na impureza; mas quem é justo, firme-se na prática da justiça; e quem é santo, continue a buscar a santificação” (Apocalipse 22:11).
                Que Deus, em Cristo, vos guarde do Maligno!

Karoline Evangelista Paz

Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Congregacional do Nordeste – Extensão João Pessoa. Membro da Igreja Presbiteriana do Bairro dos Estados. Atua na área de apologética cristã, escrevendo para a Revista Vida Cristã e blogs.

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domingo, 24 de dezembro de 2017

Nasceu o Rei


Por Karoline Evangelista

“Onde está aquele que é nascido rei dos judeus?” (Mateus 2.2a)

O coração do homem é um palácio, no seu trono, sempre há um rei assentado, este é forte, domina a mente, domina o corpo e está pronto a lutar contra qualquer que ouse tomar o seu lugar. “Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? ”. Essa pergunta faz estremecer todo o nosso ser pelo rugido feroz do Herodes que habita em nós. Herodes é egocêntrico, sanguinário! Quantos morreram? Quantos morrerão? A veia da qual escorre tanto sangue, em troca de poder, emana do nosso coração. Nasceu O Rei! Há vários reis. Porém, apenas um pode reinar.

O nosso coração é inclinado a levar ao trono aquele rei que é aclamado pelo mundo. O mundo coroa os que nascem em berço de ouro, os que moram em cidades de grande desenvolvimento, os que são diplomados, bonitos, doutores, ricos, independentes! Deus não vê como o mundo vê. O Rei dos reis quando enviado ao mundo, nasce em uma manjedoura, um nazareno, torna-se carpinteiro, não ajunta tesouros na terra, serve a quem não merece seu favor, acolhe crianças, honra mulheres, morre como um maldito para tornar filhos de Deus, homens que antes eram inimigos.

Enquanto o mundo se surpreende com a força do gigante Golias, Deus escolhe usar os braços fracos do pequeno Davi. Quando o mundo favorecia os irmãos mais velhos, Deus escolheu Abel ao invés de Caim, Isaque e não Ismael, Jacó a Esaú, Davi, em detrimento de seus irmãos mais velhos e mais interessantes aos olhos humanos. Quando o mundo desprezava as mulheres estéreis e de pouca beleza, Deus mostra o seu poder na vida da idosa Sara, da desprezada Leia, das estéreis Rebeca, Ana e Isabel. Toda essa contradição por quê? Porque o cristianismo é diferente de tudo aquilo que empodera o nosso eu. Cristo veio para os fracos, perdidos, a fim de mostrar que não é pelo nosso mérito que o céu é alcançado. Seu reino não é deste mundo!

Que rei assenta no trono de nosso coração? Se recorremos à sala real para pedir que todos os nossos desejos sejam satisfeitos, não é o Rei dos reis que estende o cetro para nós. Se glorificamos o rei que realiza os nossos sonhos, massageia o nosso ego e faz-nos dignos do aplauso do mundo, é o nosso eu que adoramos. O Rei dos reis é Soberano, não se dobra às nossas vontades tolas, não dá crédito aos nossos caprichos, Ele abomina a vaidade insana desse mundo passageiro. Ele não aceita barganhas, Ele não quer ser adorado por interesseiros, mas por adoradores verdadeiros. Herodes pode ser o seu dinheiro, a sua família, os seus prazeres, os tesouros que você estima acima de Deus, aquilo que reina em seus pensamentos, aquilo que abala as suas emoções. Quem reina em seu coração? É Natal! “Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? ”.





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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Dr. R.C. Sproul, chamado para a casa do Pai


Dr. R.C. Sproul foi para casa para estar com o Senhor na tarde de hoje por volta das 15 horas, cercado por sua esposa, Vesta, e sua família numa sala de hospital em Altamonte Springs. Ele tinha 78 anos e morreu pacificamente depois de ter sido hospitalizado há doze dias devido a dificuldades respiratórias severas.

