• Em 2018 o evento contará com a presença de um grande número de preletores, entre eles o pastor estadunidense Paul Washer que é o diretor e coordenador de Missões da "Sociedade Missionaria HeartCry".
  • "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos". (Sl 119.105)
  • "Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. Não apagueis o Espírito". (1Ts 5.17-19)
  • "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé". (Rm 1.16,17)
  • "[...] exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos". (Jd 3)

domingo, 15 de outubro de 2017

O que é bonito é para ser mostrado?


Por Rogério de Sá

O que é bonito é para ser mostrado? É muito natural ver mulheres postando fotos seminuas. Com o advento de redes sociais como o Instagram isso se tornou cada vez mais cotidiano, e o cotidiano tende a se tornar comum, natural e aceito pelo sistema do mundo. E isso se estendeu aos homens. Agora é normal ver homens exibindo fotos de corpos malhados como troféus para chamarem a atenção do sexo oposto tal como pavões exibem suas caldas para chamarem a atenção das fêmeas.

Até aí você pode me dizer: não vejo nada de errado com isso. Eu também não vejo nada de errado com o mundo seguindo o padrão do mundo. Mas, a partir do momento que os cristãos começam a seguir o mesmo padrão de comportamento e dizer que não existe nada de errado em postar fotos seminus, subtende-se que Deus também não vê nada de errado. Um exame apurado das Escrituras e sincero vai nos confrontar com esse padrão. Moças ou mulheres crentes começam a mostrar partes do seu corpo para todos em uma rede social. Qual o propósito disso? Será que um cristão é capaz de, sinceramente, dizer que não há nada de errado nisso? Que há pureza aí? “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não é do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (1 João 2:16,17).

Concupiscência é o anelo de prazeres sensuais. Qual o propósito de um cristão postar esse tipo de fotos? Estimular a concupiscência da sua carne inflamando os seus desejos sexuais e os dos que estão olhando. O apóstolo é mais específico falando da concupiscência dos olhos, deixando bem claro que é o pecado que vem por meio do ver, que por sua vez leva ao desejar. Então não há nada de errado? Para o mundo nada é errado, é tudo relativo, mas para Deus a resposta é: “Não procede de mim, mas do mundo”.

Antes de postar sua selfie se pergunte: “No que isso vai glorificar a Deus? ”. Como você pode glorificar a Deus postando a marca do seu biquíni ou o seu peito e abdômen definidos? Se você me dizer que consegue glorificar a Deus fazendo isso, cara, eu te pergunto novamente: “Qual deus você deseja glorificar? O seu deus que você mesmo criou? Ou você mesmo se tornou seu próprio deus? ”.

Se pergunte: “Por que eu acho que uma certa parte do corpo precisa ser vista por outros? Que sensações eu quero causar neles? ”. Meu amigo cristão, se essas perguntas não te incomodam, ou não te fazem refletir eu convido a relembrar as palavras do apóstolo Paulo: “Examine-se o homem a si mesmo”, e ao se examinar elabore um bom argumento quando estiver perante o Juiz de toda terra.

Oséias fala no seu livro: “porque abandonaram o Senhor para se entregarem à prostituição, ao vinho velho e ao novo, o que prejudica o discernimento do meu povo”. (Oséias 4:10,11)

Mas o que prostituição tem a ver com o assunto, e por que a prostituição prejudica o discernimento do povo de Deus? Prostituição tem a ver com infidelidade, e na Bíblia frequentemente está associada a prática de colocar outras coisas no lugar de Deus. A maior motivação da exposição do corpo é o de mostrar principalmente ao sexo oposto aquilo que deveria ser mostrado apenas na intimidade do casal dentro de um casamento. Quando essa intimidade é compartilhada de forma pública você está prostituindo aquilo que pertence a uma só pessoa, aquela que Deus escolheu para você, e essa prática é tão irracional quanto o efeito do vinho sobre o ser humano. A consequência é o ato de prejudicar o discernimento, entendimento do povo, que podemos entender como desprovimento de inteligência.

Mas qual a relação? A relação é que pessoas inteligentes não se expõem. Elas se valorizam, pois têm a consciência de que seu corpo não está à venda e os que se interessarem por elas devem primeiramente conquista-las para depois terem acesso ao seu conteúdo.

Não estou condenando as selfies, pelo menos não as que revelam o seu caráter cristão. Mostre ao mundo por meio das suas redes sociais menos de você, e mais do mundo ao seu redor. As palavras de Jesus nunca passarão. E ele disse: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus”. (Mateus 5:20)

Falo como alguém que chegou a postar fotos desse tipo. Posso não ter despertado nada em alguém que tenha visto meu Instagram, mas percebi o quanto é incoerente. É mau? Pule fora. Só parece ser mau? Pule fora. “Abstende-vos de toda a aparência do mal”. (1 Tessalonicenses 5:22)

Concluo com as palavras do apóstolo Paulo que é Palavra de Deus: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar”. (1 Coríntios 10:31-33)

Malhem, não abusem do Whey Protein, tenham uma vida saudável e um corpo bonito, mas guardem isso para seus cônjuges. Se tiverem que atrair alguém que seja pelo amor que vocês têm por Cristo.


Amém.


