• Em 2018 o evento contará com a presença de um grande número de preletores, entre eles o pastor estadunidense Paul Washer que é o diretor e coordenador de Missões da "Sociedade Missionaria HeartCry".
  • "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos". (Sl 119.105)
  • "Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não apagueis o Espírito". (1Ts 5.17-19)
  • "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé". (Rm 1.16,17)
  • "[...] exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos". (Jd 3)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Política, o que eu tenho a ver com isso? - Por Sebastiana I. Lima


Diante dos acontecimentos no cenário político do país, os cristãos chegam a se questionar, o que eu tenho a ver com a política? Eu diria: - Tudo! A política é uma palavra que vem do grego pólis e o seu significado é “cidade”. Portanto, “a política é a arte de governar, de gerir os destinos da cidade. É a atividade por excelência que diz respeito à vida publica”. (ARANHA, 2005, p. 256).

É possível observar que, a maioria dos cristãos prefere ficar à margem da política, enquanto outros pensam que o cristão naturalmente precisa defender uma doutrina política determinada, de maneira cega a ponto de não usar o senso crítico. O fazem no sentido mais rasteiro possível e ingenuamente não percebem estar sendo na grande maioria das vezes, manobrados por interesses perversos. Contudo, política vai além de escolher e simpatizar por um partido político ou doutrina determinada, vejamos o diz Aristóteles:

Assim, o homem é um animal cívico, mais social do que as abelhas e os
outros animais que vivem juntos. A natureza, que nada faz em vão, concedeu
apenas a ele o dom da palavra, que não devemos confundir com os sons da
voz. Estes são apenas a expressão de sensações agradáveis ou desagradáveis, de que os outros animais são, como nós, capazes. A natureza deu-lhes um órgão limitado a este único efeito; nós, porém, temos a mais, senão o conhecimento desenvolvido, pelo menos o sentimento obscuro do bem e do mal, do útil e do nocivo, do justo e do injusto, objetos para a manifestação dos quais nos foi principalmente dado o órgão da fala. Este comércio da palavra é o laço de toda sociedade doméstica e civil. (ARISTÓTELES, 1985, p. 11).

É preciso refletir sobre o assunto (política), estudar o tema, observar as questões que rondam no seu entorno. Não dá para ficar à margem, apenas contemplando com uma venda negra nos olhos. Os cristãos precisam exercer influência, sair da passividade, do analfabetismo político, temos homens e mulheres conhecedores de várias ciências, não é possível ficarmos inerte e vermos a política ser feita por aves de rapina, sedentas por ganância e corruptas de ética e caráter.

Quem deveria entrar na política? Para Platão, era necessário que o governante fosse virtuoso, a justiça é um dos atributos mais defendidos por Platão, o governante deveria ter conhecimentos, sabedoria e ser justo. Bem diferente do que vemos, com pequena exceção, os governantes brasileiros, são geralmente os piores: desprovidos de conhecimento, eleitos através da compra de votos, despreparados intelectualmente, corruptos, descendentes de senhores de escravos, de ex torturadores da Ditadura militar, etc. Nossa paleta de opções para escolha de voto é de dar medo, de causar no mínimo, vergonha.

Os políticos brasileiros são escolhidos de maneira democrática, portanto, são nossos representantes. Como pode um povo justo, sábio, honesto, escolher políticos tão corruptos? Eles representam toda essa nação, que tristeza, somos corruptos e injustos com eles. Se o meu representante é corrupto, eu sou corrupta com ele, porque uma pessoa em sã consciência não recrutaria um funcionário com uma ficha suja, com um currículo vergonhoso para lhe representar.

William Barclay no seu comentário a Romanos 13.1-7 afirma:

