• Em 2018 o evento contará com a presença de um grande número de preletores, entre eles o pastor estadunidense Paul Washer que é o diretor e coordenador de Missões da "Sociedade Missionaria HeartCry".
  • "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos". (Sl 119.105)
  • "Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não apagueis o Espírito". (1Ts 5.17-19)
  • "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé". (Rm 1.16,17)
  • "[...] exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos". (Jd 3)

sábado, 27 de maio de 2017

Temer ao Senhor Para Adquirir Sabedoria - Diana Lima


Provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel; para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem as palavras da prudência. Para se receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a eqüidade; Para dar aos simples, prudência, e aos moços, conhecimento e bom siso; O sábio ouvirá e crescerá em conhecimento, e o entendido adquirirá sábios conselhos; Para entender os provérbios e sua interpretação; as palavras dos sábios e as suas proposições. O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução. Provérbios 1:1-7

Nesse texto observamos que o título já aparece no início do primeiro versículo, (Provérbios de Salomão, filho de Davi), em seguida é claro qual o motivo do escrito. É interessante ver a preocupação com o conhecimento de Deus, ser sábio não é ser um acumulador de conhecimento humanista, a sabedoria é apreendida, mas, em Pv. 1 vemos os princípios norteadores dessa sabedoria.

O objetivo do livro de Provérbios é para o conhecimento da sabedoria e da instrução, para se entenderem, as palavras da prudência. Diante disso, receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a equidade. Dificilmente atentamos para a grande exortação ao conhecimento presente nesse escrito de sabedoria e negligenciamos. Em provérbios 1. 1-7 encontramos lições valiosíssimas do quanto a sabedoria deve ser aprendida na base de toda a sapiência (O Senhor Deus).

Os simples e os moços precisam de conhecimento, e a proposta de Provérbios, é que seja para “Para dar aos simples, prudência, e aos moços, conhecimento e bom siso” Pv. 1.4. É preciso ter humildade para conseguir adquirir sabedoria, porque aprendemos com a dependência total a Deus e o aprendizado com aqueles que têm capacidade de nos ensinar. Ás vezes alguns jovens não tem paciência nem humildade para aprender, não querem amadurecer, mas querem ensinar, como ensinar aquilo de que não aprendemos? É uma irresponsabilidade, tomar o lugar de um mestre quando ainda somos um simples imprudente, a sabedoria é algo que só quem teme a Deus poderá contemplá-la.

Antes de adquirir conhecimento, vem o temor do Senhor, se o exercício rumo ao conhecimento fizer o trajeto contrário, “é humano, vão e animal”[1]. Primeiro tememos ao Senhor, depois aprendemos aquilo que a sua Palavra fala sobre Ele, as suas verdades, em seguida aplicamos essas verdades ao nosso modo de vida, e finalmente anunciamos, ensinamos. Assim fez Esdras[2], temos visto na prática uma contrariedade a esse princípio.

Não são poucos aqueles que se colocam contrários ao ensino, ao estudo, que consideram a unção superior ao estudo coeso da Escritura, isso é preocupante e desestimula aos jovens que estão iniciando seus estudos teológicos. A prova desse desprezo pelo estudo e o aprofundamento nas Escrituras são os seminários cada vez mais desertos, sem infra-estrutura mínima, faltando bibliotecas atualizadas e livros para pesquisas. Essa é a face de uma igreja que não investe em estudo, em ensino, de homens e mulheres maduros de idade e imaturos em sabedoria. Que não tiveram oportunidade de estudar e hoje querem cercear aos mais jovens esse direito.

Que possamos jovens, romper a barreira da dificuldade, colocar a nossa mente a serviço do Reino, estudar e investir futuramente nos novos estudantes. Que possamos temer ao Senhor, de tal forma que alcancemos sabedoria, e alcançando, puder levá-la aos que estão nos primeiros passos.
Oremos por todos aqueles que colocam sua mente cativa à Palavra de Deus, amém.




[1] Tiago 3.7
[2] Esdras 7.10


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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Um Pouco de Síndrome de Narciso - Diana Lima

Narcisista é a palavra adequada para aquelas pessoas que se amam incondicionalmente, a ponto de adorar a própria imagem, desprezando definitivamente o mundo ao seu redor. Nessa condição, a pessoa jaz, admirada com as virtudes e qualidades que pensa possuir, então morre de inanição, debruçada sobre o próprio ego.

A Bíblia elenca o que sobrevirá aos amantes de si mesmo, os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios,sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus [...]. 2 Timóteo 3:2-4

Estamos cultivando excesso de autoestima, cada dia mais pensamos que somos a primeira e única pessoa mais importante do mundo, “amar ao próximo como a nós mesmos” tem deixado de ser um ensinamento do cerne do Cristianismo e tem passado a ser uma máxima sem fundamento, isso na mente daqueles que vivem para si, sem se preocupar com as necessidades dos seus irmãos.

Desde as concepções doutrinárias, até a forma como algumas pessoas se colocam diante da vida, seu discurso, suas máximas pessoais, denunciam que o ego é inflado, que padece do que podemos chamar de síndrome de Narciso. Todas as intenções são perniciosas, com o interesse sempre motivado pela vanglória (glória vã), vaidade e desejo de ter projeção sobre os outros. O problema é que, quem assim procede poderá terminar na solidão porque com certeza ferirá as pessoas ao seu redor.

Podemos perceber esse comportamento em vários indivíduos, certamente numa simples conversa já conseguimos observar vários indícios: tem a maior inteligência, os filhos mais estudiosos, o melhor trabalho, o carro mais bonito, tudo o que faz é motivo de destaque sobre os outros “pobres mortais”.