As postagens são de inteira responsabilidade dos autores e as opiniões nelas expressas não refletem, necessariamente, a opinião dos outros colunistas bem como do Corpo Editorial do Blog

domingo, 1 de outubro de 2017

A Igreja e o Descaso dos Fortes


Por Pedro Henrique

Francisco Barnabé é um dos filhos de Dona Santina, uma mulher destemida que entende a importância de educar bem os filhos. Viúva, perdeu o marido cedo, no tempo dos seus 40 anos de idade. Logo decidiu com firmeza que não mais casaria, que criar os filhos seria a sua dedicação. É certo e evidente que pode contemplar a consequência do esforço, pois Barnabé, o mais novo dentre os filhos, é hoje um doutor, um homem dedicado às ciências, mas que nunca abriu mão da prática da piedade e do ofício de pastor a ele concedido.

Vindo de uma cidade pequena do interior da Paraíba, é simples, dono de uma mente que não se cansa com questões sem sentido, exceto quando pode tirar alguém de ideias próximas ao suicídio, que são tão comuns nesses dias. A sua vocação ao chamado é notória, amado por todos os membros da igreja em que é pastor presidente (o líder maior), se deparou com situações sérias, que são capazes de destruir até a alma do mais experiente homem cristão. Dentre as sérias situações que vivenciou, uma se destacava e ecoava em sua mente, levando-o a pensar na real situação da Igreja Invisível, a Noiva por quem os antigos entregaram suas vidas.

Uma pequena comunidade cristã sofria nas mãos de um líder que usava da influência conquistada durante os anos de seu ministério para estabelecer a própria vontade. Seu povo cansado, mas sincero, sofria fortes tensões na alma envolvida de um sentimento de solidão, e se não fosse o Espírito de Deus, que lembrava que sempre há choro em Sião, muitos teriam desistido da caminhada junto aos irmãos conhecidos de longas datas. Barnabé percebeu que há muito da história de uma comunidade dentro dos corações com raízes profundas, mas não entendia o porquê de tamanho descaso não mitigado. A vida do ego do líder, que devia cuidar com dedicação daquele povo, era evidente diante de tamanho descaso. Um homem perdido em meio aos próprios desejos arrogantes.

Barbané atormentado pelo conhecimento da triste realidade daquela comunidade, e de tantas outras que sofrem questões sérias, decidiu em secreto recorrer ao senhor Saú, um homem bem sucedido, dono de uma boa oratória, que veio de uma família do sul do país, um líder destacado entre os demais. Não é de se admirar, o senhor Saú constantemente precisava tratar de questões sérias, porque era o administrador daquela região. Barnabé em uma conversa particular, que aconteceu na própria casa de Saú, relatou os diversos descasos com a Noiva, e após ouvir com tamanha atenção todos os fatos, Saú ficou um tempo em silêncio, pois a sua posição requer uma certa medida de coragem e zelo, porém com desrespeito para com todos os que estão a mercê de decisões corretas, decidiu que não se inflamaria com questão que deve ser tratada pela própria comunidade, pois deve ser forte em suas decisões.

Por que causa devem lutar os homens? Constrangido com tanto descaso, Barnabé percebeu que a instituição, no que diz respeito a força da influência e a posição exercida, está em muitos lugares corrompida como a Igreja de Roma encontrava-se naquele Tempo de Trevas. É a instituição uma máquina que precisa de engrenagens para continuar rodando, mas muitas vezes perdida no meio de interesses individuais, e que a real igreja,  formada de uma gente sincera, é desrespeitada no oculto onde os demais não conhecem, e em público é  tratada muitas vezes com textos criados para a vida do ego e produções midiáticas que escondem o interesse dos fins.

O descaso dos que podem tomar medidas corretas era um tormento não repentino, silencioso e rasteiro, daqueles contados ao pé do ouvido quase em sussurros para que muitos não saibam. Quem sabe alguns se levantassem com a bravura de Wyclife, ou com a coragem de Savonarola, que por pregar a virtude, foi condenado a morte. Esse tempo precisa de convicções! Barnabé lembrou das incríveis palavras de Lutero na Dieta de Worms: um homem não deve ir contra a sua consciência. Temo que a consciência daqueles que podem agir estejam aleijadas e endurecidas nesses dias. Ele decidiu em última tentativa recorrer ao Núcleo de Líderes, um certo departamento responsável por questões que envolvem vocacionados. Talvez encontrasse ali decisões justas, mas não demorado, recebeu a notícia de que aguardariam uma posição primeira da soberana comunidade. Os que possuem influência e poder para agir conforme a verdade esperam dos mais simples e menos influentes enquanto escondem suas faces. Barnabé pensou que se preferem não agir por questão aparentemente ética (a de se meter em questões alheias), o façam porque o comportamento de seus líderes deve ser de interesse do departamento. O silêncio indevido é uma resposta infeliz aos que tem esperança em encontrar solução para questões importantes.

Desfalecido por triste realidade, mas fundamentado na verdade, Barnabé lembrou da coragem e convicção de Lutero ao pregar as teses na porta da igreja de Wittenberg. Ele decidiu que usaria a arma do protesto lícito o quanto fosse possível contra a triste realidade que se espalha na surdina, como uma peste que anda na escuridão, e que toma as mentes que se voltaram contra a causa de Deus pela vida do Ego que oprime as pobres almas que devem ser amadas enquanto crescem no conhecimento do seu Criador. Nesses dias precisamos da convicção que uma verdadeira teologia gera no coração de um homem para conduzi-lo em um compromisso diário que se exprime em atos justos em favor da Noiva de Cristo.