[...] há mais que uma relação meramente temporal entre o cristão e o Estado. Pode ser que Paulo tivesse presente as circunstâncias causadas pela combatividade dos judeus, mas também havia outros motivos. Primeiro e fundamentalmente havia este — que ninguém pode dissociar-se inteiramente da sociedade da qual forma parte. Ninguém pode, conscientemente, marginar-se da nação. Como parte da nação, o indivíduo desfruta de uma série de benefícios que não teria isoladamente. Razoavelmente, não pode pretender todos os privilégios e logo rechaçar todos os deveres. Está preso no feixe da vida; assim como é parte do corpo da Igreja, é parte também do corpo da nação. Não há neste conjunto tal coisa como o indivíduo isolado. O homem tem um dever para com o Estado, deve confrontar esse dever, embora um Nero esteja no trono.
(3) Para o Estado, um homem lhe deve a proteção. A idéia platônica do Estado era que este existia por causa da justiça e a segurança; que assegurava ao homem amparo contra as bestas selvagens e contra os homens selvagens. "Os homens", como alguém escreveu, "amontoaram-se atrás de uma parede para salvar-se." Um Estado é, essencialmente, um corpo de homens que se uniram, que convieram manter certas relações entre eles e observar certas leis. Sem o Estado, sem essas leis, e sem o mútuo acordo das observar, imperaria o mau, o egoísta e o forte. O fraco se veria em apuros. A vida seria regida pela lei da selva. Todo homem comum, deve sua segurança ao Estado, e tem, portanto, um dever e uma responsabilidade para com esse Estado. (BARCLAY, p. 184)

Os Cristãos não podem viver alheios aos problemas políticos, podemos orar, mas, precisamos entender que a política dos tempos paulinos não era democrática como hoje, os cristãos não ocupavam cargos, não eram candidatos. Vivemos um tempo diferente, não é possível ficar nessa letargia e ignorância política, também, não iremos pegar em armas para combater os maus políticos, temos ferramentas legais, conhecimento e inteligência para agirmos como aqueles que tendo a mente de Cristo, devem proceder. Não é necessário ser candidato para ser um cidadão (político), nossa influência deve ser perene, porque temos a orientação da Palavra de Deus, mas, isso só é possível se estudarmos o assunto e não apenas nos refugiarmos na filiação divina e querermos influenciar na política sem nenhum conhecimento dessa arte.

Vamos orar, estudar e reagir! Reagir com as ferramentas do conhecimento da Palavra de Deus, da instrução sobre política, respeitando as leis do país que vivemos e sendo cumpridores dos nossos deveres, sem negligenciar a cobrança exigente dos nossos direitos constituídos nas leis do nosso país. Não sejamos meros pacientes na política, sejamos parte, seres politizados, instruídos e atuantes.

REFERÊNCIAS
ARANHA, Maria Lúcia A. e MARTINS, Maria Helena P.Temas de Filosofia. 3.ed.  São Paulo, Moderna, 2005.

BARCLAY, William. Romans. Tradução de Carlos Biagini. Disponível em: <<http://www.iprichmond.com/romanos>>. Acessado em 14 de julho de 2017, 09 h.

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Voltaire: Acerca do Tratado Sobre a Tolerância - Sebastiana Lima



O presente texto é um estudo introdutório a partir da leitura da obra Tratado Sobre a Tolerância de Voltaire. Dentro da história do pensamento, ele é conhecido como um dos grandes expoentes na defesa da tolerância. Seu nome é François-Marie Arouet, pseudônimo Voltaire, nascido em Paris em 1694, foi educado em um colégio mantido pelos jesuítas, mas, inicialmente foi educado na casa do Abade Châteneuf que era seu padrinho. Vejamos o que diz REALE:

[...] em 1704 tornou-se aluno do colégio Louis-Legrand, mantido pelos jesuítas. Aí deu provas de vivaz precocidade. Mas tendo recebido uma herança, deixou o colégio e passou a freqüentar o círculo dos jovens “livres-pensadores” e iniciou seus estudos em direito. Em 1713, como secretário, acompanhou à Holanda o marques de Chateneuf (irmão de seu padrinho), embaixador da França. Entretanto, uma aventura amorosa com uma jovem protestante fez com que a família alarmada, chamasse Voltaire de volta a Paris.
Voltando, ele faz circular duas composições irreverentes em relação ao regente, sendo obrigado a um breve exílio em Sully-sur-Loire. Retornando a Paris, foi preso, ficando encarcerado na Bastilha por onze meses (de maio de 1717 a abril de 1718). (REALE, 1990, p. 729)
Voltaire experimentou a Bastilha por mais de uma vez, a experiência com as prisões contribuiu para o seu pensamento sobre a tolerância. Nessas suas estadias nas prisões da Bastilha, escrevia suas obras, entre elas: Cartas Filosóficas Sobre os Ingleses, “em 1734, [...] são publicadas as Cartas sobre os ingleses. O parlamento as condenou e o livro foi queimado no pátio da Cúria Parlamentar. Voltaire foge de Paris, indo encontrar refúgio no Castelo de Cirey, junto à sua amiga e admiradora, marquesa de Châtelet.” (REALE, 1990, p. 731).
Ao contrário do que alguns pensam Voltaire não era ateu, era deísta. No seu Tratado de Metafísica, escreve: “Deus existe, como a coisa mias verossímil que os homens podem pensar [...]”. (REALE, 1990, p. 734). Em nome do deísmo ele rejeita o ateísmo, de acordo com Reale,
para o deísta, a existência de Deus não é artigo de fé, mas sim, resultado da razão. Escreve Voltaire, ainda no Dicionário Filosófico: “Para mim, é evidente que existe um ser necessário, eterno, supremo, inteligente – e isso não é verdade de fé, mas de razão (a fé consiste em crer, não naquilo que parece verdadeiro, mas naquilo que parece falso para o nosso intelecto [...] há fé em coisas maravilhosas e fé em coisas contraditórias e impossíveis”. (REALE, 1990, p. 735).
No que se refere ao Tratado sobre a tolerância, foi um ataque que Voltaire fez que ainda hoje, provoca discussões. Nessa obra ele fala sobre o caso Calas, este era
um negociante calvinista que fora enforcado e queimado por ordem do Parlamento local. Jean Calas morreu perdoando seus carnífices, havia sido acusado de ter matado seu filho Marc-Antonie com o objetivo de impedi-lo de tornar-se católico. Na realidade, tratou-se apenas de um caso de bárbara e cruel intolerância religiosa: uma multidão enfurecida de católicos fanáticos e juízes também fanáticos condenaram um inocente.
Sob a emoção desses fatos, Voltaire escreveu o Tratado sobre a tolerância. (REALE, 1990, p. 743)

            Voltaire defende a tolerância religiosa, ele afirma no Tratado sobre a Tolerância que “quanto mais seitas houver, menos cada uma delas é perigosa; a multiplicidade as enfraquece; todas são reprimidas por leis justas que proíbem assembléias tumultuosas, as injúrias, as sedições, e que estão sempre em vigor pela força coercitiva.” (VOLTAIRE, 2006, p. 30).  No capitulo VII, ele fala acerca do comportamento dos gregos para com a religião, eram laços que os uniam a todos.

            De acordo com Voltaire, entre os povos antigos politizados, nenhum ofendeu a liberdade de pensar. Os povos tinham cada qual uma religião, mas usavam dela de maneira particular nos seus cultos particulares, embora reconhecessem um deus supremo, mas também associavam a esse deus uma grande quantidade de divindades inferiores. O único que os gregos mandaram matar por causa das suas opiniões foi Sócrates, contudo, foi o que mais se aproximou do conhecimento acerca do criador.

            No capítulo XIV, Voltaire intitula: Se a intolerância foi ensinada por Jesus Cristo, e discorre acerca das várias ações de Jesus Cristo ao longo das narrativas dos evangelhos. Observamos é que as práticas oriundas da igreja institucional estão longe de se espelharem nos ensinamentos e práticas do ícone co Cristianismo. E critica de maneira cortante a atitude daqueles que se utiliza de maneira errônea de passagens bíblicas para justificar as atrocidades e a perseguição intolerante.

            Temos muito a falar acerca do Tratado Sobre a Tolerância, contudo, esse estudo limita-se apenas a lançar mote do tema e pontuar alguns dados biográficos de Voltaire. É importante um maior aprofundamento e mais leituras da sua obra, ele tem muito a nos ensinar, visto que pertenceu a uma época de efervescência do iluminismo francês, tempo de perseguição ferrenha e intolerância perene.

REFERÊNCIAS
REALE, Giovanni. História da Filosofia: do humanismo a Kant. São Paulo: Paulus, 1990. Vol. 2.
VOLTAIRE. Tratado Sobre a Tolerância. Tradução de Antônio Geraldo da Silva. São Paulo, Escala Educacional. 2006.