Uma pessoa ensimesmada não consegue admirar a beleza da natureza, uma bela canção, não consegue glorificar o Criador, pois, se considera suficiente em si mesma. Por isso que temos tantos conflitos, que poucos conseguem concordar, valorizar o trabalho alheio, “considerar os outros superiores a si” , sim, eis a maneira correta de proceder com o próximo.

Infelizmente, por causa desse excesso de amor a si mesmo as pessoas magoam, pisam nos sentimentos das outras, quando erram, ao invés de pedir desculpas, encontram uma forma de fazer com que o outro se sinta culpado. Nisso tudo, falta amor, perdão, humildade e submissão à Deus; além de um exame das próprias atitudes, quem sabe o diagnóstico está bem mais claro do que se imagina.



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terça-feira, 23 de maio de 2017

Mulher Virtuosa


Por Sebastiana Inácio Lima (Diana)

Criada de forma especial

Pelas mãos do Criador
Por uma escolha sublime
De um perfeito amor.
 Esse ser especial
Deve louvar ao Senhor
Viver em integridade
Agradando ao Salvador.
 Virtuosa essa mulher
Deve buscar santidade
Meditar nas Escrituras
Viver em dignidade.
 Orar e ser um exemplo
Para as novas gerações
Ser fiel e conselheira
Em qualquer ocasião.
 Ah como é agradável!
Mulher com sabedoria
É coroa inigualável
Do esposo é a alegria.
 Uma mulher virtuosa
Faz o bem diariamente
Trabalha e é dedicada
Tem caráter excelente.
 Sabe plantar e colher
Sua base é a palavra
A leitura e a oração
É a terra que ela lavra.
 Seus filhos a reconhecem
Pela dignidade e amor
As pessoas que a conhecem
   Testemunham em seu favor. 
Tem um coração que ama
Não conhece a mesquinhez
É ungida e piedosa
Tem saber e sensatez.




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domingo, 21 de maio de 2017

Precisamos gastar os nossos dias com sabedoria


Por Sebastiana Inácio Lima

“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, Remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas entender qual seja a vontade do Senhor”. Efésios 5:15-17

Podemos abordar a sabedoria, ou a falta dela para aplicarmos a quem não anda de maneira prudente, não observa o valor do tempo que Deus nos dá para vivermos aqui nessa na terra. Sabedoria é uma palavra derivada do grego “sofia” (estudo, conhecimento) que, por sua vez, vem de “sophos” (sábio), e tem como significado “aquilo que o sábio possui”. O latim tem a palavra “sapere” para expressar sabedoria.
         
Nesse texto vemos há uma ênfase a olharmos prudentemente como estamos andando, de forma sábia, remindo o tempo, valorizando, aproveitando de forma saudável e proveitosa. Sabemos que vivemos dias corridos, de maneira insensata e sem foco, perdidos num emaranhado de atividades seculares, maçantes e infrutíferas.

Aprendemos a viver de modo errado desde a mais tenra infância, principalmente aqueles que são oriundos de lares que não professavam a fé cristã. Todos nós queremos viver uma vida agradável, feliz, abastada. E desde cedo aprendemos de forma errada o que são “as boas coisas da vida”. Aprendemos com o mundo coisas absurdamente contrárias à Palavra de Deus. Aquilo que atenta contra a santidade de Deus é ensinado a ser praticado pelo mundo sem nenhum pudor, ou temos de desagradá-lo. O mundo chama ao bem mal e ao mal bem: Isaías 5:20,21 Vejamos: Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos!

Gastamos o nosso tempo sem nenhuma preocupação de glorificar a Deus, “eu de muito boa vontade gastarei, e me deixarei gastar pelas vossas almas, ainda que, amando-vos cada vez mais, seja menos amado”. (2 Co 12.15). Precisamos os gastar pela obra de Deus, pelo progresso do Evangelho, pelo anelo da sua presença. Temos desperdiçado tempo, saúde e vigor em atividades que depois de acabadas não nos trazem nenhuma recompensa virtuosa, não agregam valor a nada nem a ninguém, tempo gasto em edifícios de palha.

O Tempo é uma Criação de Deus. “Chamou Deus à luz Dia e às trevas, Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia.” (Gênesis 1:5) O Tempo está submisso à soberania de Deus. Isso significa que não há lugar para o acaso, para a coincidência. Há um Deus que está no controle de tudo. O Tempo é dirigido pela sabedoria de Deus, acentua em nós a sede da eternidade, revela a nossa limitação e a grandeza de Deus.

Os homens, tem brincado com o tempo que Deus os concedeu, vivem como se fossem infinitos e morrem de maneira repentina sem que tivessem aproveitado com sabedoria, os dias que lhe foram presenteados pelo Criador. A Bíblia diz que o homem é como neblina, como relva, como um sonho, para acentuar a brevidade e a fragilidade da vida humana. Diz também, que Deus é de eternidade em eternidade; Ele é o EU SOU. Mil anos para Ele é como um dia e um dia como mil anos.