Que nesses dias tenhamos pregadores que lutam contra a posição de líderes que maltratam a igreja de Cristo sempre que for oportuno, que preguem a verdade que é contra a injustiça tão presente dentro das igrejas que precisam mudar a partir de seus líderes, que quando perdidos, amam mais a si mesmos e as riquezas do que a causa que lhes foi dada por Deus. Por lucros e poder vestem-se de imundícia, mas se fosse apenas o exterior, do interior uiva um espírito de lobo que maltrata as ovelhas, e ainda que não sejam todos lobos devoradores porque o miserável homem pode insistir em voltar à imundícia, é certo que os lobos serão castigados mesmo que tenham escondido os trapos imundos e fugido para lugares distantes.

Pregador, sua obrigação é sempre para com a verdade, e é para dar conta da sua vocação que você é cobrado. Você é lembrado a esse respeito antes de ir a um púlpito, e ali não deixe dominar seus próprios interesses. Nos dias de sua vida, a sua boca será calada por suas decisões para não contradizer outras pessoas quando você pensar primeiro em sua reputação. Lembre-se de George Whitfield que pregou fora de casa depois de ter as portas da igreja fechadas para a sua pregação.

Deus seja contigo!





As postagens são de inteira responsabilidade dos autores e as opiniões nelas expressas não refletem, necessariamente, a opinião dos outros colunistas bem como do Corpo Editorial do Blog

domingo, 24 de setembro de 2017

O círculo céptico do homem no fiasco da vida secular


Por Jadson de Paula

Eclesiastes é um convite a discussão do vazio teórico e pragmático da vida sem o sentido, valor e propósito em Deus. O Pregador de Eclesiastes traça um roteiro da vida humana debaixo do sol, em sua conjuntura de fôlego e pó, dotada de falhas, marcada pela natureza caída, circunscrita no círculo da vaidade da vida. A problematização da existência do homem na terra é marcada pela eternidade como pano de fundo no processo de dramatização definindo um ponto de significado num caos de significados. O escritor perpassa por horizontes terrestres e verticais dando tonalidades pessimistas e esperançosas discutindo sobre a brevidade da vida, e o grande problema da existência alienada de Deus, vivenciada num círculo céptico.

O Pregador traz para a discussão no capítulo primeiro do livro a fragilidade do secularismo e as implicações históricas para o homem. Aqui, Deus é ocultado do debate como parte da dramatização da experiência do Pregador em tratar a existência da redoma humana sobre tudo que faz sem referência de fé e eternidade. Ao iniciar a explanação com a afirmação de que “tudo é vaidade”, (Eclesiastes 1.2), usando o superlativo hebraico “hebel”, o escritor fala da vida do homem em todas as suas ações marcada por alegrias nada substanciais, destinadas a evaporarem, findando as maiores satisfações em meros vácuos na alma. O Pregador não deixa um lapso de exceção, descreve a sujeição à vaidade (a corrida pela brevidade das coisas) em todo o processo da existência humana, em seus empreendimentos na vida, com um cenário em que Deus é desconsiderado; não visto como fundamento da satisfação, as confianças humanas são lançadas num vazio existencial.

Ao trazer a pergunta sobre o “proveito” de todo o trabalho humano para a discussão (Eclesiastes 1.3), o Pregador aborda as consequências da vida direcionada unicamente à perspectivas terrenas, de esforços emocionais, mentais, vigorosos e os labores envolvidos nas atividades do homem, marcando-os sob o prisma da miserabilidade e futilidade, em que não há proveito, ausência de lucro, no sentido em que a confiança nos esforços humanos em busca de satisfações, fossem pagos aos mesmos tudo quanto diga respeito aos seus planos e esforços. Ao contrário, por serem circunscrito no reino da vaidade, limitam-se às angústias da existência debaixo do sol.

Quando as realidades da eterna mesmice são exploradas, a tonalidade pessimista empregada no discurso traz à tona o grande contraste da vida alienada de Deus. O pregador fala de ‘gerações que vai e vem, e da terra que permanece para sempre’ (Eclesiastes 1.4), utilizando os particípios hebraicos para expressar o constante movimento da existência humana vivenciada em círculos repetitivos num cenário de aparente permanência da realidade terrena, agravado pelo incansável círculo de frivolidades e vaidades.

A trajetória humana é marcada com o caminho da vida propositada em direção a Deus. Esse processo abaliza a existência e experiência do homem sob significados e esperança eterna, expressando uma vida em circuito aberto debaixo do sol. O pano de fundo que é a eternidade trabalhada no discurso do livro, enfatiza que à parte de Deus, resta apenas um circuito fechado na história do homem, que dissolve sua existência sob o prisma secular, e nela, deposita o início e o fim do processo de realidade. Isso faz com que o que realizou e o que realizará, nunca sejam uma novidade no seu nicho fechado. O Pregador fala sobre a filosofia secular; como uma perspectiva enraizada no homem em direção a si mesmo; se não há perspectivas verticais, o horizonte terrestre não produzirá o que realmente é novo, por isso, “nada há, pois, novo debaixo do sol” (Eclesiastes 1.9).