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quarta-feira, 28 de junho de 2017

A Morte da Arte em Benjamin e Vattimo - Sebastiana Inácio Lima



1.                  Benjamin e às técnicas de reprodução, no século XIX e o efeito sobre as obras de arte.

De acordo com Benjamin a obra de arte desde seu início foi suscetível de reprodução. As técnicas de reprodução são um fenômeno desenvolvido no curso da história por meio de saltos e separado por longos intervalos num ritmo cada vez mais rápido. Contudo, os gregos só conheciam dois processos de reprodução: a fundição e a cunhagem. Através da litografia as técnicas de reprodução progrediram permitindo que pela primeira vez as artes gráficas além de comercializar as produções em série também produzissem diariamente obras novas. Com a fotografia, o lugar que era da litografia foi ocupado e com o advento do século XX as técnicas de reprodução chegaram a se impor como formas originais de arte e o critério pela qual essas manifestações aconteceram foram através da reprodução da obra de arte e da arte cinematográfica.
A fotografia deu início à destruição da aura das obras de arte, mesmo que as técnicas de reprodução deixem o conteúdo da obra intacto, ainda assim desvalorizam seu hic et nunc. Essa desvalorização na obra de arte atinge-a no ponto mais sensível que é a autenticidade.
As técnicas de reprodução de acordo com Benjamin promovem a destruição da aura, aliadas às transformações sociais. Tudo isso pode ser pensado como o fim da tradição ritualística da arte. A unicidade da obra de arte não difere de sua integração no conjunto de afinidades denominado tradição. A tradição é uma realidade viva e mutável. As obras de arte mais antigas nasceram a serviço de um ritual, inicialmente era mágico, em seguida religioso e com a obra de arte perdendo seu valor de culto necessariamente há a perda da aura, o valor de autenticidade fundado com o ritual dá lugar ao valor utilitário.
Com o surgimento da fotografia contemporânea dos primórdios do socialismo inicia-se uma crise inegável mesmo após cem anos. Através da fotografia e das técnicas de reprodução a obra de arte deixa de ter o seu caráter de unicidade e originalidade e passa a ser reproduzida cada vez mais.
A acolhida da arte se dá de duas formas que são: o valor da arte como objeto de culto e como realidade exibível. Na medida em que as obras de arte vão se emancipando do seu uso ritual, as oportunidades de exposição tornam-se cada vez mais frequentes.
O valor de exibição da obra de arte confere-lhe novas funções e a função artística pode aparecer como necessária. Com a fotografia, o valor de exibição começa a empurrar o de culto para segundo plano, as fotos antigas substituem a aura, o valor de exibição supera o de culto. A arte retirada de suas bases ritualísticas pelas técnicas de reprodução não pode manter sua independência.

Para Benjamin a relação teatro e cinema são distintos para o declínio da aura na arte.  No cinema o ator deve agir com sua personalidade viva embora esteja privado da aura, visto que essa aura depende do hic et nunc , já no teatro a aura da peça é inseparável da aura do ator, ele desenvolve o seu papel de modo que o público pode contemplar todas as emoções ao vivo. No teatro a aura é mantida pelo fato dos atores se relacionarem com seu personagem de forma contemplativa promovendo uma riqueza de sensações entre a relação direta como o personagem, o ator interpreta seu personagem para uma platéia de forma que ele próprio se torna a expressão da obra de arte. 
No cinema, de acordo com Benjamin a tomada no estúdio tem a capacidade de substituir o público pelo aparelho, a aura dos intérpretes desaparece junto com a aura dos personagens que estão sendo representados. É bem diferente o ator de teatro para o de cinema, pois enquanto o ator de teatro entra na pele do personagem que está sendo representado por ele o ator de cinema não pode fazer o mesmo. O conjunto de mecanismos de produção é que mediam o ator e ele desempenha uma série de sequências isoladas e acaba sendo transformado em mais um elemento cinematográfico que é manipulado para preencher as exigências dos espectadores.
Portanto, o cinema contribui para o declínio da aura no sentido de que ele não convida o público para sua contemplação, as pessoas se entregam a assimilação de ideias prontas. O seu olho mal consegue captar uma imagem outra já é posta, ao contrário do teatro onde o olho pode ser fixado nas cenas e a própria sonoridade é sedutora aos seus ouvidos.