Em algumas ocasiões não tiramos lições das adversidades, não aprendemos com a pedagogia de Deus, não queremos receber as correções de Deus, queremos andar segundo o nosso enganoso coração. Isso denota falta de sabedoria. Fazemos planos esquecendo de que somos limitados: “digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece. Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo.” Tiago 4:14,15

De forma ainda mais arrogante e néscia, ousamos buscar mérito naquilo que o Senhor nos usou para edificar, queremos o louvor pelas obras que executamos. “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.” Romanos 11:36, essa atitude é típica da nossa natureza caída, que ainda não tendo sido consumado todo o pecado, estando nós nesse “corpo de morte” como disse o apóstolo Paulo, ainda não deixamos de pecar, embora esses pecados não sejam mais imputados como condenação, ainda nos afetam por causa da justiça de Deus (aquilo que o homem plantar, certamente colherá)[1]

Será que vivemos de modo digo do Evangelho de Cristo? Às vezes vivemos como se Deus ao existisse, não temos uma vida cristã madura, ao lutamos pela nossa fé, as vezes temos ativismo sem amor. “Vivei, acima de tudo, por modo digno do Evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica;” Fp 1.27

O evangelho os constrange ao amor, a santidade, a obediência, ao perdão, nos direciona a lutar pela causa de Cristo. A nossa sabedoria humana não nos dá segurança, em Eclesiastes 7:11,12: “A sabedoria é algo tão bom quanto uma valiosa herança, e é uma bênção para todos quantos vivem debaixo do sol [...]”.

Mas precisamos priorizar o reino de Deus: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. 34 Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” Mateus 6:25-34. O que temos feito com o nosso tempo? Com os nossos melhores dias, a saúde, com a família? Será que ao invés de buscar uma vida de paz e harmonia não estamos encontrando problemas em todos os lugares? O que tem sido nosso primeiro pensamento? Será que temos meditado as coisas que nos esperam nos céus, será que estamos aproveitando o nosso tempo, fazendo tudo para a glória de Deus?
Não podemos viver murmurando por que passamos por dificuldades. Não podemos brincar com o tempo, aqui os dias correm e não podemos deter o relógio. Perdemos tempo remoendo problemas, deixando de orar, deixando de ler e meditar na Palavra de Deus. Precisamos aprender a sabedoria, e só pedindo a Deus, o detentor de toda a sabedoria é que teremos.

Referência

Bíblia Almeida Corrigida e Fiel


[1] Gálatas 6.7.

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quarta-feira, 10 de maio de 2017

A Redenção em Cristo Jesus na Carta de Paulo aos Colossenses


Sebastiana Inácio Lima [1]

 
Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho amado, em quem temos a redenção, a saber, o perdão dos pecados. Colossenses 1:13,14

 
O presente texto, fala acerca do resgate do homem do caminho das trevas, por causa da queda, e o caminho novo que o Senhor nos concedeu pela sua maravilhosa graça. Não no sentido de salvação universal, mas, do resgate de um povo eleito pelo conselho da sua vontade, para a sua glória.
Sobre ter a redenção em Cristo e Nele também ter o perdão dos pecados, poderíamos falar de diversas maneiras, fazer as mais amplas aplicações, mas vamos iniciar demonstrando a concepção de Barclay sobre os benefícios que os cristãos receberam em Cristo, através de algumas citações de parte do seu comentário a Colossenses.
Deus concedeu aos Colossenses participarem da herança dos santos, fazendo-os parte do povo de Deus:
 
Deus deu participação aos Colossenses na herança dos santos em luz. O primeiro privilégio é que aos gentios foi concedido que participassem da herança do povo escolhido de Deus. Os judeus tinham sido sempre o povo escolhido de Deus, [...] mas agora as portas estão abertas aos gentios e a todos os homens; não só os judeus, mas também todos os homens e todas as nações têm entrada na herança do povo de Deus. BARCLAY, (p.31).

Em segundo lugar Barclay aponta outra ideia chave sobre o sentido de transladar:

[...] é que Deus nos transladou para o reino do seu Filho muito amado (v. 13, TB). A palavra que Paulo usa para transladar é methistemi. (transportar, transferir, mudar). No mundo antigo quando um império obtinha uma vitória sobre outro havia o costume de trasladar inteiramente a população do vencido a outro país. Assim, por exemplo, o povo do reino do Norte tinha sido levado a Assíria e o povo de Jerusalém e do reino do Sul a Babilônia. Esta transferência de populações inteiras era uma característica do mundo antigo. Assim é como diz Paulo que Deus transferiu o cristão a seu próprio domínio e reino: tirou-o do âmbito em que costumava viver para levá-lo a seu próprio reino e poder. Esta transferência realizada por Deus não é só um traslado, mas também um resgate com quatro notas características.
(a) É um traslado das trevas à luz. Em Jesus Cristo Deus nos deu uma luz para viver e morrer na mesma.
(b) Significa um traslado da escravidão à liberdade, quer dizer, da redenção. A palavra usa-se para a emancipação de um escravo e para o resgate de algo que estava em poder de outro. Sem Deus, os homens são escravos de seus temores, de seus pecados e de sua própria impotência. Em Jesus Cristo encontra-se uma libertação que elimina o medo e a frustração.
(c) Significa um traslado da condenação ao perdão.
(d) Significa um translado do poder de Satanás ao poder de Deus. Por Jesus Cristo o homem é liberto do poder de Satanás e se converte em cidadão do reino de Deus. Assim como o conquistador terrestre transladava os cidadãos do país conquistado a outro país e outro reino, assim também, Deus em seu amor triunfante translada os homens do reino do pecado e das trevas ao reino da santidade, da luz e do amor. BARCLAY, (p.32-33).