O Pregador trabalhou o seu discurso nos primeiros versículos do livro explanando o seu olhar no campo horizontal, em que satisfações permanentes é exaurida pelo o fim das coisas em si. O Reino de Deus é a origem do que realmente é novo para a história da vida humana. À luz dessa fonte, toda perspectiva do homem muda, quando confrontado com a realidade da vida que é a morte, tornando a breve existência terrena, em tudo que fez e fará, com significados oriundos do fato que, a realidade que o cerca é um sopro na trajetória do tempo, e que o aproveitamento do tempo e o sentido da vida, estão intimamente ligados a Deus.




As postagens são de inteira responsabilidade dos autores e as opiniões nelas expressas não refletem, necessariamente, a opinião dos outros colunistas bem como do Corpo Editorial do Blog

domingo, 17 de setembro de 2017

Lutando contra o abatimento


Por Karoline Evangelista
Baseado no capítulo 7 do livro “Lutando contra a incredulidade” do John Piper


“A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre” (Sl 73:26).


Complexo abatimento, que triste é o seu som, soando de um coração cristão, cujos olhos revelam a desarmonia interior. Não se limita à depressão e não é uma simples melancolia temporária, decorrente de um dia ruim. Quanto a depressão, há pessoas que possuem certa predisposição, seja devido a causas genéticas, fatiga ou outras questões de ordem fisiológica, e mesmo, depois de convertidas, elas precisarão lutar contra esse mal. Não é possível dividir o homem de forma a separar o físico do espiritual; sejam quais forem as causas do abatimento, a arma que provoca rendição à tal estado é a incredulidade na graça futura. É preciso erguer-se e lutar! Mas como? O abatimento é um gelo que esfria a alma, queima a pele, e adormece o vigor, é como o céu cinza da poluição, que embaça a visão e dificulta a respiração, é uma sombra negra ou um fantasma branco, odeia cores e ama algemas.

Davi enfrentou o abatimento: “Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim?” (Sl 42.11a). Ele não se rendeu, mas estendeu a sua espada: “Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus” (Sl 42.11b). Davi negou dar ouvidos ao seu eu abatido, ele pregou à sua alma, criticou seus pensamentos, fê-los assentar e ouvir a Palavra de Deus.

Jesus enfrentou o abatimento: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte” (Mt 26.38). Ele lutou, utilizando algumas armas, a saber: pediu a companhia de seus amigos mais chegados (cf. Mt 26.37), expôs a eles a sua dor (cf. v. 38), pediu intercessão (cf. v. 38), orou ao Pai (cf. v. 39), descansou na soberana vontade de Deus (cf. v. 39). O autor aos Hebreus nos afirma que: Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus” (Hb 12.2).

Como enfrentamos o abatimento? Os livros de autoajuda flutuam sobre a superfície, não alcançam a profundidade da alma, no máximo massageiam o ego com suas plumas. Precisamos pôr de joelhos, o nosso eu, diante da Palavra de Deus e a fé nas Suas promessas fortalecerá os nossos corações. Há uma paz plena e eterna, há uma glória futura, há esperança! Em Deus, que é a nossa herança, “há fartura de alegrias e delícias perpetuamente” (Sl. 16.11). Certamente, a fé na graça futura nos concederá um prelúdio do supremo prazer celestial.

Sejam felizes, em Cristo!




As postagens são de inteira responsabilidade dos autores e as opiniões nelas expressas não refletem, necessariamente, a opinião dos outros colunistas bem como do Corpo Editorial do Blog

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Garoto australiano de 12 anos “muda de sexo” e se arrepende dois anos depois

Com apenas 12 anos de idade, Patrick Mitchell implorou a sua mãe para dar início aos tratamentos hormonais depois que os médicos o diagnosticaram com disforia de gênero – uma condição em que uma pessoa experimenta sofrimento porque há uma incompatibilidade entre seu sexo biológico e sua identidade de gênero.

"Você deseja mudar tudo sobre você, você vê qualquer garota e diz que seria capaz de matar para ficar daquele jeito", disse Mitchell ao site '60 Minutes' sobre o que sentia na época em que quis mudar de sexo.

Depois de receber o conselho de profissionais que sugeriram que era uma escolha certa, Mitchell começou a transição e recebeu total apoio de sua mãe.

Ele deixou o cabelo crescer e começou a tomar os hormônios, o que fez com que seus seios logo se desenvolvessem. Porém, dois anos depois, Mitchell passou a questionar se havia feito a escolha correta.

A crise se acentuou no início de 2017, quando os professores de sua escola começaram a se referir a ele como uma menina.

"Comecei a perceber que estava realmente confortável no meu corpo. Todos os dias eu me senti melhor ", disse ele ao Now To Love.

Como resultado, Mitchell confiou procurou a sua mãe e explicou que queria reverter o processo.

"Ele me olhou nos olhos e disse: ‘Não tenho certeza de que eu sou uma menina’", afirmou sua mãe.

Agora, em uma tentativa de voltar ao seu corpo original, ele parou de tomar sua medicação e está prestes a ter uma operação para remover o excesso de tecido mamário que será o estágio final de sua transição.


Com informações Independent.co.uk

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Após atacar cristãos e promover pedofilia e zoofilia, Santander cancela exposição “Queermuseu”

A exposição “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, realizada desde 15 de agosto no Santander Cultural, em Porto Alegre, um símbolo do ultraje e do nojento. Intitulada Queermuseu, suas obras exaltam a sexualização de crianças, promovem abusos de animais e profanam imagens sagradas ao Cristianismo, foi cancelada após protestos em redes sociais.