2.                  Os conceitos de inconsciente visual e percepção distraída

Para Benjamin, a confecção de um filme se tornaria impossível de ser executada se não houvesse uma gama de objetos, máquinas, aparelhos, etc. Sem esses recursos seria necessário que o olho do espectador se assemelhasse a objetiva da câmara, já no teatro, basta que haja um local para que o espetáculo funcione. A situação do cinema em oposição ao teatro é muito mais acirrada se comparada à pintura. Entre o pintor e o filmador existe uma relação que Benjamin compara ao curandeiro e o cirurgião. O pintor observa uma distância natural entre ele e a realidade dada, o filmador penetra na própria estrutura do dado.
As técnicas de reprodução aplicadas à obra de arte modificam a atitude da massa com relação à arte. À medida que há uma diminuição do significado social da arte há uma separação entre o espírito crítico e o sentimento de fruição. Quando as obras de arte a partir do século XIX têm a permissão de serem mostradas a um público maior, inicia-se o primeiro sintoma da crise que teve seu desfecho com a fotografia e pela intenção da obra de arte se endereçar às massas. As pinturas que antes ficavam restritas aos claustros e as igrejas da Idade Média passam agora a se confrontar com a sua própria natureza ficando diretamente confrontada com as massas. Embora as massas pudessem desfrutar dessa apresentação pública das obras de arte, elas não poderiam organizar e controlar a sua própria acolhida.
O cinema não é caracterizado apenas pelo modo como o homem se apresenta ao aparelho, mas é graças a esse aparelho que ele representa para si o mundo que o rodeia, ele revela o consciente instintivo. O cinema causou um alargamento da percepção, uma ampliação da realidade maior do que as do teatro e da pintura. A natureza revelada pela câmara é distinta da que se apresenta aos olhos, ela substitui o espaço onde o homem age consciente por uma que ele age inconscientemente, a experiência do inconsciente visual abre a experiência do inconsciente instintivo.
As técnicas de reprodução promovem a desvalorização da obra de arte e a perda da sua aura, o que era único e exclusivo passa a tornar-se comum. Fazendo com que o homem moderno deixe de relacionar-se com a arte num sentido qualitativo e passe a relacionar-se num sentido quantitativo. Quanto à percepção distraída, nessa forma de exibição o sujeito deixa de ser ativo diante das inúmeras informações que são projetadas à sua consciência e passa a ter uma relação de passividade por não conseguir assimilá-las com a rapidez com que são expostas.
3.                  Vattimo e a problemática da morte da arte.
De acordo com Vattimo, quando falamos ou pensamos na morte da arte, falamos dentro dos limites da metafísica realizada que chegou ao seu fim no sentido de Heidegger e de Nietzsche. Vattimo pretende pensar a morte da arte em dois momentos: o fenômeno do fim da metafísica e o “mass media” advento da cultura de massa. Nessa época o pensamento se acha diante da metafísica numa posição de restabelecimento como convalescença a metafísica não é completamente abandonada, somos remetidos a ela, por e ela nos é remetida como algo que nos é destinado. Com o advento da cultura de massa a morte da arte é o que podemos esperar de reintegração revolucionária da existência, pois é aquela de fato que já vivemos na sociedade da cultura de massa.
3.1.            Os fenômenos da morte da arte.
Para Vattimo a morte da é um evento que corresponde à constelação histórico-ontológica na qual nos movemos, é uma trama de eventos histórico-culturais que lhes pertencem e os co-determinam. A morte da arte é algo que nos concerne e que não podemos deixar de encarar. É como profecia-utopia de uma sociedade que a arte deixou de existir como fenômeno específico. O último a anunciar a morte da arte foi Marcuse, segundo Benjamin, sua perspectiva de morte da arte se apresentava como uma possibilidade ao alcance da sociedade tecnicamente avançada. E essa possibilidade não se exprimiu apenas como utopia teórica, a prática das artes mostra um fenômeno da explosão do estético, estetização da vida, fazendo a arte sair do domínio das instituições tradicionais para invadir a vida. A morte da arte no sentido de uma explosão do estético que se realiza nas formas de auto-ironização da própria operação artística. Um fato relevante para a passagem da explosão do estético é configurado nas vanguardas históricas que pensam a morte da arte como a supressão dos limites do estético. Com as técnicas de reprodução não só as obras de arte perdem sua aura, mas nascem formas de arte constituídas de reprodutibilidade como o cinema e a fotografia.