Conhecido por milhões de cristãos como simplesmente "R.C.", ele foi usado pelo Senhor para proclamar, ensinar e defender a santidade de Deus em toda a sua plenitude. Através de seu ministério de ensino, muitos de nós aprenderam que Deus é maior do que o que sabíamos, nosso pecado está mais profundamente enraizado do que imaginamos, e a graça de Deus em Jesus Cristo é esmagadora.
Deus o para proclamar o evangelho a tantas pessoas quanto possível. Ele sabia que o Senhor não precisava dele. Na verdade, ele queria que as pessoas conhecessem o testemunho duradouro e fiel dos servos de Deus ao longo da história da igreja. Deus utilizou poderosamente o seu ministério séculos 20 e 21 para despertar as pessoas ao redor do mundo acerca das verdades do cristianismo.

O impacto de seu ministério na história da igreja será avaliado em outros dias, semanas, meses e anos. Neste momento, sentimos imensa tristeza e perda profunda - a perda de um pastor, um professor, um líder, um irmão em Cristo, um amigo.

Dr. Sproul agora vê o objeto de sua fé, o Cristo ressuscitado, elevado e levantado. Ele agora ouve o cântico dos serafins diante do trono: "Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; Toda a terra está cheia de sua glória!"


Com informações www.ligonier.org

domingo, 15 de outubro de 2017

O que é bonito é para ser mostrado?


Por Rogério de Sá

O que é bonito é para ser mostrado? É muito natural ver mulheres postando fotos seminuas. Com o advento de redes sociais como o Instagram isso se tornou cada vez mais cotidiano, e o cotidiano tende a se tornar comum, natural e aceito pelo sistema do mundo. E isso se estendeu aos homens. Agora é normal ver homens exibindo fotos de corpos malhados como troféus para chamarem a atenção do sexo oposto tal como pavões exibem suas caldas para chamarem a atenção das fêmeas.

Até aí você pode me dizer: não vejo nada de errado com isso. Eu também não vejo nada de errado com o mundo seguindo o padrão do mundo. Mas, a partir do momento que os cristãos começam a seguir o mesmo padrão de comportamento e dizer que não existe nada de errado em postar fotos seminus, subtende-se que Deus também não vê nada de errado. Um exame apurado das Escrituras e sincero vai nos confrontar com esse padrão. Moças ou mulheres crentes começam a mostrar partes do seu corpo para todos em uma rede social. Qual o propósito disso? Será que um cristão é capaz de, sinceramente, dizer que não há nada de errado nisso? Que há pureza aí? “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 João 2:16,17).

Concupiscência é o anelo de prazeres sensuais. Qual o propósito de um cristão postar esse tipo de fotos? Estimular a concupiscência da sua carne inflamando os seus desejos sexuais e os dos que estão olhando. O apóstolo é mais específico falando da concupiscência dos olhos, deixando bem claro que é o pecado que vem por meio do ver, que por sua vez leva ao desejar. Então não há nada de errado? Para o mundo nada é errado, é tudo relativo, mas para Deus a resposta é: “Não procede de mim, mas do mundo”.

Antes de postar sua selfie se pergunte: “No que isso vai glorificar a Deus? ”. Como você pode glorificar a Deus postando a marca do seu biquíni ou o seu peito e abdômen definidos? Se você me dizer que consegue glorificar a Deus fazendo isso, cara, eu te pergunto novamente: “Qual deus você deseja glorificar? O seu deus que você mesmo criou? Ou você mesmo se tornou seu próprio deus? ”.

Se pergunte: “Por que eu acho que uma certa parte do corpo precisa ser vista por outros? Que sensações eu quero causar neles? ”. Meu amigo cristão, se essas perguntas não te incomodam, ou não te fazem refletir eu convido a relembrar as palavras do apóstolo Paulo: “Examine-se o homem a si mesmo”, e ao se examinar elabore um bom argumento quando estiver perante o Juiz de toda terra.