A teoria Queer, que dá a fundamentação ideológica por trás da exposição, defende que a sexualidade é uma construção social desvinculada da natureza humana e considera a expressão sexual em crianças algo natural e bonito. A revista Psychological Bulletin, adepta da ideologia, sugere inclusive a substituição do termo “pedofilia” por “intimidade intergeracional” como forma de acabar com a conotação negativa da sexualização infantil. A teria faz parte da visão ideológica desconstrutivista e busca a destruição dos valores morais em que a nossa cultura foi fundada.

Fotos da exposição mostravam imagens de Jesus Cristo e santos profanadas com pinturas, maquiagem e outros símbolos. Hóstias utilizadas na Santa Ceia dos cristãos receberam inscrições como “língua” e “vagina”.

Um grupo já está organizou um processo criminal contra os responsáveis, alegando que, no Código Penal, vilipendiar objeto de culto fere o artigo 208, expor obscenidades fere o artigo 234 e fazer apologia à pedofilia e à zoofilia fere o artigo 287.

O projeto foi apoiado pelo Ministério da Cultura, patrocinado pelo Santander, realizado pelo Santander Cultural e pelo Governo Federal e produzido pela Rainmaker Consultoria de Imagem, Projetos e Produções foi autorizada a captar até R$ 850.560,00.

Em nota, o centro cultural diz: “Ouvimos as manifestações e entendemos que algumas das obras da exposição ‘Queermuseu’ desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo”.

Leia a nota do Santander Cultural:

“Nos últimos dias, recebemos manifestações críticas sobre a exposição “Queermuseu – Cartografias da diferença na América Latina”. Pedimos sinceras desculpas a todos os que se sentiram ofendidos por alguma obra que fazia parte da mostra.

O objetivo do Santander Cultural é incentivar as artes e promover o debate sobre as grandes questões do mundo contemporâneo, e não gerar qualquer tipo de desrespeito e discórdia.

Nosso papel, como um espaço cultural, é dar luz ao trabalho de curadores e artistas brasileiros para gerar reflexão. Sempre fazemos isso sem interferir no conteúdo para preservar a independência dos autores, e essa tem sido a maneira mais eficaz de levar ao público um trabalho inovador e de qualidade.

Desta vez, no entanto, ouvimos as manifestações e entendemos que algumas das obras da exposição “Queermuseu” desrespeitavam símbolos, crenças e pessoas, o que não está em linha com a nossa visão de mundo.

Quando a arte não é capaz de gerar inclusão e reflexão positiva, perde seu propósito maior, que é elevar a condição humana. O Santander Cultural não chancela um tipo de arte, mas sim a arte na sua pluralidade, alicerçada no profundo respeito que temos por cada indivíduo. Por essa razão, decidimos encerrar a mostra no domingo, 10/09.

Garantimos, no entanto, que seguimos comprometidos com a promoção do debate sobre diversidade e outros grandes temas contemporâneos.”


Com informações Consciência Cristã News

domingo, 10 de setembro de 2017

O Protagonismo Feminino nos Primórdios do Protestantismo Brasileiro


Por Sebastiana Lima (Diana)

1. Introdução


A história da Religião Cristã é a história do protagonismo masculino, assim como a história da filosofia e de outros saberes. Quando fazemos esse tipo de afirmação, tendemos a receber a réplica, de que estamos usando um discurso feminista, contudo, não é necessário ser mulher, nem feminista, para concluir que a mulher ao longo da história, mesmo sendo capacitada, nem sempre teve espaço para ser sujeito da história.

No intuito de conhecer mais acerca do protagonismo feminino no protestantismo brasileiro no final do século XIX, surgiu a oportunidade de realizarmos essa pesquisa, que ainda é introdutória, mas, pretende abordar um pouco acerca dos aspectos históricos que circundam o universo feminino envolvido no processo de implantação das bases do Protestantismo no Brasil.

É inegável o papel da mulher na história de todas as instituições, culturas, religiões, etc, na história do Brasil, também, a mulher teve um papel significativo, pensando nisso iremos conhecer um pouco acerca de algumas mulheres que tiveram papel preponderantemente importante na história do protestantismo no Brasil.

No que tange ao conhecimento teológico, o homem sempre teve prioridade. À mulher, não cabia a necessidade de conhecimento, até porque a sua função no reino dos homens era de cunho inferior, estudar seria algo de pouca valia. Isso é bem antigo, por exemplo, desde o séc. XIII vemos que a participação da mulher na escrita se dá de forma “ativa com Heloísa[1], ela tinha uma educação incomum para as mulheres da sua época” MARINHO, (2013, p.3), também com outras duas mulheres, diferentes de Heloísa, entretanto, seres humanos com inteligência e capacidades cognitivas semelhantes aos homens:

Hildegard von Bingen, monja beneditina que deixou uma obra considerável que aborda, dentre outras áreas do saber, a teologia, a filosofia, a música e a exegese. E, por fim, Marguerite Porete, beguina, autora de Le moiroeur dês simples ames[2], escrito possivelmente em meados de 1290 e que aborda, numa visão mística, o amor e a liberdade; livro com o qual a autora foi queimada em praça pública em 10 de junho de 1310. MARINHO, (2013, p.3)


Falar acerca de mulheres que ousaram pensar, fazer teologia e expressar o desejo de liberdade feminina, é um assunto que agride o universo do reino dos homens, marcado pelo desprezo pelo feminino e o cerceamento de qualquer grau de liberdade expresso pelas mulheres. Adentramos um pouco a exemplos como o de Heloísa, Hildegard e a beguina[3] Marguerite Porete, para ilustrarmos um pouco o papel da mulher no universo da escrita e da Teologia, entretanto, o alvo dessa breve investigação é conhecer o papel de algumas mulheres protestantes, do período imperial brasileiro, que se destacaram como modelo de conhecimento, trabalho e dedicação a obra cristã.  