A morte da arte segundo Vattimo não apenas o que esperamos da reintegração revolucionária da existência, é que vivemos na sociedade da cultura de massa, a mídia produz consenso e intensificação de uma linguagem comum no social, é o meio da massa no sentido do consenso, dos gostos e sentimentos comuns. Seja no sentido em que a arte esteja incluída ou a perspectiva a morte da arte significa duas coisas: em sentido forte e utópico e em sentido fraco ou real. Forte e utópico é o fim da arte como fato específico e separado do resto da experiência e em sentido fraco e real, a estetização como extensão do domínio do mass media.
Com o domínio do mass media os artistas responderam com uma espécie de suicídio de protesto, optando pelo silencio puro e simples. Os três momentos da morte da arte são: utopia, kitsch e silêncio.
4.      Os fenômenos da morte da arte como ocaso da arte.
Vattimo utiliza o eufemismo ocaso para designar a situação concernente à estética filosófica, que pelo seu caráter perdurante não pode ser considerado como morte da arte. Ao longo de todos os eventos essa morte é sempre anunciada e adiada e ela vai sempre perdurando o que faz com que dê origem a outras formas de arte. Não significa dizer que a arte vai voltar a ter sua aura restituída e o seu valor de culto, mas o fato de Vattimo não considerar morte e sim ocaso da arte é o que justifica as novas formas da arte se colocar. A arte não se extingue nem evolui ela dá origem a outras formas de arte de acordo com  os novos tempos e as suas exigências.
Vattimo fala sobre duas formas de lidar com o embaraço da Estética filosófica que são: derrubando a descrição enfática no plano da utopia e da crítica social ou recusando o conceito da estética tradicional e recorrendo as noções positivas das outras ciências. Os fenômenos da morte da arte fizeram com ela se tornasse democrática. O mass media  cristalizaram o fenômeno da morte da arte. A estética da tradição é um destino que devemos remeter-nos, O caráter dos conceitos que recebemos da estética relaciona-se à essência dessa mesma metafísica. A experiência que fazemos do ocaso da arte pode ser explicada com a noção heideggeriana de obra de arte como pôr em obra da verdade.
Para Vattimo com a reprodutibilidade técnica a experiência estética se aproxima do que Benjamin chamou de “percepção distraída”, mas é possível  que ao contrário na fruição distraída  a arte nos interpele num sentido que nos obrigue a dar um passo além da metafísica. A fruição distraída move-se num caminho de ocaso e declínio.
De acordo com Vattimo, a noção de “pôr em obra da verdade” tem dois aspectos em Heidegger: a obra é exposição de um mundo e produção da terra. Exposição que Heidegger acentua no sentido de montar uma mostra significa que, a obra de arte tem uma função de fundação e constituição das linhas que definem  um mundo histórico.  No “pôr em obra da verdade” há uma denúncia da verdade que tem como finalidade o declínio. A obra como “por em obra da verdade” no seu aspecto de exposição de um mundo é lugar de exibição e intensificação do  vínculo ao grupo. É uma função que se mantém e se exerce na situação em que cada obra singular desaparece com a sua aura em favor de outros produtos que virão substituir de valor análogo. É como se o mundo fosse trazido para a terra e submetido ao perecimento, tem uma vida e um declínio.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              
REFERÊNCIAS
VATIMMO, Gianni. Morte ou Ocaso da Arte, in: O fim da modernidade.
BENJAMIN, Walter (1994), “A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”, in BENJAMIN, Walter, Magia e Técnica, Arte e Política: Ensaios sobre literatura e história da cultura. 7.ª ed. São Paulo: Brasiliense. (Obras escolhidas; v. 1)