Oséias fala no seu livro: “porque abandonaram o Senhor para se entregarem à prostituição, ao vinho velho e ao novo, o que prejudica o discernimento do meu povo”. (Oséias 4:10,11)

Mas o que prostituição tem a ver com o assunto, e por que a prostituição prejudica o discernimento do povo de Deus? Prostituição tem a ver com infidelidade, e na Bíblia frequentemente está associada a prática de colocar outras coisas no lugar de Deus. A maior motivação da exposição do corpo é o de mostrar principalmente ao sexo oposto aquilo que deveria ser mostrado apenas na intimidade do casal dentro de um casamento. Quando essa intimidade é compartilhada de forma pública você está prostituindo aquilo que pertence a uma só pessoa, aquela que Deus escolheu para você, e essa prática é tão irracional quanto o efeito do vinho sobre o ser humano. A consequência é o ato de prejudicar o discernimento, entendimento do povo, que podemos entender como desprovimento de inteligência.

Mas qual a relação? A relação é que pessoas inteligentes não se expõem. Elas se valorizam, pois têm a consciência de que seu corpo não está à venda e os que se interessarem por elas devem primeiramente conquista-las para depois terem acesso ao seu conteúdo.

Não estou condenando as selfies, pelo menos não as que revelam o seu caráter cristão. Mostre ao mundo por meio das suas redes sociais menos de você, e mais do mundo ao seu redor. As palavras de Jesus nunca passarão. E ele disse: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus”. (Mateus 5:20)

Falo como alguém que chegou a postar fotos desse tipo. Posso não ter despertado nada em alguém que tenha visto meu Instagram, mas percebi o quanto é incoerente. É mau? Pule fora. Só parece ser mau? Pule fora. “Abstende-vos de toda a aparência do mal”. (1 Tessalonicenses 5:22)

Concluo com as palavras do apóstolo Paulo que é Palavra de Deus: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar”. (1 Coríntios 10:31-33)

Malhem, não abusem do Whey Protein, tenham uma vida saudável e um corpo bonito, mas guardem isso para seus cônjuges. Se tiverem que atrair alguém que seja pelo amor que vocês têm por Cristo.


Amém.


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domingo, 1 de outubro de 2017

A Igreja e o Descaso dos Fortes


Por Pedro Henrique

Francisco Barnabé é um dos filhos de Dona Santina, uma mulher destemida que entende a importância de educar bem os filhos. Viúva, perdeu o marido cedo, no tempo dos seus 40 anos de idade. Logo decidiu com firmeza que não mais casaria, que criar os filhos seria a sua dedicação. É certo e evidente que pode contemplar a consequência do esforço, pois Barnabé, o mais novo dentre os filhos, é hoje um doutor, um homem dedicado às ciências, mas que nunca abriu mão da prática da piedade e do ofício de pastor a ele concedido.

Vindo de uma cidade pequena do interior da Paraíba, é simples, dono de uma mente que não se cansa com questões sem sentido, exceto quando pode tirar alguém de ideias próximas ao suicídio, que são tão comuns nesses dias. A sua vocação ao chamado é notória, amado por todos os membros da igreja em que é pastor presidente (o líder maior), se deparou com situações sérias, que são capazes de destruir até a alma do mais experiente homem cristão. Dentre as sérias situações que vivenciou, uma se destacava e ecoava em sua mente, levando-o a pensar na real situação da Igreja Invisível, a Noiva por quem os antigos entregaram suas vidas.

Uma pequena comunidade cristã sofria nas mãos de um líder que usava da influência conquistada durante os anos de seu ministério para estabelecer a própria vontade. Seu povo cansado, mas sincero, sofria fortes tensões na alma envolvida de um sentimento de solidão, e se não fosse o Espírito de Deus, que lembrava que sempre há choro em Sião, muitos teriam desistido da caminhada junto aos irmãos conhecidos de longas datas. Barnabé percebeu que há muito da história de uma comunidade dentro dos corações com raízes profundas, mas não entendia o porquê de tamanho descaso não mitigado. A vida do ego do líder, que devia cuidar com dedicação daquele povo, era evidente diante de tamanho descaso. Um homem perdido em meio aos próprios desejos arrogantes.