O Senhor nos resgatou, não foi um processo participativo, eu fui resgatado sem que eu agisse, sem que eu fosse sujeito ativo, Deus, por meio de Cristo me resgatou, não foi um pedido de socorro que Deus atendeu da minha parte. Há um sujeito agente, Deus, um paciente (eu), portanto tira totalmente a vaidade de quem pensa que é autor desse processo por meio da atividade evangelística seja qual for. Não é a nossa militância eclesiástica que efetua esse processo de resgate, nem as nossas aptidões e esforço pessoal, ou mesmo o nosso amor pela obra de Deus.
Imerso em trevas, sob o peso do salário maldito do pecado, a morte, não havia nenhum movimento em direção a Deus, da minha parte, nada do que eu pensava ou fazia tinha algum vestígio de graça, nenhum vislumbre de luz poderia indicar o caminho à divindade de Deus. Não conseguia pedir socorro, pois os meus pecados me separavam veementemente de Deus. Esse transporte, ou translado, faz toda a diferença na vida do salvo em Cristo. Foi a providência de Deus, maravilhosa, capaz de resgatar, de libertar do domínio das trevas e transladar, de um lugar para outro, methistemi. Só o sacrifício de Jesus poderia fazer isso por nós, nosso estado de completa morte espiritual pelo pecado, jamais tomaríamos o rumo da salvação, se Deus não tivesse nos resgatado, arrancado do domínio das trevas e nos transportar para o reino do seu Filho Amado. Não é possível que alguém em completo estado de depravação, morto em pecado possa ter a iniciativa para algo, portanto, só o Senhor poderia intervir, e assim o fez, vejamos:

E é pelo sangue deste que temos a redenção, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que ele derramou profusamente sobre nós, infundindo-nos toda a sabedoria e inteligência, dando-nos a conhecer o mistério da sua vontade, conforme decisão prévia que lhe aprouve tomar para levar o tempo à sua plenitude, a de em Cristo encabeçar todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra. Nele, predestinados pelo propósito daquele que tudo opera segundo o conselho da sua vontade, fomos feitos sua herança, [...]. Efésios 1.7-11.

Fomos transportados para o reino do Seu Filho amado quando o senhor nos resgata o reino de Deus nas nossas vidas começa, nessa caminhada aqui na terra e é manifesto de maneira plena na consumação da sua glória. Dentro de uma cosmovisão cristã, podemos entender que a obra de Deus é dividida entre: criação, queda, redenção e consumação. A vida cristã é um prelúdio do que teremos e viveremos na consumação de toda a sua obra redentora.
 

“O qual se deu a si mesmo por nós para nos redimir [3084 lutroo] de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras. (Tito 2:14, tradução literal) 18 Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que por tradição recebestes dos vossos pais, 19 Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado.” 1 Pedro 1:18-19.
 

Na pessoa de Cristo Jesus, Nele e somente Nele, por seu intermédio! Ele é a perfeição, a porta, o perdão, o autor da salvação, o princípio e o fim, por Ele é o Cristo, filho do Deus vivo. A redenção é somente por Ele. A salvação, ordenada pelo Pai, administrada pelo Espírito é realizada pelo Filho, o primeiro agente da salvação é o Deus Filho.
Esse translado significa que os nossos pecados foram perdoados, aquilo que recebemos justamente, aquela pena cabível pelo qual fomos distanciados da perfeição criada por Deus, a atitude mais hedionda diante de um Deus santo, a pena capital, a morte, a qual toda a humanidade era merecedora, foi aplicada sobre Cristo Jesus, ele levou sobre si as nossas dores:

E no entanto, eram nossos sofrimentos que ele levava sobre si, nossas dores que ele carregava. Mas nós o tínhamos como vítima do castigo, ferido por Deus e humilhado. Mas ele foi trespassado pelas nossas transgressões, esmagado por causa das nossas iniqüidades. O castigo que havia de trazer-nos a paz, caiu sobre ele, sim, por suas feridas fomos curados. Isaías 53:4,5.

É difícil para algumas pessoas aceitarem o fato de que a salvação não é para todas as pessoas em todos os lugares do mundo, que Deus não dá a chance dos seres humanos decidirem se querem aceitá-lo ou não, de que pessoas nascem e morrem todos os dias e entre elas tem salvas e perdidas. Mas precisamos entender quão grande redenção, foi dada por Deus por meio de Cristo Jesus.
Com a queda dos nossos primeiros pais, Adão e Eva, toda a humanidade estava perdida e ia justamente (de forma justa, merecidamente), para o inferno. Nem os salvos eram melhores, nem os perdidos eram piores, todos estavam na mesma situação de morte espiritual, não por um acidente, nem por ter sido levado ao pecado por que alguém lhe impôs, mas por deliberada rebeldia, vontade. Os únicos que tiveram a opção de escolher, escolheram a morte através do pecado. Mas somos salvos pela graça, mediante a fé
 

Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie. Efésios 2:8,9

Conclusão

Éramos mortos, perdidos, errantes no deserto, ovelhas sem pastor, condenados a estar eternamente longe do Senhor, porém pela graça maravilhosa graça, imerecidamente, fomos resgatados, arrancados do domínio das trevas, transportados, no sentido de transladados de um lugar de trevas para um lugar de luz, plantados no reino do Filho de Deus, através do perdão dos nossos pecados. Será que estamos dando o devido crédito a essa posição de dignidade que o Senhor nos concedeu? Como temos olhado para Jesus? Será que temos a devida gratidão? Que tipo de cristão nós somos? Quando falamos em evangelismo, salvação, redenção, senhor que entendemos a dimensão do que o Senhor fez por nós? Ou será que queremos mérito naquilo que o Senhor fez? Que possamos nos quebrantar, nos colocar na posição de escravos comprados pelo sangue, dependentes unicamente de Jesus, para anunciar essa tão grande redenção. Mas façamos isso com amor, temor e sabedoria na Palavra do Senhor.