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O feio na Estética filosófica - Sebastiana Inácio Lima

1ª época:
Na primeira época, o feio é identificado como desordem, assumindo também conotações do erro do mal. Representa a negação específica de todos os valores contidos na tríade do verdadeiro, do bom e do belo, enquanto manifestação sensível de uma alma inadequada para sua destinação superior[...] (p. 126)
No pensamento de Platão o feio representa a ausência absoluta do belo, e seu decalque negativo. Isto é, da eternidade que brilha em formas sensíveis e que embora em nível diferente – se insere ao lado do verdadeiro, na constelação do bem […] o feio é mera carência: não-ser vazio, que só pode ser pensado justamente por oposição. De fato, “se o divino é constituído pelo que é belo, sábio e bom”, o feio por oposição aquilo que é contrário às referidas qualidades. (p. 127)
[…] Plotino afirma que o belo é a plenitude do ser e o feio é constituído pela ausência de tal plenitude: “a beleza é uma realidade verdadeira e a feiúra uma natureza diferente desta realidade” (I, 6, 1). (p.127)
“O feio aparece quando somos incapazes de proceder além das aparências [...]” (p. 128)
2ª época:
O feio [...] começa a ser aceito, na teoria e nas práticas artísticas, a partir do Cristianismo que, sucessivamente, transmite a sua herança ao mundo moderno. A religião cristã, adorando um Deus sofredor, com certeza não se inspira nos cânones estéticos da tradição clássica. Como foi assinalado por Hegel na sua Estética: “não é possível representar nas formas da beleza grega um Cristo flagelado, coroado de espinhos, carregando a cruz até o lugar do suplício, crucificado, agonizando nos tormentos de uma longa e martirizante agonia”. (p. 128-129)
O verbo se esvaziou da sua magnificência e da sua majestade e se tornou feio, para tornar bela a humanidade deformada pelo pecado. (p. 129)
Ao contrário dos platônicos e dos neoplatônicos, o Cristianismo não configura uma elevação em direção ao belo e ao bem por parte do ser humano [...] mas também como uma descida do divino no humano[...]. Um processo em direção ao feio e, do ponto de vista moral, ao reprovável, para o cristão, no entanto, constituem a garantia de que Deus assiste a cada um na travessia desse vale de lágrimas. (p. 130)


ADORNO, T. W. Teoria Estética. Tradução de Artur Lisboa Morão. Lisboa: 70. 2006, p. 60-68.

BODEI, Remo. A Sombra do Belo. In: As formas da beleza. Tradução de Antônio Angonese. Bauru, SP. Edusc. 2005. p. 125-169.

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sábado, 27 de maio de 2017

Temor que gera Sabedoria - Sebastiana I. Lima





Provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel; para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem as palavras da prudência. Para se receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a eqüidade; Para dar aos simples, prudência, e aos moços, conhecimento e bom siso; O sábio ouvirá e crescerá em conhecimento, e o entendido adquirirá sábios conselhos; Para entender os provérbios e sua interpretação; as palavras dos sábios e as suas proposições. O temor do Senhor é o princípio do conhecimento; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução. Provérbios 1:1-7

Nesse texto observamos que o título já aparece no início do primeiro versículo, (Provérbios de Salomão, filho de Davi), em seguida é claro qual o motivo do escrito. É interessante ver a preocupação com o conhecimento de Deus, ser sábio não é ser um acumulador de conhecimento humanista, a sabedoria é apreendida, mas, em Pv. 1 vemos os princípios norteadores dessa sabedoria.

O objetivo do livro de Provérbios é para o conhecimento da sabedoria e da instrução, para se entenderem, as palavras da prudência. Diante disso, receber a instrução do entendimento, a justiça, o juízo e a equidade. Dificilmente atentamos para a grande exortação ao conhecimento presente nesse escrito de sabedoria e negligenciamos. Em provérbios 1. 1-7 encontramos lições valiosíssimas do quanto a sabedoria deve ser aprendida na base de toda a sapiência (O Senhor Deus).

Os simples e os moços precisam de conhecimento, e a proposta de Provérbios, é que seja para “Para dar aos simples, prudência, e aos moços, conhecimento e bom siso” Pv. 1.4. É preciso ter humildade para conseguir adquirir sabedoria, porque aprendemos com a dependência total a Deus e o aprendizado com aqueles que têm capacidade de nos ensinar. Ás vezes alguns jovens não tem paciência nem humildade para aprender, não querem amadurecer, mas querem ensinar, como ensinar aquilo de que não aprendemos? É uma irresponsabilidade, tomar o lugar de um mestre quando ainda somos um simples imprudente, a sabedoria é algo que só quem teme a Deus poderá contemplá-la.

Antes de adquirir conhecimento, vem o temor do Senhor, se o exercício rumo ao conhecimento fizer o trajeto contrário, “é humano, vão e animal”[1]. Primeiro tememos ao Senhor, depois aprendemos aquilo que a sua Palavra fala sobre Ele, as suas verdades, em seguida aplicamos essas verdades ao nosso modo de vida, e finalmente anunciamos, ensinamos. Assim fez Esdras[2], temos visto na prática uma contrariedade a esse princípio.