2. A escassez de menção de nomes femininos na história da Reforma Protestante

Sabemos que os reformadores tiveram sua importância pelo seu trabalho e conteúdo teológico e doutrinário que produziram e isso é notável, mas nesse contexto também tiveram mulheres que participaram. Não somente as esposas, também algumas missionárias solteiras, ou ex-religiosas da Igreja Católica Apostólica Romana convertidas ao Protestantismo.

Mas a história contada é a dos que lograram êxito, de heróis, reis e poderosos, a mulher do período Antigo, Medieval e no Brasil Imperial, não tinha metade do espaço que conquistou na história dos dias atuais. Para embasar esse argumento vejamos o que a professora Rute Salviano Almeida diz:

A história positivista, escrita por mãos masculinas e enfocando grandes acontecimentos e personagens, esqueceu ou não se importou de mencionar a participação das mulheres na reforma religiosa do século XVI. Foram poucas e pequenas as menções a elas. Portanto, para uma escrita mais verdadeira da História é necessário resgatar essa valiosa contribuição feminina, porque quando a história é contada pela metade não está completa. ALMEIDA, (2017).
     
Para que a História seja completa, necessita-se de mencionar seus autores e seus personagens, à medida que são esquecidos ou omitidos, têm-se uma história de entremeios, entrecortada pelo preconceito.

Um fato interessante é o seguinte: ao sermos indagados sobre os nomes dos Reformadores, no ato respondemos: Lutero, Calvino, Zwínglio, Jonh Knox... Mas, esquecemos que nem só de homens se faz a história, nesse conjunto de reformadores, existiram vozes femininas, mãos e atitudes que ajudaram a construir todo esse edifício historiográfico.

A participação das mulheres na Reforma, não se deu através de grandes tratados teológicos, mas, segundo Almeida, (2017):

Contudo, embora relevante, a participação feminina no movimento foi diferente, pois não produziu grandes tratados teológicos e nem atuou em sérios debates. As mulheres preferiram uma abordagem mais branda, através de uma literatura mais íntima. [...] Suas vozes eram ouvidas através de suas frases.

Rute Salviano Almeida,[4] cita cinco mulheres que tiveram suas vozes ouvidas na Reforma, são: Marie Dentière[5], Catherine Zell[6], Árgula von Grumbach[7], Margarida de Navarra[8], Joana D’Albret[9]. Diante disso podemos de fato perceber, que foram mulheres que souberam cumprir seu papel de maneira digna, virtuosa, sendo promotoras da própria história, sem precisar ficar nos bastidores, da História.


3. A mulher cristã e os estudos

Quando pensamos em educação na contemporaneidade, ficamos imaginando as mulheres que viveram no século XIX e as dificuldades que tiveram para acessar o conhecimento. O Brasil desse período, não oferecia recursos à educação pública, a imagem de escola que temos na nossa cabeça fica longe do que era de fato o conceito de escola.

No que tange aos protestantes que vieram ao Brasil, oriundos da Europa e da América do Norte, eles faziam uso da imprensa e produziam folhetos de cunho educativo. Estava no âmago da Reforma Protestante, o uso da leitura para facilitar a compreensão das Escrituras e não mais serem mediados pelos sacerdotes católicos, como era praticado pelo catolicismo. Com essa necessidade, deu margem ao surgimento das Escolas de Primeiras Letras, motivadas pelo ideal reformador de alfabetização na língua materna.

Dentro dessa perspectiva, iremos destacar o trabalho de algumas mulheres, protestantes estrangeiras, que tiveram destaque na educação. Não somente na educação, contudo, desempenharam diversos papéis de maneira que fizeram história com sua maneira de agir nos mais diversos contextos sociais e culturais.


4. Três mulheres que fizeram história no brasil império

4.1. Sarah Kalley

Sarah Poulton Wilson, nasceu em Nottingham na Inglaterra em 1825, desde a sua juventude já era uma mulher à frente do seu tempo.

Aos dez anos de idade Sarah foi enviada a um internato (com rígidos princípios puritanos) que ficava localizado próximo à cidade de Fairfield, onde morava sua avó paterna. Sarah passou seis anos na instituição preparando-se para o exercício de seus futuros ministérios: pianista, musicista, pintora, poetisa e poliglota, e tinha muita habilidade para ensinar. CARDOSO, (2001, p. 100).

O primeiro ministério de Sarah foi na igreja Congregacional de Torquay, em 1855 casou-se com Robert Reid Kalley e assume novo campo missionário, o Brasil. Sarah era uma mulher extremamente inteligente, de acordo com Cardoso: “preparava sermões para serem lidos nos púlpitos pelos presbíteros da Igreja e até mesmo para o Sr. Kalley” (Cardoso, 2005, 205 – 208).

Sara Poulton Kalley, escreveu o livro A Alegria da Casa em 1866, esse livro é rico em ensinamentos para a vida cotidiana, administração da casa, normas de higiene, economia doméstica, preparação das moças para o casamento. É uma maneira prática de valorizar as mulheres e romper com o estigma de mulheres frágeis e fúteis.