Barbané atormentado pelo conhecimento da triste realidade daquela comunidade, e de tantas outras que sofrem questões sérias, decidiu em secreto recorrer ao senhor Saú, um homem bem sucedido, dono de uma boa oratória, que veio de uma família do sul do país, um líder destacado entre os demais. Não é de se admirar, o senhor Saú constantemente precisava tratar de questões sérias, porque era o administrador daquela região. Barnabé em uma conversa particular, que aconteceu na própria casa de Saú, relatou os diversos descasos com a Noiva, e após ouvir com tamanha atenção todos os fatos, Saú ficou um tempo em silêncio, pois a sua posição requer uma certa medida de coragem e zelo, porém com desrespeito para com todos os que estão a mercê de decisões corretas, decidiu que não se inflamaria com questão que deve ser tratada pela própria comunidade, pois deve ser forte em suas decisões.

Por que causa devem lutar os homens? Constrangido com tanto descaso, Barnabé percebeu que a instituição, no que diz respeito a força da influência e a posição exercida, está em muitos lugares corrompida como a Igreja de Roma encontrava-se naquele Tempo de Trevas. É a instituição uma máquina que precisa de engrenagens para continuar rodando, mas muitas vezes perdida no meio de interesses individuais, e que a real igreja,  formada de uma gente sincera, é desrespeitada no oculto onde os demais não conhecem, e em público é  tratada muitas vezes com textos criados para a vida do ego e produções midiáticas que escondem o interesse dos fins.

O descaso dos que podem tomar medidas corretas era um tormento não repentino, silencioso e rasteiro, daqueles contados ao pé do ouvido quase em sussurros para que muitos não saibam. Quem sabe alguns se levantassem com a bravura de Wyclife, ou com a coragem de Savonarola, que por pregar a virtude, foi condenado a morte. Esse tempo precisa de convicções! Barnabé lembrou das incríveis palavras de Lutero na Dieta de Worms: um homem não deve ir contra a sua consciência. Temo que a consciência daqueles que podem agir estejam aleijadas e endurecidas nesses dias. Ele decidiu em última tentativa recorrer ao Núcleo de Líderes, um certo departamento responsável por questões que envolvem vocacionados. Talvez encontrasse ali decisões justas, mas não demorado, recebeu a notícia de que aguardariam uma posição primeira da soberana comunidade. Os que possuem influência e poder para agir conforme a verdade esperam dos mais simples e menos influentes enquanto escondem suas faces. Barnabé pensou que se preferem não agir por questão aparentemente ética (a de se meter em questões alheias), o façam porque o comportamento de seus líderes deve ser de interesse do departamento. O silêncio indevido é uma resposta infeliz aos que tem esperança em encontrar solução para questões importantes.

Desfalecido por triste realidade, mas fundamentado na verdade, Barnabé lembrou da coragem e convicção de Lutero ao pregar as teses na porta da igreja de Wittenberg. Ele decidiu que usaria a arma do protesto lícito o quanto fosse possível contra a triste realidade que se espalha na surdina, como uma peste que anda na escuridão, e que toma as mentes que se voltaram contra a causa de Deus pela vida do Ego que oprime as pobres almas que devem ser amadas enquanto crescem no conhecimento do seu Criador. Nesses dias precisamos da convicção que uma verdadeira teologia gera no coração de um homem para conduzi-lo em um compromisso diário que se exprime em atos justos em favor da Noiva de Cristo.