Não são poucos aqueles que se colocam contrários ao ensino, ao estudo, que consideram a unção superior ao estudo coeso da Escritura, isso é preocupante e desestimula aos jovens que estão iniciando seus estudos teológicos. A prova desse desprezo pelo estudo e o aprofundamento nas Escrituras são os seminários cada vez mais desertos, sem infra-estrutura mínima, faltando bibliotecas atualizadas e livros para pesquisas. Essa é a face de uma igreja que não investe em estudo, em ensino, de homens e mulheres maduros de idade e imaturos em sabedoria. Que não tiveram oportunidade de estudar e hoje querem cercear aos mais jovens esse direito.

Que possamos jovens, romper a barreira da dificuldade, colocar a nossa mente a serviço do Reino, estudar e investir futuramente nos novos estudantes. Que possamos temer ao Senhor, de tal forma que alcancemos sabedoria, e alcançando, puder levá-la aos que estão nos primeiros passos.
Oremos por todos aqueles que colocam sua mente cativa à Palavra de Deus, amém.




[1] Tiago 3.7
[2] Esdras 7.10


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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Narcisista, será que eu sou um?- Diana Lima

Narcisista é a palavra adequada para aquelas pessoas que se amam incondicionalmente, a ponto de adorar a própria imagem, desprezando definitivamente o mundo ao seu redor. Nessa condição, a pessoa jaz, admirada com as virtudes e qualidades que pensa possuir, então morre de inanição, debruçada sobre o próprio ego.

A Bíblia elenca o que sobrevirá aos amantes de si mesmo, os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios,sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus [...]. 2 Timóteo 3:2-4

Estamos cultivando excesso de autoestima, cada dia mais pensamos que somos a primeira e única pessoa mais importante do mundo, “amar ao próximo como a nós mesmos” tem deixado de ser um ensinamento do cerne do Cristianismo e tem passado a ser uma máxima sem fundamento, isso na mente daqueles que vivem para si, sem se preocupar com as necessidades dos seus irmãos.

Desde as concepções doutrinárias, até a forma como algumas pessoas se colocam diante da vida, seu discurso, suas máximas pessoais, denunciam que o ego é inflado, que padece do que podemos chamar de síndrome de Narciso. Todas as intenções são perniciosas, com o interesse sempre motivado pela vanglória (glória vã), vaidade e desejo de ter projeção sobre os outros. O problema é que, quem assim procede poderá terminar na solidão porque com certeza ferirá as pessoas ao seu redor.

Podemos perceber esse comportamento em vários indivíduos, certamente numa simples conversa já conseguimos observar vários indícios: tem a maior inteligência, os filhos mais estudiosos, o melhor trabalho, o carro mais bonito, tudo o que faz é motivo de destaque sobre os outros “pobres mortais”.

Uma pessoa ensimesmada não consegue admirar a beleza da natureza, uma bela canção, não consegue glorificar o Criador, pois, se considera suficiente em si mesma. Por isso que temos tantos conflitos, que poucos conseguem concordar, valorizar o trabalho alheio, “considerar os outros superiores a si” , sim, eis a maneira correta de proceder com o próximo.

Infelizmente, por causa desse excesso de amor a si mesmo as pessoas magoam, pisam nos sentimentos das outras, quando erram, ao invés de pedir desculpas, encontram uma forma de fazer com que o outro se sinta culpado. Nisso tudo, falta amor, perdão, humildade e submissão à Deus; além de um exame das próprias atitudes, quem sabe o diagnóstico está bem mais claro do que se imagina.



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terça-feira, 23 de maio de 2017

Mulher Virtuosa


Por Sebastiana Inácio Lima (Diana)

Criada de forma especial

Pelas mãos do Criador
Por uma escolha sublime
De um perfeito amor.
 Esse ser especial
Deve louvar ao Senhor
Viver em integridade
Agradando ao Salvador.
 Virtuosa essa mulher
Deve buscar santidade
Meditar nas Escrituras
Viver em dignidade.
 Orar e ser um exemplo
Para as novas gerações
Ser fiel e conselheira
Em qualquer ocasião.
 Ah como é agradável!
Mulher com sabedoria
É coroa inigualável
Do esposo é a alegria.
 Uma mulher virtuosa
Faz o bem diariamente
Trabalha e é dedicada
Tem caráter excelente.
 Sabe plantar e colher
Sua base é a palavra
A leitura e a oração
É a terra que ela lavra.
 Seus filhos a reconhecem
Pela dignidade e amor
As pessoas que a conhecem
   Testemunham em seu favor. 
Tem um coração que ama
Não conhece a mesquinhez
É ungida e piedosa
Tem saber e sensatez.




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