NOTAS E REFERÊNCIAS

[1] Graduada em Filosofia pela UEPB, Mestranda em Filosofia UFPB, na linha de pesquisa: Lógica e Epistemologia – (Desenvolve projeto de pesquisa na Ética de Santo Tomás de Aquino), seminarista do STCNE.

BARCLAY, William. Colossians. Tradução de Carlos Biagini. Disponível em: <<http://www.iprichmond.com/filipenses>>. Acessado em 27 de outubro de 2016, 17h.

BÍBLIA DE JERUSALÉM. Nova edição, revista e ampliada. Paulus, 2002.


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domingo, 7 de maio de 2017

Homem e Mulher - Diferença entre os papéis no lar


                                                                                    Por Karoline Evangelista

Escrevi um texto com o título: “Homem e Mulher, Iguais ou Complementares?” [1] Cuja conclusão aduziu, segundo a Bíblia, que homens e mulheres são iguais como pessoa e complementares em seus papéis. Mas qual o papel do homem e qual o papel da mulher, para que ambos exerçam a verdadeira masculinidade e feminilidade, respectivamente, dentro do casamento, para a glória do Criador? Escrevo esse texto para tratar desse assunto, mais diretamente.

Temos que partir do temido texto de Paulo aos Efésios, capítulo 5. Mulheres, adentrem sem medo e vejam o quanto esse texto é maravilhoso!

Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus. Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Senhor à igreja; Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos. Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja. Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo, e a mulher reverencie o marido (Ef.5.21-33). 

Os versículos 22, 23 e 24 são os mais utilizados pelos homens na famosa DR (discussão de relacionamento), eles só usam esses 3 mesmo, porque os outros 9 versículos que se seguem, se também mencionados por eles, poderia virar o jogo, caso o conflito tenha sido motivado por interesses egoístas. Apesar de temido e infelizmente muito mal interpretado, Efésios 5 é um texto lindo e romântico, no melhor sentido da palavra, vejamos: Paulo expõe o exemplo de Jesus, para mostrar que a união entre o homem e a mulher é uma representação da união do noivo Cristo com a sua noiva, a Igreja. Quanta beleza há em um casamento! Afora o glamouroso vestido da noiva, as lindas flores e de tudo que adorna uma celebração de casamento, há a pintura de um quadro eterno, há o retrato de um mistério soberano.

O marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja”, não há saída de emergência nessa área, a palavra “cabeça” de fato significa autoridade. O homem recebeu de Deus o papel de liderança dentro do casamento, para ser exercido conforme o modelo de Cristo. Observemos, portanto, como o Verdadeiro Homem desenvolveu o seu papel. Para tanto, precisaremos comparar o primeiro Adão, o fracassado, com o segundo Adão, Aquele que mostrou o que é ser Homem.

Como descrito no livro de Gênesis, capítulo 3, sabemos que Adão foi incapaz de proteger Eva da serpente, quando ele deveria ter pisado na cabeça da serpente e ainda mais, diante da presença de Deus, sua atitude foi de culpar a mulher, na tentativa de encobrir o seu fracasso e covardia, mas ele deveria ter dado a sua vida por ela. Como sabemos, Adão fez tudo errado. Foi necessário que Deus enviasse um novo Adão, este, pisou na cabeça da serpente e não usou a sua autoridade para condenar sua noiva (a Igreja), mesmo ela sendo culpada, mas para servi-la e entregar o seu próprio corpo para ser crucificado, sofrendo a vergonha da cruz. Eis o que significa ser Homem. Olhem para Ele e aprendam!

Aprendam que homem de verdade é aquele que se sacrifica pelo bem da esposa, que abre mão dos seus interesses em benefício dela, que se doa, que abre mão dos seus próprios direitos e conforto e entrega a sua vida por ela. Cristo fez a sua Igreja amá-lo, Cristo vestiu a Sua Igreja e a fez bela. Cabe aos homens a seguinte reflexão: A sua esposa não te ama? Ela não parece mais tão bela? O que você fez com ela? A autoridade que lhe foi atribuída é para tornar a mulher gloriosa, reconhecendo a sua igualdade com ela, como pessoa, e investindo no bem dela, o que é contrário a usá-la como instrumento para a realização dos seus interesses egoístas. ”Liderança envolve a responsabilidade de agir para o benefício de um outro, não o direito de mandar os outros a lhe servir” [2].

Jonh Piper, tratando deste assunto, define da seguinte maneira: “Liderança é o chamado divino para um marido assumir a responsabilidade primária por direcionamento servil como o de Cristo, proteção e provisão no lar” [3]. Como a igreja deve olhar só a Cristo para seu sustento material e cuidado espiritual, a esposa e a família devem olhar à cabeça do lar para o sustento material, e o cuidado moral e espiritual” [2]. O homem tem o dever de governar o seu lar, o principal responsável pela provisão do sustento da família, também o líder espiritual, e é importante que este lute contra a avareza, contra a ansiedade que o seu papel pode gerar, caso a sua confiança em Deus fraqueje, pois, por amor ao dinheiro ou devido a preocupações com o amanhã, ele pode ser arrastado a trabalhar em excesso, enquanto a sua família padece com a escassez do cuidado espiritual e emocional. A Palavra do Senhor trata os tais da seguinte maneira: Se alguém não cuida dos seus e especialmente dos de sua família, tem negado a fé e é pior que um incrédulo (1 Tm 5.8). 

E quanto à mulher trabalhar fora de casa? Não há proibição! Podemos, nós mulheres, exercer uma profissão, desde que tenhamos a consciência de que o nosso lar não deve ser desprezado, desde que o nosso plano para a maternidade não seja adiado pelo motivo de ser menosprezado por nós, ou quando a mulher já se tornou mãe, não abandone a criação do seu filho, em nome de um status social, o qual biblicamente não a dignifica como mulher.