4.2. Marta Watts

Marta Watts foi a primeira educadora do metodismo no Brasil,

Martha Watts veio para o Brasil para educar mulheres; esta foi a missão que a Sociedade Missionária da Mulher lhe designou, ou, melhor dizendo, para a qual Martha se candidatou. Assim, pois, é necessário que se diga duas ou três palavras sobre a situação da mulher na sociedade brasileira do final do século XIX, quando Martha Watts aportou no Rio de Janeiro trazendo na bagagem sua tarefa de ensinar, num país estranho, de língua desconhecida, distante física e culturalmente de sua “América”.  Durante todo o século XIX, as mulheres brasileiras estiveram submissas a pais e maridos. Esta submissão, entretanto, não implicava na falta de importância da mulher. Embora dependente dos homens o papel da mulher era bastante significativo na sociedade. Quando falamos na mulher do final do século XIX no Brasil, queremos nos referir à mulher da elite. Numa sociedade agrária e escravocrata, fora das elites, existiam apenas as criadas e um pouco mais tarde as negras recém-libertas. MESQUITA, (p. 100).
           
A mulher do final do século XIX, período que Marta Watts viveu era uma sociedade de elite. Marta estava inserida no seio da elite, fora desse contexto, subsistiam as criadas e mais adiante as negras que foram libertas. “A vida social no Brasil, nesse período, girava em torno de recepções, saraus, e festas familiares. Nesses eventos, discutiam-se e fechavam-se negócios, arrumavam-se casamentos, firmavam-se as posições sociais” MESQUITA, (p. 100).

4.3. Carlota Kemper

Carlota Kemper é uma daquelas mulheres cristãs que merecem ser citadas, seu esforço e seu trabalho foram um marco na história das missionárias cristãs que vieram ao Brasil com um propósito de servir ao povo com seus dons.

No ano de 1882, uma educadora, já em idade avançada, vem para o Brasil como missionária da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos se tornando diretora do departamento de meninas do Colégio Internacional sediado em Campinas. Essa missionária, D. Carlota Kemper, ajudou a fundar o atual Colégio Gammon e trabalhou na missão como educadora até a sua morte com 90 anos de idade, dedicando grande parte da sua vida à obra missionária. ARANTES, (p.1).


De acordo com Arantes, (p.1):

A obra presbiteriana em solo brasileiro só foi possível devido aos investimentos das Igrejas norte-americanas. O missionário pioneiro [...] foi Ashbel Green Simonton, [...] chegou ao Rio de Janeiro, em 1859, e nessa primeira década vários outros missionários vieram ao Brasil pregar a “Palavra de Deus” e como parte fundamental do seu trabalho: criar escolas. Para esses protestantes, parte de sua missão era “civilizar” a terra que para “Deus” conquistavam, educando homens e mulheres que promoveriam o progresso da Nação. ARANTES, (p. 2).
           
Diferentemente da abordagem católica, os protestantes reformados, entre eles os presbiterianos, tinham a preocupação com a educação do povo, vinham com esse conceito muito certo, para promoverem o progresso da nação. Nesse ideal

[...] em 1882, a educadora Carlota Kemper veio para o Brasil como professora do Colégio Internacional e missionária, já possuindo a responsabilidade de liderar o departamento de meninas. Nessa época, Carlota estava com 45 anos, tendo trabalhado a maioria deles como professora em diversos colégios dos Estados Unidos. ARANTES, (p.2).



Considerações finais

É preciso entender que homem e mulher foram criados à imagem de Deus, conforme o texto de Gênesis 1.27, portanto, ambos gozam da mesma dignidade e importância diante de Deus, como pessoa. A Bíblia também garante que homens e mulheres têm o mesmo acesso às bênçãos da salvação. Jesus Cristo, no seu ministério terreno, conferiu muito respeito e dignidade às mulheres. É importante ressaltar que a igreja contemporânea, às vezes, erra por falta de conhecimento, talvez pelo machismo que está culturalmente instalado na mente de uma grande parte dos homens, os quais muitas vezes ocupantes dos cargos de liderança.
             Com esse estudo pudemos compreender um pouco sobre o protagonismo feminino nos primórdios do protestantismo brasileiro. O Brasil recebeu mulheres oriundas de outras nações que, mesmo imersas em uma cultura de domínio masculino, não desistiram de se colocar como sujeitas da própria história, não esperaram que alguém oferecesse um espaço para a sua atuação.
            É possível, a partir de investigações como essas, dialogar com o contemporâneo e entender os embates entre homens e mulheres do nosso tempo. Vivemos em uma sociedade bem diferente, as mulheres cristãs protestantes são bem distintas da Sarah Kalley, de Marta Watts e Carlota Kemper, mas enfrentam preconceito, convivem com desafios de um país capitalista em que precisam enfrentar triplas jornadas de trabalho: casa, trabalho, filhos, estudo, vida espiritual, esposo...
            A mulher intelectual ainda enfrenta a postura radical de boa parte dos homens cristãos. Ainda convive com os olhares críticos que Marguerite Porete, Heloísa e Hildegard conviveram, embora, em contextos muito distintos. O espaço feminino no universo eclesiástico é como se fosse cedido, favorecido a quem não tem competência para ocupá-lo, qualquer notoriedade feminina que rompa com o padrão normal de “mulher correta é mulher calada”, já soa à competição. Claro que existem muitos problemas relativos a núcleos femininos que se tornaram feministas e buscaram uma identidade de gênero semelhante ao Estado laico, não é desse universo que estamos falando.
            O que importa é que esse tema está sendo abordado a partir de uma perspectiva histórico-crítico, servindo de pano de fundo para futuras investigações e maior aprofundamento. Aqui iniciamos, provocamos, em outra oportunidade podemos reincidir no assunto, afinal é um mote polêmico que tem muito a ser investigado.
  