Que nesses dias tenhamos pregadores que lutam contra a posição de líderes que maltratam a igreja de Cristo sempre que for oportuno, que preguem a verdade que é contra a injustiça tão presente dentro das igrejas que precisam mudar a partir de seus líderes, que quando perdidos, amam mais a si mesmos e as riquezas do que a causa que lhes foi dada por Deus. Por lucros e poder vestem-se de imundícia, mas se fosse apenas o exterior, do interior uiva um espírito de lobo que maltrata as ovelhas, e ainda que não sejam todos lobos devoradores porque o miserável homem pode insistir em voltar à imundícia, é certo que os lobos serão castigados mesmo que tenham escondido os trapos imundos e fugido para lugares distantes.

Pregador, sua obrigação é sempre para com a verdade, e é para dar conta da sua vocação que você é cobrado. Você é lembrado a esse respeito antes de ir a um púlpito, e ali não deixe dominar seus próprios interesses. Nos dias de sua vida, a sua boca será calada por suas decisões para não contradizer outras pessoas quando você pensar primeiro em sua reputação. Lembre-se de George Whitfield que pregou fora de casa depois de ter as portas da igreja fechadas para a sua pregação.

Deus seja contigo!





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domingo, 24 de setembro de 2017

O círculo céptico do homem no fiasco da vida secular


Por Jadson de Paula

Eclesiastes é um convite a discussão do vazio teórico e pragmático da vida sem o sentido, valor e propósito em Deus. O Pregador de Eclesiastes traça um roteiro da vida humana debaixo do sol, em sua conjuntura de fôlego e pó, dotada de falhas, marcada pela natureza caída, circunscrita no círculo da vaidade da vida. A problematização da existência do homem na terra é marcada pela eternidade como pano de fundo no processo de dramatização definindo um ponto de significado num caos de significados. O escritor perpassa por horizontes terrestres e verticais dando tonalidades pessimistas e esperançosas discutindo sobre a brevidade da vida, e o grande problema da existência alienada de Deus, vivenciada num círculo céptico.

O Pregador traz para a discussão no capítulo primeiro do livro a fragilidade do secularismo e as implicações históricas para o homem. Aqui, Deus é ocultado do debate como parte da dramatização da experiência do Pregador em tratar a existência da redoma humana sobre tudo que faz sem referência de fé e eternidade. Ao iniciar a explanação com a afirmação de que “tudo é vaidade”, (Eclesiastes 1.2), usando o superlativo hebraico “hebel”, o escritor fala da vida do homem em todas as suas ações marcada por alegrias nada substanciais, destinadas a evaporarem, findando as maiores satisfações em meros vácuos na alma. O Pregador não deixa um lapso de exceção, descreve a sujeição à vaidade (a corrida pela brevidade das coisas) em todo o processo da existência humana, em seus empreendimentos na vida, com um cenário em que Deus é desconsiderado; não visto como fundamento da satisfação, as confianças humanas são lançadas num vazio existencial.

Ao trazer a pergunta sobre o “proveito” de todo o trabalho humano para a discussão (Eclesiastes 1.3), o Pregador aborda as consequências da vida direcionada unicamente à perspectivas terrenas, de esforços emocionais, mentais, vigorosos e os labores envolvidos nas atividades do homem, marcando-os sob o prisma da miserabilidade e futilidade, em que não há proveito, ausência de lucro, no sentido em que a confiança nos esforços humanos em busca de satisfações, fossem pagos aos mesmos tudo quanto diga respeito aos seus planos e esforços. Ao contrário, por serem circunscrito no reino da vaidade, limitam-se às angústias da existência debaixo do sol.

Quando as realidades da eterna mesmice são exploradas, a tonalidade pessimista empregada no discurso traz à tona o grande contraste da vida alienada de Deus. O pregador fala de ‘gerações que vai e vem, e da terra que permanece para sempre’ (Eclesiastes 1.4), utilizando os particípios hebraicos para expressar o constante movimento da existência humana vivenciada em círculos repetitivos num cenário de aparente permanência da realidade terrena, agravado pelo incansável círculo de frivolidades e vaidades.