O Salmo 128 descreve a felicidade no lar, e nele, a mulher é retratada como a videira frutífera no interior de sua casa:

Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera, no interior da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira, ao redor da tua mesa (Sl.128.1-3, ênfase da autora). 

Deixando assim claro que a prioridade da mulher deve ser o seu lar. O que não a isenta de ser benção para outras pessoas. Em Provérbios 31 temos o modelo da mulher virtuosa, ficando evidente, no texto, a valorização do trabalho de administração, mão de obra, comércio, mas tudo pelo “bom andamento da sua casa” e nunca em detrimento dele:

Ela busca lã e linho, E de bom grado trabalha com as suas mãos. É como os navios do negociante; De longe traz o seu pão. Também se levanta, quando ainda está escuro, E dá mantimento à sua casa, E às suas escravas a tarefa. Considera um campo, e compra-o; Com o fruto das suas mãos planta uma vinha. Cinge os seus lombos de fortaleza, E corrobora os seus braços. Percebe que a sua negociação é proveitosa; A sua lâmpada não se apaga de noite. Estende as suas mãos ao fuso, E com a mão pega na roca. Abre a sua mão para o pobre, Estende ao necessitado as suas mãos. Não tem medo da neve pela sua família, Pois todos os da sua casa estão vestidos de escarlate. Faz para si cobertas, Veste-se de linho finíssimo e de púrpura. Conhece-se seu marido nas portas, Quando se assenta entre os anciãos da terra. Faz vestidos de linho e vende-os; E entrega cintas ao negociante. A força e a dignidade são os seus vestidos, E ri-se do tempo vindouro. Abre a sua boca com sabedoria, E a instrução amável está na sua língua. Atende ao bom andamento da sua casa, E não come o pão da preguiça. Seus filhos levantam-se e chamam-na bem-aventurada; Também seu marido a louva, dizendo: Muitas filhas têm procedido virtuosamente, Mas tu a todas sobrepujas. A graça é enganadora, e a formosura é vã; Mas a mulher que teme a Jeová, essa será louvada. Dai-lhe do fruto das suas mãos; E nas portas louvem-na as suas obras (Pv. 31.13-31, ênfase da autora).
    
Na epístola do apóstolo Paulo a Tito, lemos:
                                     
As mulheres idosas, semelhantemente, que sejam reverentes no seu viver, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do bem, para que ensinem as mulheres novas a amarem aos seus maridos e filhos, a serem moderadas, castas, operosas donas de casa, bondosas, submissas a seus maridos, para que a palavra de Deus não seja blasfemada (Tt 2.3-5, ênfase da autora).

Se a mulher gosta de trabalhar fora, almeja crescer profissionalmente, que ela receba apoio, até o momento em que sua vida profissional não interfira negativamente no cuidado do seu lar.

A sociedade avessa à Palavra de Deus se prende em busca de liberdade, lançando longe a chave para a felicidade no casamento. Cifrões nos olhos são vendas que nos impedem de enxergar que investimentos eternos (obedecer a Deus, criar os filhos no Caminho do Senhor...) ninguém nos rouba, enquanto os tesouros da terra podem facilmente ser perdidos (cf. Mt 6.18-21; 2 Co 4.18).  Se homens e mulheres cumprissem os seus papéis, como ordenados pelo Criador, a esposa abriria mão de sua autonomia para respeitar e honrar o seu esposo, que por sua vez, abriria mão de seu narcisismo a ponto de entregar a vida pela sua esposa.

As feministas que lutam para tomar o papel do homem, não odeiam a masculinidade, elas odeiam a feminilidade, elas odeiam o papel da mulher que a Bíblia oferece, por acreditarem que, o mesmo, não confira valor social ao sexo feminino, no entanto “o lar tem suma importância na vida humana pois é o berço de costumes, hábitos, caráter, crenças e morais de cada ser humano, seja no contexto mundial, nacional, municipal ou familiar. Então, podemos dizer, como vai o lar vai o mundo, e também, o que é bom para a família é bom para o mundo” [2]. Ao mesmo tempo que devemos, como cristãos, ser contra o feminismo, enfatizo que o combate ao machismo, à violência contra as mulheres, ao padrão “photoshopiado” de beleza, à “coisificação” do corpo da mulher, é uma luta louvável! Desconheço base bíblica fiel para justificar a passividade dos cristãos diante da injustiça à seres humanos.

A Bíblia, ao contrário do que muitas feministas afirmam, não é um livro machista e não é um livro antiquado para nenhuma época, é a Palavra de Deus. E em uma época, onde a mulher era, culturalmente, considerada propriedade do marido, a Bíblia revoluciona ao dizer que “o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher” (1 Co 7.4), sendo a recíproca verdadeira, tratando sobre às relações sexuais no casamento. E em uma época ainda mais remota, o Antigo Testamento revela a mesma verdade, de forma poética, no livro de Cântico: “O meu amado é meu, e eu sou dele” (cf. Ct 2.6, 6.3).

Jesus rompeu com a tradição da época e ensinou às mulheres: “E tinha esta uma irmã chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra” (Lucas 10.39). Mulheres ajudaram financeiramente o ministério de Jesus: “E Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens” (Lucas 8.3); Jesus protegeu a mulher adúltera do apedrejamento quando a igualou aos outros pecadores: “Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela” (João 8.7). Foram mulheres, as primeiras testemunhas e proclamadoras de sua ressurreição:
     E, saindo elas pressurosamente do sepulcro, com temor e grande alegria, correram a anunciá-lo aos seus discípulos. E, indo elas a dar as novas aos seus discípulos, eis que Jesus lhes sai ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram. Então Jesus disse-lhes: Não temais; ide dizer a meus irmãos que vão à Galileia, e lá me verão (Mt 28.8-10).