NOTAS


[1] Heloísa é mais conhecida pela sua relação com Pedro Abelardo. Ela era uma brilhante estudiosa de grego, latim e hebraico e tinha a fama de ser muito inteligente, além de ter um dom imenso para a escrita e a leitura. Ela se tornou aluna de Pedro Abelardo, que foi um dos mais populares professores e filósofos de Paris.
[2] Tradução: O Espelho das Almas Simples e Aniquiladas e que permanecem somente na vontade e no desejo do Amor.
[3] O Movimento das Beguinas situa-se num período denso de inventividade cultural protagonizada por figuras e organizações femininas. A partir da Bélgica, e estendendo-se por outros países europeus, o Movimento das Beguinas pontificou durante os últimos séculos da Idade Média, numa Europa marcada pela presença insubmissa e contestatária de mulheres – santas, sábias, guerreiras -, cuja influência se estende para além da Idade Média. CALADO, 2012.
[4]  Vozes Femininas na Reforma. ALMEIDA, (2017)
[5] [...] Teve seu nome inscrito no muro dos reformadores em Genebra, em 2002. Ex-prioresa das agostinianas, após ficar viúva, casou-se com o companheiro de Farel, o reformador Froment, com quem foi para Genebra defender a causa reformista. A carta que escreveu para rainha Margarida de Navarra foi considerada um tratado teológico. ALMEIDA, (2017).
[6]  [...] esposa do pastor luterano Matheus Zell, escreveu panfletos para propaganda da Reforma. Com inteligência e sabedoria, ela confrontava perspicazmente com a Bíblia a doutrina do sacerdócio de todos os crentes. ALMEIDA, (2017).
[7] Bávara erudita, escritora de panfletos, que defendeu veementemente a Reforma e os reformadores. Em sua apologia argumentou à Universidade de Ingolstadt: “Vocês desejam destruir toda a obra de Lutero. Nesse caso destruiriam o Novo Testamento que ele traduziu. Nos escritos de Lutero e Melanchton, não existe nenhuma heresia [...]. ALMEIDA, (2017).
[8] Irmã do rei Francisco I da França e esposa do rei Henrique II de Navarra. Ela acolheu em seu reino reformadores e eruditos perseguidos, entre eles o próprio Calvino. Entre suas obras, encontram-se um poema espiritual: O Espelho das almas pecadoras e um livro de contos O Heptameron, no qual denunciou a imoralidade de clérigos que, indignados, tentaram matá-la. Fez mudanças eclesiásticas em seu reino: celebração da ceia em duas espécies, cultos na língua do povo, abolição do celibato e das roupas litúrgicas dos ministros. Seu maior destaque, contudo, foi sua grande humanidade, a ponto de preferir ser chamada a primeira-ministra dos pobres. ALMEIDA, (2017).
[9] Filha de Margarida de Navarra e mãe do rei Henrique IV, que concedeu a liberdade religiosa na França. Foi a reformadora do seu reino e líder dos huguenotes. Ela confiscou os bens da igreja e distribuiu aos pobres, aboliu as procissões públicas, retirou imagens e suprimiu missas. Fundou a Faculdade em La Rochelle, um centro de piedade evangélica. ALMEIDA, (2017).




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, Rute Salviano. Vozes Femininas na Reforma. Disponível em: <http://www.ultimato.com.br/conteudo/vozes-femininas-na-reforma> Acessado em 24 de maio de 2017.

ARANTES, Thaís Batista de Andrade.  Carlota Kemper: uma educadora esquecida (1882-1927).  Disponível em: < www.cogeime.org.br/revista/cap1120.pdf>. Acessado em 24 de maio de 2017. 20:14 h.

CALADO, Alder Júlio Ferreira. O Movimento das Beguinas: Interfaces e ressonâncias em experiências sócio-religiosas femininas do presente, 2012. Disponível: < http://consciencia.net/o-movimento-das-beguinas-interfaces-e-ressonancias-em-experiencias-socio-religiosas-femininas-do-presente/> Acessado em 24 de maio de 2017, 13:25 h.

CARDOSO, Douglas Nassif. Robert Reid Kalley: Médico, missionário e profeta. São Bernardo do Campo, SP:  Ed. Do autor. 2001.

______. Cotidiano Feminino no Segundo Império. São Bernardo do Campo, SP. Ed. Do Autor.

MARINHO, Maria Simone Nogueira. A Escrita Feminina Medieval: mística, paixão e transgressão. Mirabília: Revista Eletrônica de História Antiga e Medieval. 23 p.

MESQUITA , Zuleica de Castro Coimbra Mesquita. Martha Watts: uma educadora metodista na belle époque tropical. Disponível em:<www.cogeime.org.br/revista/cap1120.pdf> Acessado em 24 de maio de 2017.
  



As postagens são de inteira responsabilidade dos autores e as opiniões nelas expressas não refletem, necessariamente, a opinião dos outros colunistas bem como do Corpo Editorial do Blog