A trajetória humana é marcada com o caminho da vida propositada em direção a Deus. Esse processo abaliza a existência e experiência do homem sob significados e esperança eterna, expressando uma vida em circuito aberto debaixo do sol. O pano de fundo que é a eternidade trabalhada no discurso do livro, enfatiza que à parte de Deus, resta apenas um circuito fechado na história do homem, que dissolve sua existência sob o prisma secular, e nela, deposita o início e o fim do processo de realidade. Isso faz com que o que realizou e o que realizará, nunca sejam uma novidade no seu nicho fechado. O Pregador fala sobre a filosofia secular; como uma perspectiva enraizada no homem em direção a si mesmo; se não há perspectivas verticais, o horizonte terrestre não produzirá o que realmente é novo, por isso, “nada há, pois, novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1.9).

O Pregador trabalhou o seu discurso nos primeiros versículos do livro explanando o seu olhar no campo horizontal, em que satisfações permanentes é exaurida pelo o fim das coisas em si. O Reino de Deus é a origem do que realmente é novo para a história da vida humana. À luz dessa fonte, toda perspectiva do homem muda, quando confrontado com a realidade da vida que é a morte, tornando a breve existência terrena, em tudo que fez e fará, com significados oriundos do fato que, a realidade que o cerca é um sopro na trajetória do tempo, e que o aproveitamento do tempo e o sentido da vida, estão intimamente ligados a Deus.




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domingo, 17 de setembro de 2017

Lutando contra o abatimento


Por Karoline Evangelista
Baseado no capítulo 7 do livro “Lutando contra a incredulidade” do John Piper


“A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre” (Sl 73:26).


Complexo abatimento, que triste é o seu som, soando de um coração cristão, cujos olhos revelam a desarmonia interior. Não se limita à depressão e não é uma simples melancolia temporária, decorrente de um dia ruim. Quanto a depressão, há pessoas que possuem certa predisposição, seja devido a causas genéticas, fatiga ou outras questões de ordem fisiológica, e mesmo, depois de convertidas, elas precisarão lutar contra esse mal. Não é possível dividir o homem de forma a separar o físico do espiritual; sejam quais forem as causas do abatimento, a arma que provoca rendição à tal estado é a incredulidade na graça futura. É preciso erguer-se e lutar! Mas como? O abatimento é um gelo que esfria a alma, queima a pele, e adormece o vigor, é como o céu cinza da poluição, que embaça a visão e dificulta a respiração, é uma sombra negra ou um fantasma branco, odeia cores e ama algemas.

Davi enfrentou o abatimento: “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?” (Sl 42.11a). Ele não se rendeu, mas estendeu a sua espada: “Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus” (Sl 42.11b). Davi negou dar ouvidos ao seu eu abatido, ele pregou à sua alma, criticou seus pensamentos, fê-los assentar e ouvir a Palavra de Deus.

Jesus enfrentou o abatimento: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte” (Mt 26.38). Ele lutou, utilizando algumas armas, a saber: pediu a companhia de seus amigos mais chegados (cf. Mt 26.37), expôs a eles a sua dor (cf. v. 38), pediu intercessão (cf. v. 38), orou ao Pai (cf. v. 39), descansou na soberana vontade de Deus (cf. v. 39). O autor aos Hebreus nos afirma que: Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus” (Hb 12.2).

Como enfrentamos o abatimento? Os livros de autoajuda flutuam sobre a superfície, não alcançam a profundidade da alma, no máximo massageiam o ego com suas plumas. Precisamos pôr de joelhos, o nosso eu, diante da Palavra de Deus e a fé nas Suas promessas fortalecerá os nossos corações. Há uma paz plena e eterna, há uma glória futura, há esperança! Em Deus, que é a nossa herança, “há fartura de alegrias e delícias perpetuamente” (Sl. 16.11). Certamente, a fé na graça futura nos concederá um prelúdio do supremo prazer celestial.

Sejam felizes, em Cristo!




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