            E se alguém entende que a submissão feminina torna a mulher inferior ao homem, este, além de tolo, é herege, pois esse é o modelo encontrado na Trindade, onde Jesus se submete ao Pai; por acaso Cristo é inferior ao Pai? Jesus é Deus, um com o Pai. De sorte que no relato da criação está explícita a igualdade entre o homem e a mulher, como pessoas, ambos criados a imagem de Deus: E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gn 1.27). Portanto um não pode ser superior ao outro, mas ambos devem cumprir os seus diferentes papéis em prol do bom relacionamento, conforme os parâmetros do Criador, para a glória de Cristo.

Kathy Keller, em um livro que escreveu com o seu esposo, Timothy Keller, diz que homens e mulheres desempenham o papel de Jesus no casamento, o homem deve desempenhar o papel de Jesus em sua autoridade sacrificial, e a mulher reflete o papel de Jesus em sua submissão sacrificial [4]. Jesus em sua submissão ao Pai é modelo para a submissão feminina ao esposo, e em seu sacrifício à Igreja, é o exemplo para a liderança do marido. O mundo diz aos homens que para serem grandes, devem ser servidos pelas mulheres, o mundo diz às mulheres que para serem grandes devem exercer autoridade sobre os homens, Cristo diz: 

Não é assim entre vós. Mas quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós, será esse o vosso servo. É assim que o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos (Mt 20.26-28). 

            Kathy Keller também faz o pertinente comentário:

A esposa não deve obedecer ao marido incondicionalmente. Nenhum ser humano deve oferecer obediência incondicional a qualquer outro ser humano. Como Pedro diz: “É mais importante, obedecer a Deus que aos homens” (At 5.29). Em outras palavras, a esposa não deve obedecer ao marido ou ajudá-lo fazendo aquilo que Deus proíbe, como vender drogas, ou permitir que ele abuse dela. Se, por exemplo, ele a agredir fisicamente, como “ajudadora forte” essa esposa deve exercer amor e perdoar o marido de coração, mas também deve tomar as providências para que ele seja preso. Nunca é ato de bondade ou amor facilitar a prática do mal por parte do cônjuge [4].

O mal da opressão contra as mulheres e o que as levantam como inimigas dos homens só pode ser sanado quando reconhecida a sua causa e injetada a correta medicação. A Bíblia diagnostica, o nome da doença é pecado e a cura é satisfação em Deus. Quando satisfeitos em Deus, procuraremos viver para a sua glória. Se Ele assim definiu a masculinidade e a feminilidade, e no cumprimento dos papéis que Ele designou, o Seu nome será glorificado, cumpramos os nossos papéis e teremos o homem e a mulher reconciliados, somente porque são primeiramente satisfeitos em Deus.

 NOTAS

[1] EVANGELISTA, Karoline. Homem e Mulher, Iguais ou Complementares? Disponível em: http://www.cosmovisaocrista.com/2016/07/homem-e-mulher-iguais-ou complementares.html

[2] GARDNER, Calvin. O que a Bíblia diz sobre o homem do lar. Disponível em: http://solascriptura-tt.org/VidaDosCrentes/ComFamilia/QDizBibliaSobreHomemLar-CGardner.htm

[3] PIPER, John. O sentido último da verdadeira feminilidade. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Vn1ERzRn7ds

[4] KELLER, Timothy; KELLER, Kathy. O significado do casamento. Vida Nova, 2012.
  

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

CARTA AOS MEUS SOBRINHOS



 Naira Luiza e Nicolas, leiam as cartas de Paulo

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Por Karoline Evangelista

Naira Luiza e Nicolas, vocês que na vida saboreiam a doce calda de chocolate, conhecida como infância, e são objeto de nosso afeto, abraços, beijos e excessiva proteção; desejo a vocês a delícia da cobertura mais nobre, o carinho e a proteção que há de vos acompanhar durante toda a caminhada e jamais findará, alcançando plenitude na eternidade. Vocês precisam, agora e para sempre, conhecer a voz que guia os vossos passos e sustenta os vossos pés, que acalenta a alma e enxuga as lágrimas, que ensina, corrige e habilita para toda boa obra (cf. 2 Tm. 4:16-17).

Escrevo, portanto, esta carta para indicar a vocês outras cartas, estas com palavras vivas, que alimentam, que saciam, que satisfazem, que protegem, que fazem sorrir e chorar, e acima de tudo, são poderosas em Deus para "fazer de vocês sábios para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus" (cf. 2 Tm 3:15). Naira Luiza e Nicolas, leiam a Bíblia Sagrada! Nesta ocasião, irei apresentar-lhes, brevemente, as cartas escritas, sob inspiração do Espírito Santo, pelo apóstolo Paulo e o porquê de vocês precisarem estudá-las.

A carta aos Gálatas nos diz que há um monstro chamado Legalismo e ele costuma assustar adultos e crianças por desvirtuar de forma cruel a mensagem do evangelho, mas tenham o seguinte em mente: Ordens, proibições, regras, rituais que são impostos com a melhor das intenções, se não forem ordens bíblicas serão apenas para perturbação e prejuízo espiritual. Não permitam que esse monstro acerte vocês ao atirar suas flechas com setas afiadas pelo julgo farisaico e nem que sejam presos com algemas de falsa santidade, tornando-se escravos de uma vontade antiblíblica.

"Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo" (Gl. 2.16), nada podemos acrescentar à justiça de Cristo imputada a nós. Paulo também escreve aos gálatas advertindo-os contra outro monstro, o Antinomismo, este monstro prega a libertinagem, banalizando a graça de Cristo, defende o pecado; por isso não caiam nas armadilhas dele, "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6:7).

         Sobrinhos amados, estamos aqui de passagem, faz parte dessa viagem vivenciarmos a partida de pessoas que deixarão uma imensa dor, chamada saudade; aos tessalonicenses, Paulo escreveu duas cartas, que muito nos consolam em relação a isso. Ele aponta para a volta de Cristo e para o fato de que os salvos que partem antes de nós desfrutam de alegria e paz na glória do Senhor, e um dia todos nos encontraremos e viveremos eternamente na alegria plena da presença do Pai (cf.1 Tess 4.13-18).

Enquanto isso, a Palavra de Deus é bálsamo para as nossas feridas e guia para que caminhemos com sabedoria, examinando tudo, retendo aquilo que é bom, fugindo da aparência do mal e nos conservando irrepreensíveis, para sermos achados belos, como a noiva que se adorna para o dia do casamento, na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. 1Tess 5.21-23). Durante o tempo em que aguardamos a Sua volta, vivamos com intensidade, cumprindo os nossos deveres sociais, sempre de acordo com a vontade do Pai (cf. 2 Tess. 3. 11-12).

Paulo escreve algumas cartas à Igreja de Corinto, temos o registro de duas delas. Importa saber que a cidade de Corinto carregava uma fama vergonhosa, havia muita adoração a deuses falsos (paganismo) e ligado a isso, uma imoralidade sexual inaceitável! Paulo escreve para responder diversas perguntas que os coríntios o fizeram e que são imensamente relevantes em nossos dias; se seguirem os conselhos do apóstolo, vocês correrão em alta velocidade na contramão da fornicação (ato sexual antes do casamento), sabendo que o sexo é benção dentro do casamento, mas maldição fora dele. Também hão de ficar longe do orgulho e das guerras por títulos dentro da igreja, preferirão se amar a se armar, pois a utilização dos mais belos dons de nada valerá se não houver amor (cf. 1 Co 13).

O apóstolo Paulo esteve preso por diversas vezes, e enquanto esteve detido, não deteve a Palavra de Deus, mas continuou comunicando as Boas Novas às Igrejas. Ele escreveu cartas aos Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Escrevendo a Filemom, Paulo pede que ele perdoe o seu escravo Onésimo, que havia fugido e o receba como irmão em Cristo; é apenas um capítulo, durará pouco tempo a sua leitura e duraram para sempre os seus ensinos; o perdão, a humildade, o amor, a gratidão e a irmandade em Cristo são alguns dos valores impressos nesta carta.

Consideradas cartas gêmeas, as cartas de Paulo aos Colossenses e aos Efésios são compostas de doutrina e exortação, aprendemos com estas cartas que Cristo é a cabeça da Igreja, portanto a Igreja é o corpo de Cristo (cf. Ef.1.22-23 e Cl 1.18); estamos unidos eternamente! Se queremos ser cheios do Espírito Santo, precisamos saber que isso corresponde a ser cheio da Palavra de Cristo, e o grande sinal daquele que é cheio do Espírito Santo é que ele se relaciona bem com todas as pessoas do seu convívio, pai, mãe, esposa, esposo, filhos, patrão/empregado... são todos bem tratados por aquele que é cheio do Espírito (cf. Ef.5.18-33 e Cl. 3.16-25).  

Paulo, em suas prisões, nos ensina o imensurável valor do Evangelho! Custe o que custar, perseveremos no ministério! (cf. Ef.6.19-20 e Cl 4.3). Aos Filipenses, Paulo escreve com muito amor, gratidão e uma humildade apreciável! O capítulo 2 é um dos capítulos mais emocionantes de toda a Escritura, onde nos é exposta a deidade e a humildade do nosso Salvador, que sendo Deus tomou forma de homem, não considerando a si mesmo, Ele atentou para a nossa necessidade, e esse é o modelo que devemos seguir no trato com os nossos irmãos. Entre outras lições preciosas, vocês aprenderão que a oração é o melhor remédio contra a ansiedade e que devem alegrar-se quando sofrerem pela causa do Evangelho, pois tudo vocês podem enfrentar naquele que vos fortalece (cf. Fp 4.13).

Por fim, as cartas do apóstolo Paulo a Timóteo e Tito visa a prepará-los para o pastorado, advertindo-os a cuidarem de si mesmos e da doutrina (cf. 1 Tm 4.16) para que a sã doutrina seja conservada (cf. Tt 2.1; 2 Tm. 1.13), pois as Sagradas Escrituras são suficientes para o cuidado da noiva de Cristo (cf. 2 Tm 3.16), e os enganadores, que pregam outro Evangelho, devem ser severamente repreendidos! (cf. Tt 1.9-16).

Nos nossos dias, não é diferente, muitos preferem seguir os falsos mestres; “porém, vocês, permaneçam naquilo que aprenderam, e de que foram inteirados, sabendo de quem o tens aprendido, E que desde a vossa meninice sabem as sagradas Escrituras, que podem fazer-vos sábios para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus”. (cf. 2 Tm 3.14,15). Não cessem, portanto, de se dedicarem ao estudo da Palavra do Pai e "Assim, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém (1 Tm 1.17). 
Um beijo da tia que vos ama muito!



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